Brasil tem crescimento de ataques violentos em escolas em 3 anos

Impactos da pandemia, acesso a conteúdos violentos e acesso a armas de fogos estão entre os fatores que podem explicar aumento

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ataques escolas

Ataques violentos tiveram maior número de registros em 2023 (Foto: Banco de imagens)

Um levantamento mostrou que 42 ataques de violência extrema em escolas do Brasil foram registrados entre janeiro de 2001 a dezembro de 2024. A maior parte aconteceu entre 2022 e 2024, como apontou o relatório D³e – Dados para um Debate Democrático na Educação. Na terça-feira (8), mais um caso foi registrado, dessa vez em Estação, no Rio Grande do Sul.

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Um adolescente de 16 anos matou uma criança de 9 anos, além de ter deixado duas meninas, de 8 anos, e uma professora, de 34, feridas. A Justiça determinou a internação provisória do adolescente nesta quarta (9). O caso tramita sob segredo de Justiça.  

27 casos em três anos

Os dados do levantamento mostram que nos últimos três anos foram registrados 27 episódios de ataques em escolas, o que representa 64,2% do total de casos desde 2001. O ano de 2023 se destaca com o maior número de ataques, 12 ao todo.

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  • 2022: 10 ataques
  • 2023: 12 ataques
  • 2024: 5 ataques

Entre os casos de violência extrema registrados no últimos três anos, está o ataque à Creche Bom Pastor, em Blumenau, em 2023. No dia 5 de abril daquele ano, quatro crianças morreram em um ataque violento.

Um pouco antes do registro de crescimento nos ataques violentos, de 2022 a 2024, outro caso marcou Santa Catarina. Em 4 de maio de 2021, três crianças e duas professoras foram mortas em uma creche em Saudades, no Oeste do Estado.

O levantamento feito com apoio da B3 Social e da Fundação José Luiz Setúbal, já havia sido divulgado no ano passado, mas foi atualizado em maio deste ano e passou a trazer dados também de 2024, ano que teve uma redução da violência nas escolas.

— Vimos muitos episódios que foram desbaratados. A área da segurança ‘aprendeu a lidar com os ataques’, ou seja, está atuando no sentido de identificar e de agir antes que eles aconteçam — afirma Telma Vinha, pesquisadora do Instituto de Estudos Avançados da Unicamp.

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— Porém, ainda falta muito para impedirmos o envolvimento de crianças e jovens com o extremismo e com a radicalização on-line. Falhamos na prevenção das causas e na proteção — complementa.

As autoras da pesquisa, Telma Vinha e Cléo Garcia, destacam que os ataques de violência extrema em escolas se caracterizam por ataques cometidos de forma intencional por estudantes e ex-estudantes; crimes de ódio e/ou movidos por vingança dentro de instituições de ensino; com motivações que costumam estar relacionadas a ressentimentos ou originadas a partir de preconceitos e discriminações (misoginia, racismo, extremismo etc.); e que planejam o uso de algum tipo de arma para matar uma ou mais pessoas.

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Por que ataques aumentaram nos últimos anos?

Entre os fatores listados pelas pesquisadoras que explicam, de forma conjunta, o aumento da violência extrema nas escolas, estão a pandemia da Covid-19 e todas as suas consequências; vulnerabilidade social e emocional; busca por aceitação; exposição a conteúdos violentos; disseminação de informações falsas; falta de regulação das plataformas digitais; construção de masculinidades violentas; vínculos familiares fragilizados; ambiente escolar como espaço de sofrimento; acesso a armas de fogo; entre outros.

Mais de 7 mil casos de violência em SC

A Secretaria de Estado de Educação (SED) atua no combate à violência nas escolas através do Núcleo de Política de Educação, Prevenção, Atenção e Atendimento às Violências na Escola (Nepre). Esse núcleo está presente nas Coordenadorias Regionais de Educação e tem equipes multidisciplinares, com profissionais da área da Educação, da Psicologia e do Serviço Social.

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O Estado registrou 7.719 ocorrências de violência em escolas estaduais ao longo de 2024, segundo dados divulgados pelo Núcleo em abril deste ano.

De acordo com o levantamento, a maioria das ocorrências está relacionada à violência física (16%), seguida de violência verbal (11%) e prática de bullying (3,5%). Os casos tiveram os próprios estudantes como principais vítimas.

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De acordo com a SED, o Nepre atua em diferentes frentes no combate às violências nas escolas estaduais catarinenses. Ações de conscientização e prevenção são realizadas nas unidades, assim como o acolhimento da comunidade escolar em casos de violência.

A secretaria afirma ainda que o combate à violência escolar é realizado também na prática pedagógica em sala de aula. Isso ocorre através do caderno pedagógico “Reflexões para a implementação da Política de Educação, Prevenção, Atenção e Atendimento às Violências na Escola” e de outros materiais.

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Mudanças após casos em SC

Na esfera estadual, os debates após o crime na creche Bom Pastor, em Blumenau, resultaram na lei que cria o comitê Integra, que reúne 27 entidades governamentais, públicas e privadas, em um fórum de discussão permanente sobre a segurança das instituições de ensino.

Depois de uma série de reuniões, audiências públicas e outras atividades ao longo de 2023, o então Comitê de Operações Integradas de Segurança Escolar listou em um relatório, no fim do ano passado, quais ações deveriam ser adotadas em toda Santa Catarina.

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Algumas medidas já saíram do papel. Uma das principais foi a decisão de implantar em Santa Catarina o Ciber Lab, o laboratório cibernético da Polícia Civil. Desde agosto do ano passado, policiais especializados monitoram crimes em ambientes virtuais — incluindo possibilidades de atentados. Nos seis primeiros meses, o serviço identificou 34 ameaças do tipo no Brasil, sendo 10 delas em cidades catarinenses.

*Com informações do g1

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