Por que o atacarejo está na moda em SC? Anfitrião da Exposuper explica

Em entrevista, Alexandre Simioni fala do formato que ganha cada vez mais terreno

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Alexandre Simioni, presidente da Associação Catarinense de Supermercados (Foto: José Somensi)

Eles vêm brotando aos montes nos últimos tempos. O crescimento do setor supermercadista em Santa Catarina tem passado principalmente pelos atacarejos, modelo de negócio que combina redução de custos operacionais, para as empresas, e preços mais baixos ao consumidor – uma conta que, em princípio, é boa para todo mundo.

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Redes catarinenses como Fort Atacadista e Komprão, do Grupo Koch, despontam como algumas das líderes nesse segmento. Outras marcas tradicionais, como Angeloni e Cooper, começaram a apostar agora neste modelo. Brasil Atacadista, Preceiro e Celeiro são bandeiras que igualmente buscam abocanhar uma fatia deste bolo.

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A exemplo da economia catarinense, essa nicho é pulverizado regionalmente e deixa pouca margem de atuação para grupos de fora do Estado, avalia Alexandre Simioni, presidente da Associação Catarinense de Supermercados (Acats). O dirigente conversou com a coluna sobre o assunto às vésperas da abertura da Exposuper 2023.

Como o setor supermercadista tem enxergado o mercado neste momento?

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Santa Catarina, dá para dizer, é diferente do restante do país. A nossa economia é bastante pujante e temos praticamente pleno emprego, uma taxa muito baixa (de desocupação). Isso se reflete no setor, que é dinâmico e competitivo. As redes regionais dominam o Estado. Os grandes players até estão presentes, mas timidamente. Então as regionais têm um papel fundamental na distribuição de renda e na disseminação do segmento. Você vê redes por todo o Estado crescendo, abrindo lojas e prestando o melhor serviço aos consumidores catarinenses.

Há uma expansão muito forte nos últimos meses do atacarejo. Por que esse formato está na moda?

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Isso já vem dos últimos anos, os atacados cresceram muito. No Litoral, principalmente em Santa Catarina, o modelo de negócio está bem consolidado. É um formato que leva mais economia para o consumidor. É uma operação mais enxuta e simples, e isso é transferido para o preço do produto. A situação econômica, com o consumidor perdendo poder de compra nos últimos anos, faz com que se busque uma opção mais barata para se suprir as necessidades de compra. O atacarejo está crescendo, mas também está crescendo o varejo especializado, que se posiciona para atender o nicho de clientes de lojas de vizinhança. Acreditamos que o varejo, nos próximos anos, vai voltar a crescer também, até porque já se chegou num momento de saturação de atacado.

Existe algum risco de bolha?

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Bolha não, porque o setor é muito ágil. Ele vai se alterando e se modificando, conforme o momento. O atacado raiz, quando começou, vendia só para CNPJ. Depois ele foi mudando, começou a vender só em grandes quantidades. Aí foi abrindo para o consumidor final. Hoje, 95% das vendas dos atacados são para o consumidor final, e não mais para o transformador, que é a pessoa jurídica. Alguns serviços, como açougue e padaria, vários atacados já têm. Ele foi se adaptando à necessidade do consumidor e esse é o grande desafio de toda a rede.

Neste formato, o que muda para as redes na negociação com os fornecedores para se chegar a essa redução de custos?

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Normalmente quem está no atacado já tem um poder de compra grande e consegue negociar melhor com as indústrias. Existem também algumas embalagens e produtos que a indústria só disponibiliza para o canal atacarejo. São embalagens maiores que na conversão de preço por quilo, por unidade ou litro, tornam-se mais econômicas para o consumidor. A indústria tem, sim, algumas negociações diferenciadas, mas isso vem diminuindo nos últimos tempos. A diferença já foi maior e hoje a indústria está equalizando. O que vai diferenciar mesmo é a eficiência de cada um na operação, com custos mais baixos. Isso é o que o atacado deve priorizar para se manter competitivo.

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