Marejada: como foi criada uma das festas mais populares de Itajaí e o segredo que liga o evento aos argentinos

Criada em 1987, a festa nasceu de uma estratégia para atrair os "hermanos" que estavam em Balneário Camboriú

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Marejada foi criada em 1987 pelo empresário Luiz Felipe Saada Graf, que apostou em uma festa para valorizar a cultura e as tradições de Itajaí (Foto: Arquivo Histórico de Itajaí, Divulgação)

Já na 37ª edição e realizada há mais de três décadas em Itajaí, a Marejada conquistou o carinho da população, que ano após ano espera ansiosa pelo evento. Extremamente popular na cidade, a festa guarda um segredo que poucos conhecem. Isso porque a comemoração, ligada aos costumes e tradições de Portugal, também tem conexão com outro país.

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A maior festa do pescado do Brasil teve início em 1987. A ideia foi do empresário Luiz Felipe Saada Graf, que queria atrair para Itajaí os turistas argentinos que estavam em Balneário Camboriú.

Na época, Felipe, como era chamado, era um dos proprietários da loja Giorama. Para chamar a atenção dos turistas, ele mandou produzir um mapa com os principais pontos turísticos de Itajaí e organizou um ônibus para buscá-los em Balneário Camboriú e levá-los até a cidade.

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A ideia que deu origem à Marejada

A estratégia deu certo, mas Felipe percebeu que era possível fazer algo maior para atrair os turistas e, ao mesmo tempo, apresentar Itajaí para quem vinha de fora. Foi então que surgiu a ideia de criar uma festa ligada à identidade da cidade, especialmente à relação com o mar, a pesca e a cultura local.

Para tirar o projeto do papel, Felipe se reuniu com o então secretário de Turismo, Renato Silva, o agente de viagens Reinaldo Wanderech, o empresário Gabriel Bihr e o professor Acyr Oliveira. Foi Acyr quem ajudou a aproximar a festa da cultura portuguesa e açoriana, que acabou se tornando uma das principais marcas da Marejada ao longo dos anos.

Primeira edição foi há quase 40 anos

A primeira edição da Marejada aconteceu entre os dias 8 e 12 de outubro de 1987. Na época, o espaço escolhido para receber a festa era o antigo terminal rodoviário de Itajaí, justamente onde hoje está o Centreventos, local qeu recebe o evento anualmente.

A escolha do nome não poderia ser diferente e foi inspirada na própria cidade, trazendo a ligação de Itajaí com o mar, a pesca, o rio e as tradições que fazem parte da identidade local.

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Na ocasião, as pequenas estruturas usadas como pontos de ônibus foram aproveitadas e transformadas em quiosques para a festa. O local acabou ficando tão marcado na memória dos moradores que, até hoje, algumas pessoas mais antigas se referem à região como Marejada.

As primeiras edições eram bem mais simples do que a estrutura que os visitantes estão acostumados hoje em dia. Felipe procurava envolver entidades da cidade e distribuía os espaços para que elas pudessem participar da festa.

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Os grupos preparavam pratos como caldeirada, pastel e bolinho de peixe e também ficavam responsáveis pela venda dos alimentos. Dessa forma, as próprias entidades conseguiam arrecadar recursos.

De evento pequeno à maior festa do pescado do Brasil

Com o passar dos anos, a Marejada cresceu, a estrutura aumentou, novos espaços foram criados e atrações musicais renomadas passaram a fazer parte da programação. Grandes nomes como Luan Santana, Fernando & Sorocaba, Belo, e Michel Teló já subiram aos palcos da festa queridinha dos de Itajaí.

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Mesmo com a evolução, a essência do evento permaneceu ligada com a participação da comunidade, gastronomia, cultura portuguesa e a identidade do município. Luiz Felipe Saada Graf, o idealizador do projeto, morreu em setembro de 2017, mas a festa que o empresário ajudou a criar e o legado que deixou continua vivo na cidade.

Para Paulo Roberto Saada Graf, conhecido como Beto e irmão de Felipe, acompanhar a trajetória da Marejada é motivo de orgulho, e a tradição traz à tona diversas lembranças relacionadas ao irmão.

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“Eu tenho muito orgulho de ter vivido tudo isso ao lado do Felipe. A Marejada foi uma das coisas que ele fez com muito carinho, sempre pensando na cidade e nas pessoas. Ele queria uma festa para a família, para o pai, a mãe, os filhos, os netos, para todo mundo poder participar, conhecer a nossa cultura e aproveitar sem precisar gastar muito”, conta.

De evento pequeno à maior festa do pescado do Brasil

Atualmente, ao ver a dimensão que a festa alcançou, o irmão do idealizador diz que sente saudade dos primeiros anos, mas também orgulho de saber que a ideia criada pelo irmão permaneceu.

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Hoje, quando eu vejo a Marejada e lembro de tudo que vivemos, bate uma saudade muito grande. Mas também sinto orgulho. Porque a festa permaneceu, virou uma marca de Itajaí e continua contando um pouco da história que o Felipe ajudou a construir.

Mais de três décadas depois da primeira edição, a Marejada é reconhecida como a maior festa do pescado do Brasil e segue como uma das principais festas no calendário de eventos de Itajaí.