Mortes de motociclistas sobem em rodovias federais em SC mesmo com queda no número de acidentes

Dados são da Polícia Rodoviária Federal em relação às rodovias BR-101, BR-116, BR-280, BR-282 e BR-470, além dos trechos da BR-153, BR-163 e BR-376

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Maior parte dos acidente são na BR-101, na Grande Florianópolis, segundo a PRF (Foto: Patrick Rodrigues, NSC Total)

Maior parte dos acidente são na BR-101, na Grande Florianópolis, segundo a PRF (Foto: Patrick Rodrigues, NSC Total)

O último final de semana foi considerado violento nas rodovias de Santa Catarina para os condutores e caronas de motocicletas. Foram 11 mortes em apenas dois dias. O cenário reflete bem como foi o primeiro semestre de 2026 em relação aos acidentes com motos no Estado: somente em rodovias federais, foram 73 mortes em 181 dias. Em média, quase três pessoas morreram por semana em acidentes envolvendo motos em rodovias federais catarinenses.

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Os dados solicitados pelo NSC Total e concedidos pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) levam em consideração o período de 1° de janeiro a 30 de junho de 2026. Em comparação ao mesmo período do ano passado, as 73 mortes correspondem a um aumento 8,96%, quando 67 pessoas morreram em acidentes envolvendo motociclistas.

Um número, no entanto, chama a atenção. No primeiro semestre de 2026, foram 1.986 acidentes nas rodovias BR-101, BR-116, BR-280, BR-282 e BR-470, além dos trechos da BR-153, BR-163 e BR-376 que passam pelo Estado. O dado representa 2,22% de acidentes a menos que no mesmo período do ano anterior, quando foram 2.031 acidentes.

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A especialista em Direito de Trânsito e instrutora Márcia Pontes explica que há um padrão histórico em relação aos motociclistas. A moto é um veículo menor em comparação a outros, que entra em movimento mais rápido e, consequentemente, é mais veloz, com acidentes mais graves sendo associados a esse tipo de veículo.

— Nas rodovias, a motocicleta é muito pequena e trafega ao lado de caminhões e de todo tipo de veículo grande, e nem todo motociclista se mantém atento a esses outros veículos. Houve uma quantidade menor de sinistros de trânsito, mas a gravidade dos acidentes aumentou. É histórico isso: a maior quantidade de mortos em acidentes é associada à motocicleta, assim como a maior quantidade de sequelados no trânsito, de pessoas que têm que se aposentar muito cedo, amputados no trânsito — disse.

Conforme a PRF, o trecho da Grande Florianópolis da BR-101 foi o local onde foram registradas mais mortes neste primeiro semestre. Também neste ano, 2.161 pessoas ficaram feridas em acidentes envolvendo motocicletas, 181 a mais que entre janeiro e junho de 2025.

Em dois dias, 11 motociclistas morreram em rodovias de SC

Ao todo, 11 mortes de motociclistas ocorreram em acidentes entre os dias 18 e 19 de julho, a maior parte em rodovias estaduais. A Polícia Militar Rodoviária, no entanto, informou que não concederá dados e estatísticas sobre acidentes em função do defeso eleitoral.

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Um dos casos mais graves envolveu adolescentes em Maracajá, no Sul catarinense. Era por volta das 23h20min de sábado, quando equipes de resgate foram acionadas para atender uma queda de motocicleta na marginal da BR-101. O motociclista era um adolescente de 15 anos, que sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu depois de 40 minutos de tentativas de reanimação. O garupa da moto também era um adolescente, de 14 anos, que sofreu escoriações e foi encaminhado ao Hospital Regional de Araranguá.

Totalizando os acidentes em rodovias federais e estaduais, foram 259 mortes registradas entre motociclistas em 2026 nos primeiros seis meses do ano, segundo dados da NSC TV. No ano passado, foram 585 mortes em todo o ano.

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SC lidera índice de acidentes em rodovias federais

De acordo com o levantamento do Observatório Fetrancesc, com base em dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) referentes a 2025, Santa Catarina tem a maior taxa de acidentes em rodovias federais do país, em relação ao número de ocorrências a cada 100 quilômetros de malha pavimentada. O Estado registra cerca de 340 ocorrências a cada 100 quilômetros, enquanto a média brasileira é de 108 acidentes.

A média nacional é de 125 feridos por 100 quilômetros, enquanto o Santa Catarina contabiliza 390, índice 212% superior ao do país. Já em relação às mortes, o Estado registra 18 óbitos por 100 quilômetros de rodovia federal, o dobro da média nacional, que é de nove.

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Especialista alerta para acidentes com veículos autopropelidos

Para além dos acidentes com motocicletas tradicionais a combustão, a especialista Márcia Pontes também alerta para as ocorrências com veículos autopropelidos. Esse tipo de veículo, segundo a legislação brasileira, “se movimenta ou sai do seu lugar através de uma forma própria de propulsão”. Com isso, se considera como veículos autopropelidos equipamentos de 1 ou 2 rodas que podem ou não ter um sistema de auto equilíbrio, como o patinete elétrico.

— Com essa febre dos autopropelidos elétricos, eles não podem circular, dependendo do modelo, nem em vias de trânsito rápido, nem em vias com 50, 60 km/h. Mas eles estão, inclusive, em rodovias. Nós vemos muitos vídeos que mostram esses condutores sem os devidos cuidados. Isso veio para somar as preocupações — diz.

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No dia 19 de julho, um homem de aproximadamente 30 anos morreu após pilotar um veículo autopropelido na contramão na SC-401 em Florianópolis. De acordo com a Polícia Militar Rodoviária, o veículo bateu de frente com um carro, conduzido por um homem de 40 anos que se recusou a fazer o teste do bafômetro.

O acidente aconteceu após a saída do túnel Antonieta de Barros. Segundo a guarnição policial que atendeu a ocorrência e analisou a dinâmica do acidente no local, o motorista do carro afirmou que seguia pela rodovia sentido Centro quando se deparou com o veículo autopropelido na contramão. Com isso, os dois colidiram.

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condutor do veículo autopropelido morreu ainda no local do acidente.

Infográfico mostra a taxa de acidentes por km em SC