O Moisés da campanha não correria risco de impeachment

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Encontro de Jair Bolsonaro e Carlos Moisés na campanha eleitoral de 2018 (Foto: divulgação)

Os comentaristas esportivos costumam dizer que o “se” não entra em campo e, portanto, o “ se”,  não joga. Fazem isso para ponderar na  explicação de  que o time poderia ter vencido caso  tal jogador tivesse sido escalado para determinada partida.

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Agora, vamos para a política, num exercício de imaginação.

Carlos Moisés da Silva se elegeu como o candidato de Jair Bolsonaro em Santa Catarina. Logo que assumiu, inflado pelos 71% dos votos que recebeu no 2º turno, tentou carreira solo, buscando suas próprias convicções, e, aos poucos, foi se afastando do Planalto.

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Recebeu MST para tratar de agricultura familiar, tentou aumentar imposto para defensivos agrícolas com maior toxicidade e fez críticas duras ao presidente da República. Se disse “estarrecido”  quando Bolsonaro pediu, logo no início da pandemia, em março, “ a volta à normalidade” e criticou o “confinamento em massa”.

Esta coluna de hoje não tem  o propósito de analisar se os atos do governo estadual e os caminhos escolhidos por Carlos Moisés foram corretos, técnicos, fruto do bom senso, do equilíbrio e do respeito à ciência. Não é isso que se discute, especificamente, neste texto. São as  suas implicações e consequências políticas.

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A questão é que Moisés se elegeu por ser o representante de Bolsonaro em Santa Catarina, na chamada onda 17. O afastamento  do chefe do Poder Executivo Estadual do ocupante do Planalto o enfraqueceu politicamente. Caso estivesse, ainda, com Bolsonaro, o clima para impeachment dificilmente existiria. Haveria defesa ostensiva na Alesc e, como escreve o colega Upiara Boschi, teria  “torcida”, ainda mais num estado conservador e que consagrou Bolsonaro nas urnas onde este foi o mais votado em 90%  dos municípios catarinenses. De 295, Bolsonaro venceu em 266 cidades.

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Há de fato um estelionato eleitoral ?

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Depende do ponto de vista. Para o eleitor Bolsonarista raiz, certamente sim. Se afastar de Bolsonaro enfraqueceu Moisés e permitiu o desgaste do processo de impeachment.