Relatório de órgão federal cita comida crua, sarna e tortura no Case de Joinville

Centro de Atendimento Socioeducativo (Case) tem 50 adolescentes, de 15 a 20 anos, com a maioria negra e parda

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Documento expõe diversos problemas no Case (Foto: MNCPT/Reprodução)

O relatório do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT), órgão vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, apontou uma série de irregularidades no Centro de Atendimento Socioeducativo (Case) de Joinville. Entre os problemas estão ambientes sujos, paredes quebradas, doenças, cabelos raspados sem consentimento e tortura com violência física.

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A inspeção, feita em abril deste ano, foi divulgada nesta sexta-feira (6). De acordo com o MNPCT, o Case de Joinville tem diversos problemas na estrutura do espaço, com risco de quedas de paredes e afundamento de pisos, além de estrutura que impede que os jovens sejam ouvidos, inclusive em situações de emergências. O órgão ainda cita presença de mofo e falta de iluminação e ventilação. 

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Problemas com mosquitos e insetos também são relatados no relatório, que aponta ainda que os adolescentes correm riscos de contrair diversas doenças, como dengue, Chikungunya e Zika, alergias de pele e sarna. 

As refeições também estariam com problemas. As reclamações dos internos envolvem comida sem tempero, linguiça crua, carne com nervos, pouca proteína, café com excesso de água e almoço sem suco. Nas denúncias, os adolescentes afirmam que as refeições não são feitas em refeitórios, mas no interior dos alojamentos. 

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Atualmente, o local tem 50 adolescentes, todos homens, de 15 a 20 anos, sendo que 25 se declaram pardos, 20 são brancos e cinco negros. A capacidade de lotação no Case é de 53 pessoas. 

Violência e tortura contra os adolescentes 

Conforme apontamentos do MNPCT, os adolescentes que cumprem pena no Case de Joinville são vítimas de diferentes formas de violência, incluindo tortura física. 

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Uma das denúncias afirma que o Grupo de Operações com Cães (GOC), que faz revistas estruturais para apreender materiais não permitidos e impedir rebeliões e motins, costuma agredir os internos, pisam em suas cabeças, algemam os pés com as mãos e desligam as câmeras nos módulos onde acontecem as revistas. 

Os adolescentes ainda relatam que os agentes costumam colocá-los, como forma de castigo, em isolamento que pode durar até 30 dias. Eles ficariam nos alojamentos, em muitos casos, sem materiais básicos de higiene e limpeza. Outros relatos apontam tapas no rosto, pancadas nas costas e cabeça [região estratégica para não deixar marcas] e uso de cães para amedrontá-los. 

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Já o Grupo Tático (GOC), que realiza intervenções na unidade, é acusado de utilizar cães, escudos, uso excessivo de spray de pimenta e arma de choque. Conforme o MNPCT, em um dos casos, um interno já ficou com nariz sangrando e outros quatro foram transferidos após apanhar do grupo de policiais. 

Problemas para quem trabalha no Case

Os profissionais que trabalham na unidade relataram situação precária de trabalho para o órgão do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Eles afirmam ter problemas estruturais nos prédios, como ausência de refletores, gerador de energia operando em meia fase, portas sem fechaduras, cadeiras quebradas, presença de mofo, rachaduras, risco de incêndio e alagamento.

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Os funcionários ainda ressaltam ter dificuldade de transitar pelo local, insuficiência de pessoal, excesso de trabalho, desmotivação, falta de apoio da administração, problema de transporte, falta de sinal telefônico e de internet. 

Outro ponto destacado pelas equipes foi o término do contrato de diversos funcionários admitidos em caráter temporário (ACTs) e a impossibilidade de dar continuidade aos trabalhos por falta de equipe. 

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Por fim, o MNPCT diz existir um “abismo entre o cenário encontrado e as medidas de socioeducação”. Para o mecanismo, é necessária uma reforma integral em todas as partes do Case para promover a garantia dos direitos fundamentais e da dignidade humana aos apenados. 

O que diz o governo estadual

À reportagem, a Secretaria de Estado da Administração Prisional e Socioeducativa catarinense (SAP), sob gestão Jorginho Mello (PL), diz que o documento oficial foi recebido pela pasta na noite da quinta-feira (5), e que, neste momento, está em análise minuciosa. 

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A nota, porém, afirma que “em exame preliminar, verificou-se que uma monta considerável das questões relatadas já se encontram sanadas” e que “nos próximos dias, após o completo levantamento e análise das informações pertinentes ao assunto, a SAP emitirá um novo pronunciamento”. 

O objetivo da nova manifestação, conforme o governo estadual, é de informar todas as medidas tomadas até o momento e quais outras ações que serão adotadas para assegurar os direitos das pessoas que estão sob a responsabilidade do Estado.

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