Bolsonaro volta ao reduto de SC em meio a acenos a religiosos e polêmica no MEC

Presidente visita Balneário Camboriú neste sábado para participar da Marcha para Jesus

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Bolsonaro participou de conferência do Brics nesta quinta e vem a SC no sábado (Foto: Alan Santos/PR)

O presidente Jair Bolsonaro (PL) visita Santa Catarina pela 13ª vez neste sábado (25). Ele retorna ao Estado para participar da Marcha para Jesus, na Praia Central, em Balneário Camboriú. O evento estava previsto para 2 de julho, mas foi antecipado para permitir a participação do presidente.

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Bolsonaro vem acompanhado da esposa Michele e desembarca no aeroporto de Navegantes para ir de carro até a cerimônia. A marcha partirá da Praça Almirante Tamandaré e irá até a roda-gigante, onde deve ocorrer discursos. O presidente ainda deve participar de um almoço com pastores, políticos e empresários. O retorno a Brasília está previsto ainda para a tarde de sábado.

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A visita de Bolsonaro é considerada estratégica por ao menos dois fatores. Primeiro, porque é mais um aceno ao eleitorado evangélico, público que lhe rendeu ampla votação em 2018 e que o presidente tenta manter na eleição de outubro deste ano. Em um mês, esta é a terceira Marcha para Jesus que Bolsonaro participa. Os outros eventos ocorreram em Manaus (AM), em 28 de maio, e Curitiba (PR), no dia 21 do mesmo mês.

Em 2019, Bolsonaro já esteve em outro evento religioso na cidade de Camboriú, vizinha ao destino da viagem deste sábado. Ele participou do Congresso de Gideões, na primeira visita a SC como presidente da República. Na ocasião, também reforçou bandeiras utilizadas na campanha em comum com o público evangélico.

Nesta quinta-feira, ao comentar o caso da menina de 11 anos impedida de abortar após ser estuprada, Bolsonaro disse que quem apoia a interrupção da gravidez da criança “quer ditadura”, em nova afirmação a favor de bandeiras de grupos religiosos. O aborto é permitido pela lei em casos de estupro e não tem limite de semanas para ser feito, apontam especialistas.

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Mas a nova passagem de Bolsonaro por Santa Catarina também busca fortalecer o nome do presidente no Estado, que deu 76% dos votos a ele no segundo turno da disputa presidencial em 2018.

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Proporcionalmente, SC é apenas o 9º colégio eleitoral do país, com 5,2 mil eleitores até 2020, ou 3,5% do total nacional, segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No entanto, manter o bom desempenho no Estado que passou a ser considerado o maior reduto bolsonarista é visto como uma demonstração de força para a pré-candidatura à reeleição do presidente, que ainda tenta subir nas pesquisas.

Fontes próximas ao presidente afirmam que bandeiras defendidas pelo presidente, como o conservadorismo, a defesa das armas e da religião, encontram eco em SC e colocam o Estado nas preferências de agenda de Bolsonaro.

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— É um Estado que tem muito alinhamento [com as ideias do presidente], acho que essa questão também interfere. Trouxemos ele na primeira vez em São Francisco do Sul [onde passou férias em 2020 e 2021], ele gostou, voltou outras duas vezes, e agora aceitou o convite para a marcha — afirma o ex-secretário nacional da Aquicultura e Pesca, Jorge Seif Júnior.

A nova visita de Bolsonaro ocorre após uma semana tensa para o presidente. Uma operação da Polícia Federal prendeu o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro por suspeita de fraude envolvendo pastores no Ministério da Educação. O ex-ministro teve um pedido de soltura emitido nesta quinta-feira pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), mas o assunto já repercutiu no Senado, que tenta abrir uma CPI para apurar detalhes do caso.

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Visitas a SC tiveram formatura, motociata e férias

Essa é a segunda vez que Bolsonaro vem a Santa Catarina em 2022. A primeira passagem pelo Estado neste ano, no entanto, foi rápida. Ele fez apenas uma escala no aeroporto de Chapecó antes de se dirigir a Santa Rosa, no Rio Grande do Sul, onde visitou uma feira agropecuária, em 7 de maio deste ano. Mesmo assim, foi tempo suficiente para o presidente posar para fotos ao lado de lideranças como o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, e o senador e pré-candidato ao governo Jorginho Mello.

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Em março, reportagem do Diário Catarinense mostrou que as visitas de Bolsonaro a SC entre 2019 e 2021 custaram R$ 4,2 milhões. Mais de 70% desse valor foi gasto em agendas de férias e motociatas pelo Estado.

Entre as 12 vindas ao Estado como presidente até agora, houve agendas como evento religioso, formaturas na academia da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e entrega de veículos, em Florianópolis, visitas a unidade de atendimento contra Covid, em Chapecó, além de motociatas e férias em São Francisco do Sul.

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