Anac diz que Voepass fez 2,6 mil voos com aviões sem manutenção adequada após tragédia em SP

Acidente com aeronave da companhia matou 62 pessoas em Vinhedo, São Paulo, em agosto do ano passado

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Reunião nesta terça-feira (24) cassou o Certificado de Operador Aéreo (COA) da empresa e expôs detalhes (Foto: Voepass, Reprodução Redes Sociais)

Após a tragédia com o avião da Voepass que matou 62 pessoas em Vinhedo, São Paulo, em agosto de 2024, a empresa aérea operou 2,6 mil voos com aviões sem manutenção adequada. A informação foi divulgada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), em reunião que cassou em definitivo o Certificado de Operador Aéreo (COA) da Voepass nesta terça-feira (24). Com informações do g1.

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Com a decisão da Anac desta terça, a companhia aérea fica impedida de realizar o transporte aéreo de passageiros, ou seja, de operar voos. Não há como recorrer contra a decisão.

A cassação da operação já havia sido determinada em primeira instância, mas a empresa recorreu.

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Na última reunião, o advogado da Voepass, Gustavo de Albuquerque, defendeu que a cassação do COA pode significar uma “pena perpétua” à empresa.

Acompanhamento da Anac detectou descumprimentos

O acompanhamento da Anac nas operações da empresa teve início com o acidente aéreo, após a suspensão das operações da empresa, em 11 de março de 2025, por falta de segurança. Segundo o relator do processo na Anac, o diretor Luiz Ricardo Nascimento, foi identificado que a empresa descumpria frequentemente os procedimentos operacionais de voos.

Entre as ações de acompanhamento, estava a instauração de um processo para apurar 20 inspeções em tarefas de manutenção em itens de inspeção obrigatórias em sete aeronaves que a empresa deixou de realizar entre 15 de agosto de 2024 e 11 de março de 2025, o que representou um total de 2.687 voos.

De acordo com Nascimento, os voos foram realizados “com aviões em condições consideradas não aeronavegáveis”, e a área técnica constatou uma degradação nos processos organizacionais da empresa, entre eles a perda de controle dessas inspeções.

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— Tal comportamento, de continuidade de conduta infracional, não era de forma alguma esperado para um operador regular após a ocorrência de grave acidente com uma de suas aeronaves, pois a tal fato espera-se suceder o aumento do nível de alerta de empresa como um todo, uma maior diligência na execução dos procedimentos de manutenção, e um reforço em seu sistema que visava a proteção aos voos — destacou ele em seu voto.

Em nota, o Ministério dos Portos e Aeroportos disse entender que “a medida mostra o compromisso da agência pela preservação do serviço aéreo no país, garantindo segurança da operação ao usuário”.

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A companhia aérea atendia 16 destinos em voos comerciais. Na sede da Voepass, em Ribeirão Preto, a companhia operava com 146 voos mensais no Aeroporto Dr. Leite Lopes, com uma média de 15 mil passageiros, conforme a Rede Voa, responsável pelo terminal.

Relembre o acidente do voo COO 2283

*Sob supervisão de Giovanna Pacheco

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