João Doria oficializa saída do governo de SP e confirma pré-candidatura à Presidência

Anúncio foi feito em evento que contou com a presença do presidente do PSDB, Bruno Araújo

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Governador de São Paulo, João Doria (Foto: Governo de São Paulo / Divulgação)

Em evento, o governador de São Paulo, João Doria, anunciou a renúncia do cargo e confirmou sua candidatura à Presidência da República. A decisão vem horas depois de ele ter informado que desistiria de disputar as eleições. 

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— Daqui pra frente nosso trabalho continua em São Paulo pelas mãos de Rodrigo Garcia [atual vice], que a partir do próximo dia 2 será governador do Estado de São Paulo — disse, acrescentando:

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— Quero estar ao lado de vocês a partir do dia 2 para mostrar que é possível uma alternativa. Alternativa de paz, de humildade e integração de todo o Brasil. E fazer isso longe do populismo e absolutamente condenando a corrupção e o mau-trato do dinheiro público.

Para tentar dissipar o mal-estar que foi vendido por todo o entorno dos tucanos, real ou não, o evento teve ares de lançamento de candidatura, com bateria de escola de samba e um longo vídeo enaltecendo a imagem de “pai da vacina” CoronaVac de Doria, entre outros pontos de seu governo.

— Chego com a satisfação de ter cumprido os compromissos que assumi com o povo de São Paulo, sem ter sucumbido à vaidade do poder — disse, chorando ao citar a mãe o pai, que foi deputado cassado pela ditadura celebrada por Bolsonaro neste dia 31, aniversário do golpe de 1964. Criticou o atual governo e os do PT.

— Acreditar na ciência é apostar na vida e acreditar no futuro. São Paulo cresceu cinco vezes mais que o Brasil nesses três anos, mesmo com a pandemia — disse, em referência à sua aposta na vacina contra a Covid-19 e no desempenho econômico do estado.

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Doria fez deferências a aliados e a outros não tanto assim, como o presidente do PSDB, Bruno Araújo, com quem tem uma relação de desconfiança.

Outros compromissos de inaugurações no seu último dia no cargo acabaram cancelados diante do imbróglio.

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Ele havia comunicado Rodrigo na quarta-feira (30) sobre sua decisão de se manter no governo, abrindo uma crise no PSDB e na base aliada. Desde a noite de quarta, aliados de Doria passaram a atuar para que ele mantivesse o combinado. Embora o tucano tivesse dito ao vice que não disputaria a reeleição, Rodrigo ameaçou se filiar à União Brasil e até a não mais concorrer, o que agravou a situação.

Irritado, o vice não foi a um jantar em homenagem a Doria na casa do empresário Marco Arbaitman. Com a confusão instalada, após uma manhã de negociações e telefonemas em termos impublicáveis, foi costurado um consenso.

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Bruno Araújo então divulgou uma carta na qual reafirmava que Doria seria o candidato, respeitando o resultado das prévias do ano ano passado, na qual derrotou o então governador Eduardo Leite (RS).

Leite renunciou ao governo do Rio Grande do Sul, anunciou que permanece no PSDB e disse que se vê em condições de ser candidato ao Planalto, numa tentativa de virar a mesa das prévias.

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A carta não foi bem o que queria o paulista, que buscava uma manifestação conjunta com o MDB e o União Brasil, de preferência já endossada pelo ex-ministro Sergio Moro, que já estava de saída da corrida presidencial e mudou para o partido nesta quinta.

Para fins cosméticos, já que o racha no PSDB não irá se alterar, o texto de Araújo serviu de base para a manutenção dos planos iniciais.

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Doria já havia sinalizado a aliados que sua decisão podia não ser final. À Folha de S.Paulo, falou que era “especulação”. Sua frustração com o PSDB vem do apoio de alas expressivas do partido, lideradas pelo adversário Aécio Neves (MG) e outros caciques, para tentar ressuscitar Leite na disputa.