SC busca entrar na rota dos shows internacionais após Paul McCartney, diz produtor

Ex-vice-presidente do Rock in Rio, Paulo Fellin vive há 30 anos na capital catarinense e quer deixar "legado" na cidade que o acolheu

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Queremos botar Florianópolis na rota dos grandes espetáculos, diz produtor do show de Paul McCartney na Capital

Show de Paul McCartney será no próximo sábado (19), no estádio da Ressacada (Foto: Beatriz Momm, Divulgação)

Responsável pela vinda de Paul McCartney a Florianópolis, o produtor Paulo Fellin tem a intenção de colocar a capital catarinense na rota dos shows internacionais no Brasil. Experiência não falta: ex-vice-presidente do Rock in Rio, ele foi responsável pela contratação artística do festival durante 18 anos, inclusive nas edições de Madri, Lisboa e Las Vegas.

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Recentemente, Fellin liderou a organização do show de Madonna em Copacabana. Em entrevista ao NSC Total, o paulista falou mais sobre o “legado” que quer deixar na cidade que o acolheu há 30 anos.

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Faltam poucos dias para o show. Como está a expectativa e o andamento das montagens?

Estamos finalizando as montagens das áreas externas ao estádio, como escritórios de produção e parte do camarim do artista. Também estamos realizando algumas obras no gramado para acomodar melhor a entrada e saída do público, de acordo com a legislação e solicitações do Corpo de Bombeiros.

A partir deste sábado [12 de outubro], começamos a montagem interna no gramado, palco, bares, banheiros… Estamos dentro do cronograma e esperamos entregar tudo no prazo. Os equipamentos internacionais vêm de São Paulo, após o show de lá, acomodados em 20 carretas. Chegam no dia 17 [de outubro]. Até dia 19, montamos telões, equipamentos de palco, enfim… tudo que faz um show funcionar.

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Você já mencionou em outras ocasiões sobre a intenção de colocar Floripa na rota dos grandes shows. Qual a situação atual do mercado de shows na cidade?

Shows nacionais nós temos bastante. Temos casas que comportam 14, 15 mil pessoas, que é o tamanho da demanda que temos aqui. Mas shows internacionais, não temos muito, principalmente em estádio. O último foi em 2012, do próprio Paul McCartney.

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A minha ideia, dentro do mundo que eu vivi por 40 anos, é de começar a trazer para Florianópolis a possibilidade de mais shows internacionais. Há falta de artistas que parem aqui.

Geralmente, os artistas vêm a Curitiba, depois vão a Porto Alegre. A gente costuma dizer que os shows passam por cima da gente. Isso faz com que o mercado local não tenha o hábito de realizar eventos desse porte. Então quando você vai realizar um evento deste tamanho, você tem que trazer uma nova realidade que um show internacional demanda.

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A ideia, com esse projeto, é que depois tenhamos um estudo já realizado, em que a gente consiga fazer com que Florianópolis possa ter uma prática e que tenha potencial de viabilizar esses grandes concertos. E aí eu falo não só da parte de estrutura, do estádio e de serviços prestados durante o show, mas também no hábito do povo de comprar esses ingressos. Eu sinto que há uma demanda reprimida no Estado. Quando há shows em São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, as pessoas se deslocam até lá.

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Outra questão também é com o poder público, de criar uma rotina e um histórico de apoiar esse projeto, porque projetos como esse trazem um impacto econômico na cidade e no Estado, e também uma exposição internacional. Quando você tem um artista como Paul McCartney se apresentando aqui, automaticamente a imagem de Florianópolis e de Santa Catarina vai ser divulgada para o mundo todo.

Você acha que Floripa está ganhando espaço em relação a Porto Alegre e Curitiba? Qual o potencial da Capital?

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Acho que tem espaço para todos. Florianópolis é uma cidade que cresceu muito nos últimos 30 anos. Eu sou paulista, mas moro aqui há 30 anos. É uma cidade cada vez mais procurada por pessoas que moram em grandes centros, como São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Agora, temos também a facilidade de ter voos internacionais diretos, temos o melhor aeroporto do Brasil… tudo isso ajuda a gente a fazer esses movimentos, não só no segmento de entretenimento, mas em tudo.

Eu estava recentemente em uma reunião com o secretário de Segurança Pública do Estado [Flávio Rogério Pereira Graff], e Santa Catarina tem índices de criminalidade muito baixos. O Estado é muito seguro, a Capital é muito segura. Nós temos que divulgar essas qualidades. E nada como divulgar através da cultura, e colocar Florianópolis e Santa Catarina na rota dos grandes espetáculos.

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Você já falou um pouco sobre o apoio do poder público a um projeto como esse. E a iniciativa privada, como poderia colaborar?

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Principalmente em patrocínio. É uma área que a gente ainda tá engatinhando, infelizmente. A gente, quando faz shows assim, tem que trazer ao menos uma marca nacional grande — no nosso caso, estamos trazendo a Ambev, que é uma parte importante do plano de negócio. Localmente, eu consegui, junto ao Angeloni, uma cota importante de patrocínio, que entendeu que é uma possibilidade de investimento que acaba retornando à empresa. Acho que falta um pouco essa cultura, principalmente nas grandes empresas locais.

Como Floripa pode se beneficiar do turismo com a realização de shows internacionais? Você acha que as pessoas viriam assistir ao show também pra conhecer a cidade?

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Com certeza! A gente tem 40% dos ingressos sendo vendidos para fora de Santa Catarina. Essas pessoas vêm para cá e vão consumir em hotéis, táxis, restaurantes, shoppings… Você tem um impacto econômico direto. Fora empregos e contratos que você gera. É um turismo além do verão. Um objetivo nosso é que, trazendo mais shows, a gente crie outros verões.

Você diria que o show do Paul seria um teste para trazer mais artistas internacionais?

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Eu não diria que é um teste, porque na verdade a gente teve a oportunidade de trazer ele (Paul McCartney) para cá e corremos atrás. Estamos colocando em prática o que eu estava imaginando para Florianópolis. Eu estou muito animado com isso. Por isso que eu digo que, se eu puder seguir com shows internacionais e esse for um legado que eu deixo para a cidade, eu ficaria muito feliz.

Já tem algum artista em mente para o ano que vem?

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Existem alguns artistas sendo falados, mas por enquanto ainda é muita especulação. Estou atento ao mercado, procurando parcerias. Meu desejo é trazer dois shows internacionais, um no primeiro e outro no segundo semestre.

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