Lauro Bacca: Dois exemplos mostram que podemos ter esperança quanto à conscientização ambiental

Em artigo publicado no Santa, naturalista e ambientalista Lauro Bacca fala que, agora, é preciso evoluir no convívio harmonioso entre as espécies

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"Em 40 anos cresceu vertiginosamente a consciência ambiental das pessoas e isso nos enche de esperanças". (Foto: Patrick Rodrigues)

Por Lauro Bacca, naturalista e ambientalista

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Sempre que ouço dizer que não tem mais jeito, de tão ruim que está a proteção ambiental, respondo que concordo, mas, ao mesmo tempo, existem motivos para esperanças. Costumo citar dois exemplos, de tantos que são postados todos os dias na internet.

Cena número 1: uma balsa cheia de veículos interrompe a travessia de um rio amazônico para esperar que um macaco, deslocando-se pelo cabo de aço aéreo que serve de guia para a balsa, atinja a segurança da margem oposta.

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Cena 2: uma cobra sucuri começa a lenta travessia de uma movimentada rodovia duplicada, em Rondônia. Alguém interrompe o trânsito e todos aguardam o lento réptil chegar até a mureta central, galgá-la e descer do outro lado, onde já tem outro alguém segurando o trânsito das pistas opostas, até que o colossal ofídio suma no matagal junto àquela via.

Ao final todos aplaudem felizes e o trânsito flui normalmente.

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Há 43 anos participei de uma viagem de estudos de qualidade das águas percorrendo 2.400 quilômetros entre Cuiabá e Manaus. No ainda trecho de terra entre Cuiabá e Porto Velho uma cotia atravessou a estrada e o motorista joga o veículo na contramão, na tentativa de atropelá-la. Quase causei um acidente de trânsito, pois, no impulso, segurei o volante, impedindo o cruel “cutiocídio”.

Quarenta anos separam esta cena que vivi das duas cenas descritas acima. Fosse há 40 anos, o pobre macaco teria levado um tiro de espingarda de alguém a bordo da balsa só para se divertir vendo o bicho alvejado cair na água, sob a risada insensível de 90% dos demais passageiros. Quarenta anos atrás, o primeiro caminhoneiro que avistasse a sucuri teria passado por cima dela, também, deleitando-se cruelmente com o “sucuricídio” por ele perpetrado.

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Há uma semana, em Guaratuba, “lugar de muitos guarás” na língua indígena, encostadinho de Santa Catarina, muitas pessoas extasiavam-se com a volta, depois de muitas décadas, dessas magníficas aves cobertas de penas de intenso vermelho, quase levadas à extinção de tão perseguidas que foram no passado.

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Desta vez o estraga-prazer das rubro-penosas ficou por conta de alguns sem noção que, por se aproximarem demais do bando com barco a motor, provocaram a revoada forçada de milhares de guarás que avermelharam o céu, num espetáculo que rendeu cenas de encher os olhos e doer o coração pela nada ética obtenção das imagens.

Poucas horas antes de escrever essas linhas vi no Jornal do Almoço na NSC TV Blumenau uma matéria que criticou o comportamento de certas pessoas que não deixaram um elefante-marinho repousar sossegado numa praia do nosso litoral. A imprensa fazendo sua parte!

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Em 40 anos cresceu vertiginosamente a consciência ambiental das pessoas e isso nos enche de esperanças. Estamos aprendendo a respeitar o direito à vida de todas as espécies nativas. Falta agora avançar no aprendizado do bom e harmonioso convívio com elas.

Autoridades, façam sua parte!

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