Criciúma prepara internação involuntária de dependentes químicos

Compartilhe:

Um dos 120 moradores de rua em Criciúma (Foto: Denis Luciano / NSC Total)

Há poucos meses, uma conversa entre os prefeitos Clésio Salvaro (PSDB, Criciúma) e João Rodrigues (PSD, Chapecó) inspirou ambos a adotar medidas semelhantes em relação aos moradores de rua. Somadas, as duas cidades contam com aproximadamente 300 pessoas nessa situação: 180 em Chapecó, 120 em Criciúma.

Continua após a publicidade

> Receba as principais notícias de Santa Catarina pelo WhatsApp

De posse de amparo legal, os dois estudaram e evoluíram na ideia da internação de moradores de rua que são dependentes químicos. Chapecó colocou em prática faz cerca de dois meses. Em Criciúma, etapas burocráticas estão sendo vencidas.

Continua após a publicidade

– É um assunto que divide opiniões, mas Criciúma vai fazer – anunciou o secretário municipal de Assistência Social, Bruno Ferreira. Ele contou que ouviu críticas de alguns especialistas e envolvidos em estudos psicológicos de moradores de rua mas que mesmo assim a decisão está tomada. 

– Eu lanço um desafio. Aquela pessoa que está na rua há 3 ou 4 anos, em estado degradante, se um familiar sequer disser que não quer a internação dele, a gente recua e abre mão do projeto – garantiu.

> Cachorro “assautante” é flagrado ao levar salame de padaria em Criciúma

Criciúma oferecerá 20 leitos

Conforme Ferreira, a rotina de abordagens nas ruas levou à elaboração da ideia da internação involuntária. – Dói no coração ver na rua gente que a gente conhecia e que hoje perdeu 40 quilos, estão lá em função do crack. O prefeito já deu o aval, estamos elaborando o termo de referência com a Secretaria de Saúde para abrir chamamento e contratar 20 leitos em clínica especializada para as internações – explicou.

Continua após a publicidade

Mas, ao contrário do que vem ocorrendo em Chapecó, o secretário relatou que Criciúma cumprirá outras etapas antes de efetivar as internações dos moradores de rua dependentes químicos. 

– Nós sabemos quem são essas pessoas com problemas de vícios. Elas serão encaminhadas ao Caps que fará um relatório, daí vão para o médico psiquiatra que dará o laudo e, então internaremos a pessoa – detalhou. Mas, mesmo assim, a prefeitura tentará consultar familiares. – Esse trabalho de procurar as famílias já é feito. A internação será a última forma – sublinhou. – Se tiver família, a gente tenta aproximar, criar vínculo. Se não tiver, em último caso é internação involuntária – reforçou.

Continua após a publicidade

> Campanha eleitoral indígena em SC busca conversa e elenca propostas

Prefeitura já tem 15 para internar

A Secretaria de Assistência Social já tem cerca de 15 moradores de rua no radar para encaminhar à internação involuntária. – Essas fichas já estão prontas, esperando a contratação dos leitos para encaminharmos. Entendemos que de 6 a 9 meses serão necessários para recuperar essas pessoas e, então, encaminha-las ao mercado de trabalho e a uma vida digna de novo – projetou Ferreira. 

Continua após a publicidade

O secretário estima que em breve já começarão as internações. – O prefeito liberou a contratação de alguns leitos com dispensa de licitação. Estamos analisando clínicas que se enquadram. Depois, com toda a documentação preparada, lançamos o certame e então contratamos os 20 leitos para ampliar. Mas muito em breve já queremos internar os primeiros moradores de rua – registrou.

> Vaquinhas virtuais para eleições 2022 estão liberadas

Continua após a publicidade

Recuperar e encaminhar ao trabalho

Dos 120 moradores de rua monitorados atualmente em Criciúma, a Secretaria de Assistência Social calcula que 60% são da região carbonífera, 30% de outras cidades catarinenses e 10% de outros estados e estrangeiros. – Os direitos dos nossos cidadãos, dos migrantes e imigrantes são os mesmos. Se tiver problemas com drogas a gente encaminha e, depois de curar, encaminhados para empregos – adiantou.

Bruno Ferreira contou que, recentemente, o município recrutou 12 moradores de rua e os preparou para vagas de trabalho. – Cinco foram contratados de imediato – enalteceu. – E a internação involuntária é que vai agilizar essa ressocialização – completou. – Assim, vamos recuperar vidas e dar um novo ar à cidade – destacou.

Continua após a publicidade

O secretário reconheceu que a prefeitura poderá enfrentar alguns desgastes com a medida. – De fato, é um projeto ousado, muitas pessoas são contra, evocam o direito de ir e vir. Mas quem trabalha todo dia com essa população sabe o sofrimento de mães em casa torcendo que os filhos não morram nas ruas – finalizou.

> Gasolina em SC pode chegar a R$ 7,69, aponta levantamento

Continua após a publicidade

“Tragam o Lula que eu interno”

Em Chapecó, João Rodrigues vem usando as redes sociais para propagandear primeiros resultados da ação. – Quando assumi a prefeitura, Chapecó tinha 180 pessoas morando na rua. Nós os encaminhamos para abrigo, emprego e tratamento – anunciou. – Eu não sou um prefeito de gabinete. Eu participo, eu executo e testemunhei mães pedindo ajuda pois estavam sendo ameaçadas por seus filhos – emendou.

Sempre afiado nos vídeos que posta, o prefeito de Chapecó aproveitou para cutucar o presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de quem é feroz opositor. Rodrigues vem sendo um dos mais ferrenhos defensores da candidatura à reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL). Na sexta-feira (20), o prefeito fez postagem anunciando: – tragam o Lula que eu interno também -. – Se São Paulo tivesse feito o que Chapecó está fazendo agora, lá não teria cracolândia – completou. Assista: 

Continua após a publicidade

Leia também:

> “Ambientalistas chatos” no caminho de nova avenida, diz prefeito de Criciúma

> O que significa o encontro de Moisés com Mourão em SC

Continua após a publicidade

> Cidades da Serra têm alta na economia com neve incomum em maio