Desembargador investigado por trabalho escravo em SC diz que irá reconhecer mulher como filha

Jorge Luiz de Borba foi alvo de uma ação do PF por suspeita de manter uma mulher surda e muda em trabalho análogo à escravidão

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(Foto: Reprodução/TJ-SC/YouTube)

O desembargador catarinense Jorge Luiz de Borba, investigado por supostamente manter uma mulher em condição de escravidão, informou que irá reconhecer ela como filha. Em nota divulgada neste domingo (11) e assinada por ele, a mulher e os filhos, o magistrado diz que foi surpreendido com a denúncia, que resultou no cumprimento de um mandado de busca e apreensão na terça-feira (6) pela Polícia Federal (PF), em apoio ao Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Trabalho (MPT), na casa dele em Florianópolis.

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No texto, ele diz que a pessoa convive há anos com a família e jamais teriam praticado ou “tolerariam que fosse praticada tal conduta deletéria, ainda mais contra quem sempre trataram como membro da família”. Por conta disso, Borba alega que ele e a esposa vão entrar com um pedido judicial para reconhecer a filiação afetiva da mulher, “garantindo-lhe, inclusive, todos os direitos hereditários”.

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Desembargador chora em sessão do TJ-SC: “A maldade foi feita”

O magistrado ainda diz na nota que acatará toda as sugestões do poder público para beneficiar o desenvolvimento da mulher. Além disso, ele explica que irá colaborar com as investigações em todas instâncias “para que não remanesçam dúvidas sobre a situação de fato existente” em relação a mulher “seja para que as investigações avancem com brevidade a fim de permitir a retomada da convivência familiar”.

A ação ocorreu na manhã de terça-feira e contou com o apoio de agentes do Ministério do Trabalho e também da PF, além do próprio MPF. Ela ocorreu após investigações feitas pela promotoria e que teriam reforçado indícios da prática criminosa “que foi relatada ao órgão e confirmadas por testemunhas ouvidas no decorrer da fase inicial da apuração”. Entre as suspeitas estão a de “trabalho forçado, jornadas exaustivas e condições degradantes”, segundo a nota divulgada pelo órgão.

A investigação indica que o desembargador e a esposa manteriam em casa, há pelo menos 20 anos, uma pessoa surda e muda, que faz as tarefas domésticas, mas não teria registro em carteira de trabalho e não receberia salário ou qualquer vantagem trabalhista.

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A mulher, de acordo com o MPF, também seria vítima de maus-tratos por conta das condições materiais em que vive e “em virtude da negativa dos investigados em prestar-lhe assistência à saúde”. Na nota, o MPF afirma ainda que a mulher nunca teve instrução formal e não possui convívio social.

O magistrado, no entanto, nega as acusações. Durante sessão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) na quarta-feira (7), bastante emocionado, falou pela primeira vez sobre o caso:

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— Continuo de cabeça erguida, vou em frente. A maldade foi feita, tudo bem. Não choro por mim, choro pela minha família, meus filhos, meus netos.

Além disso, o magistrado emendou: “Vocês podem ficar certos que não fiz nada de errado”. Ao final, falou em “maldade pura, vindita pessoal”.

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Ainda durante a sessão, o presidente do TJ-SC, João Henrique Blasi, defendeu o colega. Blasi entrou no mérito da operação do MPF ao dizer que a mulher é uma “moça acolhida desde os 11 anos, convivendo familiarmente, como mais um filho da família”. O presidente do TJ-SC afirmou que “temos a absoluta certeza de que a verdade haverá de prevalecer e a Justiça será feita”.

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