Coronavírus: “Não vamos fazer o chamado lockdown”, diz prefeito de Criciúma

Líder do Executivo criciumense fala sobre as ações e lições do enfrentamento à Covid-19

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Clésio Salvaro (PSDB), prefeito de Criciúma (Foto: Guilherme Hahn, Especial, BD)

No momento mais crítico vivido por Santa Catarina no combate ao coronavírus, o prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro (PSDB), atendeu à reportagem. Ele falou sobre os trabalhos, o papel da população, os desafios da pandemia.

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Confira:

Como está o combate à doença hoje?

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O vírus foi e ainda é um desafio para toda a sociedade. Revelou o nosso melhor. Criciúma respeitou as regras de isolamento quando foram impostas. Com esse tempo, conseguimos nos preparar e otimizar o sistema de saúde. Planejamos a antecipação da inauguração da nova Unidade Central de Saúde, a abertura de dois Centros de Triagens e reforma de um antigo hospital psiquiátrico, que se transformou em um Centro de Tratamento para a Covid-19. A lamentar, a demora por parte do governo do Estado em elaborar um plano de flexibilização para o retorno às atividades econômicas.

A população de sua cidade está tendo bom comportamento?

A percepção é que a maior parte da população continua consciente e fazendo sua parte. Outra parte foi aos poucos recuperando a autoconfiança, já que nossos números sempre se mostraram positivos. Somando a isso a chegada do frio, e consequentemente de maior incidência das doenças respiratórias, tivemos um aumento no número de casos. Mas rapidamente reagimos, lançamos um novo desafio à população, uma campanha. Por meio dela, informamos ao público nossas ações e pedindo ainda maior disciplina da população.

Qual é o principal desafio neste momento?

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Continuamos atuando em duas pontas: otimizar a estrutura que preparamos para cuidar das pessoas, monitorando e tratando a questão sanitária, e, da mesma forma, entregando soluções para fomentar o giro econômico. Mesmo com o aumento no número de casos e os nossos decretos mais restritivos em vigor novamente, estamos nos esforçando para manter a vida econômica da cidade ativa. Não vamos fazer o chamado “lockdown”. Lá no início fizemos e foi importante para nos preparamos. Agora, estamos apertando o cerco contra quem não tem disciplina. Em contrapartida, colocamos nossos equipamentos com 100% da capacidade de funcionamento.

Qual é o maior ensinamento que a pandemia lhe deu?

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Governar é estar na berlinda constantemente. Cuidar de pessoas, quando você é o centro das decisões, é o maior desafio. A profissão de prefeito, às vezes, é muito solitária. Mesmo que uma equipe técnica e competente te ajude, a decisão final sempre é sua. E isso interfere na vida de muitas pessoas. Acredito que a pandemia tem nos ensinado que o valor da união é fundamental. Que somos uma só raça humana e precisamos querer o bem de todos. Sinto isso das pessoas, e também tenho amadurecido cada vez mais para essa percepção.

O senhor acredita que a nossa sociedade será melhor depois da pandemia?

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Continuo acreditando nisso. Estamos percebendo hoje que segmentos da sociedade estão unidos, mobilizados, lutando juntos por uma causa. Situação que antes era inimaginável. Vejo a bondade sendo exercida com mais intensidade. Acredito também que vamos começar a ter outras formas de conviver, com intensificação de cuidados com a higiene, de se comunicar usando novas tecnologias e ferramentas inovadoras, e mais focados em cuidar da família e das pessoas que amamos. Como gestor, essa nova cultura vai tornar as administrações públicas mais humanizadas, e, espero, a saúde como um todo tenha um ganho em recursos humanos e infraestrutura.

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