Chuvas intensas devem atingir três regiões do Brasil entre sábado (19) e domingo (20). Segundo informações do meteorologista Denis William, da Meteored, os temporais sofrem influência do fenômeno do El Niño, que deve se intensificar nos próximos meses.
De acordo com o especialista, a chuva deve afetar os estados da região Sudeste, Centro-Oeste e Norte do Brasil, mantendo o padrão atípico para o período. Além disso, a influência do El Niño, que fortalece o canal de umidade vindo do Norte da América do Sul em direção ao Sul e Sudeste, deve favorecer o aumento de instabilidades sobre o Centro-Oeste.
Semana termina com chuvas
Na madrugada desta quinta-feira (17), pancadas de chuva ocorreram no Espírito Santo, Rio de Janeiro e leste de Minas Gerais. No Centro-Oeste, Goiás e Mato Grosso podem ser atingidos pelas chuvas, as chances são baixas. No entanto, o oeste do Amazonas terá tempo fechado e risco de chuvas mais intensas.
Ao final da tarde, a combinação entre umidade e calor deve favorecer o desenvolvimento de nuvens carregadas na faixa entre o oeste do Amazonas, Acre, Rondônia, Mato Grosso, Goiás e os quatro estados do Sudeste. Nos estados do Norte, há risco de temporais com trovoadas.
Na sexta-feira (18), a frente fria avança e promove pancadas de chuva no leste da Bahia. Enquanto isso, a umidade sobre o interior do país deve diminuir, reduzindo as chances de precipitação na maior parte das regiões.
O leste do Sudeste, o oeste da Região Norte e a divisa entre Mato Grosso do Sul e Mato Grosso devem ser atingidos por pancadas de chuva à tarde. Já no sábado (19), a formação de um cavado deve fazer as chuvas retornarem ao Mato Grosso do Sul, com risco de tempestades e chuvas intensas.
No domingo (20), o sistema perde força, resultando em pancadas leves entre o oeste de Mato Grosso e o centro-sul de Mato Grosso do Sul.
Final de setembro deve continuar chuvoso
Na próxima a semana, entre os dias 21 e 28 de setembro, as áreas do Sudeste e Centro-Oeste estarão mais úmidas em relação à climatologia, de acordo com o meteorologista. A atenção deve ser dobrada na faixa que abrange o sul do Mato Grosso do Sul, leste de São Paulo, sul e leste de Minas Gerais e o estado do Rio de Janeiro.
Em Mato Grosso e Goiás, a semana deve ser mais seca, já que mesmo com a previsão de pancadas, os volumes não serão suficientes para atingir a média climatológica. Os expectativa para os acumulados de chuva nos próximos dez dias indicam que os volumes podem ultrapassar 75 mm no Sudeste, afetando principalmente o eixo Rio-São Paulo, leste de Minas Gerais e o sul do Mato Grosso do Sul. Sobre o Mato Grosso, os maiores acumulados concentram-se no oeste do estado, acima de 25 mm.

No Centro-Oeste e Sudeste, os volumes de chuva serão menores e distribuídos de forma irregular, com acumulados previstos inferiores a 20 mm, segundo o meteorologista.
El Niño deve se intensificar
Setembro marca o início de um trimestre que terá grande intensificação do fenômeno do El Niño em escala global, já que, segundo um monitoramento realizado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (em inglês, National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), a probabilidade é de 95% de o fenômeno atingir intensidade muito forte neste trimestre, entre os meses de setembro, outubro e novembro.
Além disso, as projeções indicam que o El Niño deve causar alterações globais até o outono de 2027.

Na figura, a sequência dos três gráficos com alta probabilidade de El Ninõ forte indicam que o fenômeno terá grande intensidade a partir do mês de setembro.
Normalmente, os meses de inverno são menos chuvosos em Santa Catarina. No entanto, neste ano, a atuação do El Niño contribuiu para um cenário com registros de volumes de chuva acima da média com tempestades severas, segundo a Defesa Civil.
Primavera deve ser um período de atenção em SC
A preocupação aumenta com a chegada da primavera, que começa na próxima terça-feira (22), período em que normalmente há um aumento da frequência e da intensidade dos sistemas meteorológicos que provocam chuvas e tempestades.
Dessa forma, a combinação entre a climatologia da estação e a intensificação do El Niño torna a primavera o período de maior atenção desde o estabelecimento do fenômeno El Niño, segundo a Defesa Civil.
O trimestre deve ser marcado por uma intensificação do monitoramento das condições meteorológicas e dos acumulados de chuva, especialmente durante a atuação de sistemas capazes de provocar chuva intensa e tempestades severas.




