Projeto quer mudar categoria de proteção do Parque Nacional da Serra do Itajaí

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Para professor, proposta é demagógica e cria falsas expectativas nos donos de terrenos dentro da área de preservação (Foto: ICMBio, Divulgação)

Um projeto de lei apresentado à Câmara dos Deputados na quinta-feira (28) quer mudar a categoria de proteção do Parque Nacional da Serra do Itajaí, na região de Blumenau, para Floresta Nacional. A proposta apresentada pelo deputado Darci de Matos (PSD) parte de um movimento de proprietários de imóveis na região e ocorre na véspera de uma audiência pública para discutir a área de preservação.

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Criado em 2004 pelo governo federal, o Parque Nacional tem quase 57 mil hectares, a maior parte de Mata Atlântica preservada. São morros cobertos de verde que abrangem os municípios de Ascurra, Apiúna, Blumenau, Botuverá, Gaspar, Guabiruba, Indaial, Presidente Nereu e Vidal Ramos. Porém, apesar de oficializar a área de conservação, a União desapropriou menos de 10 terrenos em 18 anos — uma das principais reclamações de quem ainda possui terras na região abrangida.

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Há pelo menos 80 procedimentos administrativos do tipo aguardando desfecho, sem contar outros que estão em discussão na Justiça. O plano de manejo do Parque Serra do Itajaí elencou 344 áreas que deveriam ser desapropriadas. Enquanto isso não ocorre, os donos continuam podendo usar os imóveis, mas com limitações.

O professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e ex-diretor de Florestas do Ministério do Meio Ambiente, João de Deus Medeiros, afirma que o movimento político em curso não resolve o problema. A categoria de Floresta Nacional também exige que o poder público federal seja o dono do território. O projeto de lei tampouco alteraria as regras de uso do solo nas áreas que continuam privadas porque a Lei da Mata Atlântica impede a exploração econômica em regiões com as características de preservação da Serra do Itajaí.

— É uma proposta demagógica, eleitoreira e inconsequente, que cria uma expectativa falsa nas pessoas. Para o deputado ajudar a resolver o problema, seria mais eficiente alocar emendas no orçamento da União para pagar as desapropriações — critica Medeiros.

Audiência pública

A audiência pública desta quarta-feira (29),às 19h, no Clube de Caça e Tiro Garcia Jordão, no bairro Progresso, é organizada pela Comissão de Turismo e Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado Ivan Naatz (PL). Segundo o parlamentar, será debatida também a “fiscalização ditatorial” por parte do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a troca do chefe da área de conservação.

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O atual chefe, Caio Eichenberger, assumiu o cargo há apenas um mês. Ele atuava na Área de Preservação Ambiental (APA) da Baleia Franca, em Imbituba. Além dele, o ICM-Bio dispõe de quatro analistas ambientais para atuar no Parque Nacional da Serra do Itajaí. O servidor concorda que há demora excessiva nas desapropriações, mas diz que existe desinformação sobre as atividades de fiscalização.

As multas que têm sido aplicadas, segundo Eichenberger, são relacionadas a construções irregulares, desmatamento, extração de palmito e caça. Quando há necessidade, a Polícia Militar Ambiental presta apoio durante as operações.

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ICMBio, Ministério Público Federal em Blumenau e entidades de preservação ambiental disseram não ter sido convidados a participar da audiência pública desta noite.

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