Plano Diretor de Florianópolis tem texto final aprovado após Justiça rever suspensão

Decisão da terça havia barrado a tramitação por identificar falta de análises de impacto

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Vereadores já votaram texto em segundo turno, mas resta aprovar redação final (Foto: CMF/Divulgação)

A revisão do Plano Diretor de Florianópolis teve sua redação final aprovada pelo Plenário da Câmara Municipal em sessão extraordinária nesta quinta-feira (4), iniciada horas depois de a Justiça ter derrubado uma liminar que havia suspenso a tramitação. O novo regramento poderá agora ir para a sanção do prefeito Topázio Neto (PSD) e, assim, passar a valer.

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A Câmara previa tratar da redação final na terça (2), quando, no entanto, a Justiça acolheu um pedido do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) para barrar o processo, por entender que seria necessária a apresentação de análises de impacto do novo Plano Diretor pela prefeitura de Florianópolis, o que estava definido em acordo judicial entre as partes de maio do ano passado.

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Já dois dias depois, em novo despacho, da 3ª Vara da Fazenda Pública da Comarca da Capital, a Justiça acatou argumento da gestão Topázio de que a suspensão do andamento do Plano Diretor é capaz de causar grave lesão à ordem e à economia públicas, afirmando ainda que a revisão é analisada criteriosamente pela Câmara e já contou com ampla participação da população, de entidades representativas, de membros do Conselho da Cidade e de servidores municipais.

“[A suspensão] possui a potencialidade de causar grave lesão à ordem pública ao comprometer a implementação de instrumento vital à política de desenvolvimento e expansão urbana do município e prejudicar, sobremaneira, o processo de planejamento do ente público ora requerente”, escreveu o desembargador Altamiro de Oliveira, sem tratar das análises de impacto solicitadas pelo MPSC.

A Câmara já havia aprovado o Plano Diretor em segunda votação no último dia 24 de abril, por 19 votos favoráveis contra quatro contrários. Naquela ocasião, ficou definido que faltaria a redação final ser aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Legislativo e pelo Plenário, antes de voltar para a gestão Topázio, autora do projeto.

Agora no Plenário, não foi necessária votação sobre a redação final, uma vez que não houve emenda no texto do Projeto de Lei Complementar (PLC) 1911/2022, como é formalmente tratada a revisão do Plano.

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Discussão antes de aprovação da redação final

A sessão teve discussão acalorada de parlamentares antes da aprovação final. O vereador Afrânio Boppré (PSOL), da oposição, contestou que a discussão foi colocada em pauta antes mesmo da nova decisão judicial ser publicada e que não caberia ao vice-presidente da Câmara, o vereador Claudinei Marques (Republicanos), convocar a sessão extraordinária, em cumprimento ao regimento da Casa.

— A decisão judicial não foi feita pela desembargadora designada. A prefeitura entrou por cima e quem liberou, e, inclusive, desautorizou quem estava designado, foi o vice-presidente do Tribunal de Justiça. Evidentemente que esse assunto não termina hoje aqui. Mais cedo ou mais tarde, vai ser consagrada a votação, mas o assunto é muito grave, e nós vamos abrir todo um debate de judicialização, dada a insegurança jurídica que o próprio parecer não deu conta de resolver — citando, como exemplo, artigo do Plano Diretor que feriria a lei orgânica municipal.

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Parlamentares favoráveis à proposta de revisão da prefeitura, no entanto, rebateram que opositores seriam contrários ao desenvolvimento da cidade, o que seria viabilizado pelo novo Plano, e que o vai e vém da proposta no Judiciário fere a autoridade do Legislativo. Alguns fizeram piada sobre as derrotas na Justiça, dizendo que os críticos poderiam pedir música no programa “Fantástico”.

— Parem de brincar, já falaram que vão judicializar o Plano. Já judicializaram e não ganharam uma, perderam todas. Está aí, população de Florianópolis, olha bem, olha quem é contra o desenvolvimento da cidade — disse o vereador Roberto Katumi (PSD), presidente da CCJ, criticando também o promotor de Justiça que havia pedido a suspensão da tramitação.

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— Se alguém discordou da situação, que vá às urnas e vote em representantes que defendam uma visão diferente. O que nós temos aqui no Plano Diretor é uma concepção nítida entre dois modelos de cidade: um que quer se desenvolver, gerar divisas para poder fazer investimentos; e um modelo de cidade que não quer se desenvolver e acha que o dinheiro vai sair, como diz um amigo meu, da “bundinha” — afirmou o vereador Maikon Costa (PL).

O que é o Plano Diretor

O Plano Diretor é o documento municipal que define instruções e objetivos para a expansão urbana e o desenvolvimento da cidade. A Lei Complementar nº482/2014 estabelece as regras hoje em vigor para isso, que serão substituídas pelo texto da gestão Topázio quando ele for sancionado.

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O Estatuto da Cidade, como também é chamado um conjunto de regras federais da Lei nº 10.257/2001, estabelece a revisão do plano a cada dez anos. O texto hoje em vigor é de 2014, mas a gestão Topázio entende que ele já não responde aos problemas de ocupação e expansão de Florianópolis.

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