El Niño nunca antes visto está se formando no oceano, aponta agência norte-americana em novo comunicado

Velocidade com que a intensidade do aquecimento do oceano está ganhando força impressiona a ciência; efeitos precisam ser monitorados continuamente

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SC se prepara para chuva acima da média nos próximos meses (Foto: Banco de imagens, Reprodução)

O El Niño de 2026 pode atingir uma intensidade nunca antes vista pelos pesquisadores, informou o boletim de agosto da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (Nooa), dos Estados Unidos, uma das principais instituições do mundo no monitoramento do fenômeno. Há 69% de chances do super El Niño exceder a intensidade de todos os anteriores entre outubro e dezembro deste ano. O acompanhamento é feito desde 1950.

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“Com um evento dessa magnitude, as chances de vivenciarmos impactos consistentes com o El Niño são maiores, mas não são garantidas”, explicou o documento divulgado nesta quinta-feira (13).

Com mais de 90% de probabilidade de acontecer um aquecimento muito forte no Oceano Pacífico durante a primavera e o verão, Santa Catarina deve se preparar para períodos de chuva frequente e/ou extremas. Nesta semana, a influência do El Niño e outros fenômenos têm resultado em tempo fechado, com alerta para enchentes no Alto Vale do Itajaí.

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Aquecimento acima de 2,5ºC

Diferentes modelos climáticos indicam que o El Niño está evoluindo para um padrão de intensidade excepcional, como mencionou o meteorologista da Epagri/Ciram, Marcelo Martins. Isso significa que o aquecimento das águas perto do Peru pode ultrapassar os 2,5ºC acima da média.

Para se ter uma ideia, o El Niño só chegou perto dessa marca apenas uma vez desde 1950, entre 1982 e 1983, quando atingiu 2,4ºC, conforme índice da Nooa. Projeções de diferentes países estão indicando que o pico entre 2026 e começo de 2027 pode ficar pelo menos 1ºC acima do registrado na década de 1980.

E isso seria algo nunca antes visto.

Se esse cenário se confirmar, estaremos diante de um dos eventos de El Niño mais intensos já observados, com possíveis impactos importantes nos padrões de chuva e temperatura em diversas regiões do mundo.

Neste momento, a temperatura na área monitorada está em 2,2ºC acima da média, ou seja, já se aproxima do pico de 1983. O que mais impressiona os cientistas é a velocidade em que o aquecimento está acontecendo.

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O que é o El Niño?

De forma simplificada, El Niño é o nome dado ao aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico, em um trecho perto do Peru. O vapor sobe para a atmosfera e, para além disso, há uma mudança nos padrões de pressão, ventos e sistema climático sazonal. Ou seja, a circulação atmosférica é alterada e o impacto é global (leia mais abaixo).

O que esperar para Santa Catarina?

Com o indicativo de um super El Niño, os impactos podem ser maiores, como citou o Nooa, mas não necessariamente em todas as regiões afetadas. Por isso, é preciso monitorar a situação continuamente e analisar outros fatores que também influenciam no tempo.

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Em Santa Catarina, assim como em todo o Sul do Brasil, sabe-se que o El Niño favorece volumes de chuva acima da média. Em um estudo inédito, a cientista Alice Grimm mostrou o mês em que os efeitos do fenômeno historicamente são mais intensos para Santa Catarina: novembro.

  • Um El Niño nunca é igual ao outro, mas ele historicamente intensifica as chuvas na primavera em Santa Catarina;
  • Há uma perceptível “piora” durante outubro e novembro para o Sul do Brasil;
  • Para se ter uma ideia, em meses de novembro com El Niño as chances são 6,3 vezes maior de eventos extremos, contra 1,2 em períodos de La Niña;
  • Os extremos de chuva podem se acentuar e/ou os dias chuvosos durarem mais tempo que o normal.

Outro ponto reforçado pela pesquisadora é que, para que haja um grande desastre, não basta o El Niño. Há outras oscilações climáticas que precisam estar alinhadas, também favorecendo a formação de nuvens carregadas, para que ocorra o pior — tal como no Rio Grande do Sul em 2024. É o que a ciência chama de “sobreposição de efeitos”, algo que precisa ser monitorado constantemente e que só pode ser previsto com uma antecedência menor. Por isso, este é um momento de preparação e acompanhamento.

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Super El Niño é incomum, mostram dados históricos

Oficialmente não existe a classificação de “super El Niño”, mas o termo é usado popularmente quando o aumento da temperatura do oceano ultrapassa os 2°C acima da média, patamar considerado elevado e pouco comum, explica o meteorologista da Defesa Civil de Santa Catarina, Caio Guerra.

Para se ter uma ideia, desde 1950, dos 25 episódios de El Niño, cinco tiveram registros acima dos 2ºC, mostram dados da Noaa. O que o levantamento também indica é uma diminuição no intervalo de El Niños
de forte intensidade.

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Entre a metade do século passado e meados do atual, foram mais de 10 anos entre um “super El Niño” e outro. Na história recente, esse tempo caiu para oito anos. E agora, se de fato o próximo aquecimento ficar acima dos 2ºC, a “pausa” será de menos de cinco anos.

As intensidades do El Niño

Fraco: 0,5°C a 1,0°C acima da média
Moderado: 1,0°C a 1,5°C acima da média
Forte: 1,5°C a 2,0°C acima da média
Muito forte: acima de 2,0°C acima da média

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Agosto atípico

O Fórum Climático já havia alertado no fim de julho que agosto seria um mês com chuva e temperatura acima da média em Santa Catarina. Isso porque, para além do El Niño, outros comportamentos oceânicos e atmosféricos estão favorecendo a formação de nuvens carregadas. Ou seja, o mês apresenta um “combo” propício para dias cinzentos.

A diferença entre La Niña e El Niño

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o El Niño é o nome dado ao aumento na temperatura da superfície da água em um trecho do Oceano Pacífico perto do Peru, fazendo ela evaporar mais rápido. O ar quente sobe para a atmosfera, levando umidade e formando uma grande quantidade de nuvens carregadas.

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Com isso, no meio do Pacífico chove mais, afetando a região Sul do Brasil, pois a circulação dos ventos em grande escala, causada pelo El Niño, também interfere em outro padrão de circulação de ventos na direção norte-sul e essa interferência age como uma barreira, impedindo que as frentes frias, que chegam pelo Hemisfério Sul, avancem pelo país. Logo, elas ficam concentradas por mais tempo na região Sul.

O contrário, o resfriamento dessas águas, é chamado de La Niña. Os efeitos do La Niña para Santa Catarina são o oposto do outro fenômeno, já que as chuvas caem em menor volume no Estado.

O El Niño em 10 passos