El Niño ganha força e chance de evento com intensidade histórica cresce, aponta agência

Fenômeno historicamente intensifica as chuvas na primavera em Santa Catarina, especialmente durante outubro e novembro

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El Niño altera os extremos de chuva (Foto: Patrick Rodrigues, NSC Total)

O Oceano Pacífico segue em aquecimento na região monitorada pelos pesquisadores, o que significa que o El Niño continua se intensificando, atualizou o boletim de setembro da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (Nooa), dos Estados Unidos, uma das principais instituições do mundo no acompanhamento do fenômeno.

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A projeção indica que o fenômeno vai se fortalecer até o fim do ano, com 75% de chances de se tornar o El Niño mais forte da história. No mês passado essa probabilidade era de 69%.

“Com um evento dessa magnitude, as chances de vivenciarmos impactos consistentes com o El Niño são maiores, embora não garantidas. Em resumo, o El Niño está se fortalecendo, com mais de 90% de chance de um evento muito forte” entre a primavera e o verão, escreveu a instituição.

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Atualmente, o aquecimento das águas superficiais do oceano já está 1,8ºC acima da média. Com o passar das semanas e esse número aumentando, o fenômeno pode atingir a categoria “muito forte”, popularmente chamada de “super”, que ocorre quando a média fica acima de 2ºC. As chances desse registro se concretizar até dezembro é de cerca de 95%, mostram os gráficos da Nooa.

Momento não é de pânico, mas de prevenção em SC

Assim, todos os fatores convergem para um fortalecimento do El Niño até o fim do ano. Para além dos mais de 2ºC, os cientistas acreditam que o aquecimento deve ser histórico, ultrapassando qualquer outro vivenciado desde 1950, com patamares iguais ou superiores a 2,5ºC.

Quanto maior o aquecimento, maior as chances de formação de eventos climáticos extremos. Para Santa Catarina — e todo o Sul do Brasil — a preocupação é grande porque esse fortalecimento ocorrerá em uma fase que naturalmente já é chuvosa para o estado, entre a primavera e o verão.

Isso não significa, no entanto, os maiores estragos de todos os tempos para Santa Catarina. Um El Niño forte apenas torna os impactos mais prováveis. Ou seja, no caso das cidades catarinenses, onde as chuvas são frequentes na primavera e verão, as precipitações tendem a ficar mais intensas.

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Para que haja um grande desastre relacionado às precipitações, é preciso um combo entre El Niño e outros fatores climáticos e meteorológicos, explicam profissionais da área.

Alice Grimm, cientista reconhecida internacionalmente por pesquisas sobre o tema, destaca em um artigo que, apesar do El Niño deixar o Sul do país ainda mais vulnerável para chuvas extremas, oscilações oceânicas e atmosféricas que mudam semanalmente, anualmente e até em décadas precisam estar alinhadas para que o pior aconteça.

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O cenário apresentado por Grimm ocorreu durante a catástrofe do Rio Grande do Sul em 2024, quando houve um combo de El Niño, oscilações favoráveis e impacto das mudanças climáticas.

Ainda assim, por precaução, o momento é de preparo. Cidades e o governo do estado divulgaram ações preventivas para esperar as chuvas neste segundo semestre.

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Super El Niño

Oficialmente não existe a classificação de “super El Niño”, mas o termo é usado popularmente quando o aumento da temperatura do oceano ultrapassa os 2°C acima da média, patamar considerado elevado e pouco comum, explica o meteorologista da Defesa Civil, Caio Guerra.

Para se ter uma ideia, desde 1950, dos 25 episódios de El Niño, cinco tiveram registros acima dos 2ºC, mostram dados da Noaa.

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O que o levantamento também indica é uma diminuição no intervalo de El Niños de forte intensidade. Entre a metade do século passado e meados do atual, foram mais de 10 anos entre um “super El Niño” e outro. Na história recente, esse tempo caiu para oito anos. E agora, se de fato o próximo aquecimento ficar acima dos 2ºC, a “pausa” será de menos de cinco anos.

As “categorias”

  • Fraco: 0,5°C a 1,0°C acima da média
  • Moderado: 1,0°C a 1,5°C acima da média
  • Forte: 1,5°C a 2,0°C acima da média
  • Muito forte: acima de 2,0°C acima da média

La Niña e El Niño

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o El Niño é o nome dado ao aumento na temperatura da superfície da água em um trecho do Oceano Pacífico perto do Peru, fazendo ela evaporar mais rápido. O ar quente sobe para a atmosfera, levando umidade e formando uma grande quantidade de nuvens carregadas.

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Com isso, no meio do Pacífico chove mais, afetando a região Sul do Brasil, pois a circulação dos ventos em grande escala, causada pelo El Niño, também interfere em outro padrão de circulação de ventos na direção norte-sul e essa interferência age como uma barreira, impedindo que as frentes frias, que chegam pelo Hemisfério Sul, avancem pelo país. Logo, elas ficam concentradas por mais tempo na região Sul.

O contrário, o resfriamento dessas águas, é chamado de La Niña. Os efeitos do La Niña para Santa Catarina são o oposto do outro fenômeno, já que as chuvas caem em menor volume no Estado.

O El Niño em 10 passos