Vídeo mostra momento do acidente que motivou prisão de dentista morto em cela de SC

Câmera de segurança flagrou batida traseira entre o veículo de Cezar Mauricio Ferreira e um Jeep Compass

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Dentista foi encontrado morto em uma cela em São José (Foto: Reprodução)

Dentista foi encontrado morto em uma cela em São José (Foto: Reprodução)

Um vídeo de uma câmera de segurança mostra o momento do acidente de trânsito que envolve o dentista Cezar Mauricio Ferreira, de 60 anos, que foi encontrado morto na cela após ser preso por embriaguez. Ele morreu por uma arritmia cardíaca, segundo o laudo da Polícia Científica, em uma cela da Central de Plantão Policial de São José, na Grande Florianópolis.

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Nas imagens, registradas às 18h30min do dia 18 de julho, é possível ver um carro que estava estacionado saindo para a via, quando o veículo em que Cezar estava, já na rua Cândido Amaro Damásio, no bairro Barreiros, bate na traseira do automóvel. Depois disso, o dentista foi detido pela Polícia Militar por embriaguez ao volante.

De acordo com relatos dos agentes no boletim de ocorrência que o NSC Total teve acesso, o dentista não conseguiu responder os policiais por “estar aparentemente embriagado”. Ele também não conseguiu fazer o teste de bafômetro, ainda conforme o registro.

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Segundo o advogado Wilson Knöner Campos, que representa a família do dentista, Cezar tinha problemas cardíacos, levava uma vida saudável e não bebia por motivos religiosos. Conforme a defesa, no momento em que bateu o veículo, ele estava saindo de uma padaria onde recém havia feito um lanche.

A Polícia Civil informou nesta quinta-feira (31) que aguardará a conclusão do inquérito, que deve ocorrer até amanhã, para se manifestar.

Veja o vídeo

Veja a nota completa da Polícia Civil

“A Polícia Civil de Santa Catarina informa que está investigando as circunstâncias da morte de um homem, na noite de sábado, 19 de julho, após prisão em flagrante realizada pela Polícia Militar.

A vítima teria se envolvido em um acidente de trânsito e foi conduzida pela Polícia Militar à Central de Plantão Policial de São José em razão de indícios de que estaria dirigindo sob efeito de álcool.

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Ao tomar conhecimento dos fatos, na tarde de ontem, o Delegado-Geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel, que solicitou um relatório de inteligência da Diretoria de Inteligência (DINT/PCSC), enviando as informações para a Delegacia Regional de São José, para que os fatos fossem devidamente apurados, com a máxima urgência“.

Veja a nota da Polícia Militar

A Secretaria de Estado da Segurança Pública, a Polícia Militar e a Polícia Civil lamentam profundamente o falecimento de Cezar Maurício Ferreira e se solidarizam com seus familiares e amigos neste momento de dor.

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Cezar foi abordado por policiais após colidir seu veículo na traseira de outro carro. Durante a abordagem, os agentes identificaram sinais de alteração psicomotora. Ele conversava com os policiais e apresentava indícios de estar sob efeito de álcool ou medicação, não tendo, no entanto, relatado qualquer problema de saúde. Diante do quadro, foi conduzido à delegacia para os procedimentos legais, onde ocorreu o fato relatado.

Os procedimentos adotados pelos policiais militares estão sendo analisados em inquérito policial militar e a PMSC só poderá se manifestar depois de todos os tramites necessário serem finalizados e o laudo pericial for apresentado oficialmente.

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Da mesma forma, a Polícia Civil está com inquérito policial em instrução para apurar a causa da morte, com base no laudo oficial da Polícia Científica.

Veja a nota da defesa da família

“Com relação aos posicionamentos da Polícia Civil, a família do Dr. Cezar Maurício Ferreira entende que os seguintes pontos merecem uma reflexão serena e detalhada:

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  1. Sobre o Desvio do Foco Investigativo

O pedido de um laudo complementar para avaliar se os medicamentos poderiam simular embriaguez parece desviar o foco da questão central e mais grave. A prisão do Dr. Cezar não foi justificada por “sintomas genéricos de confusão mental”. Ela foi fundamentada, em documentos oficiais, pela alegação específica e falsa de “odor etílico”. Medicamentos não produzem cheiro de álcool, e a ciência já provou que não havia álcool. Portanto, a pergunta fundamental que a investigação precisa responder não é se remédios podem confundir, mas sim: por que um “odor etílico” que nunca existiu foi afirmado em um documento oficial e usado para prender um homem que estava morrendo?

  1. Sobre a Falha no Dever de Cuidado e a Responsabilidade da Vítima

Quanto à afirmação de que o Dr. Cezar “não informou que precisava de cuidados médicos”, é preciso nos colocarmos em seu lugar. Falamos de um homem em meio a um evento cardíaco catastrófico — comprovado por laudo —, tão desorientado que não conseguia responder ao próprio nome. Como esperar que ele pudesse verbalizar um pedido de socorro?

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Sua necessidade de ajuda era a emergência visível. O socorro não deveria depender de um pedido, mas ser uma resposta à sua condição evidente. Essa responsabilidade não pode ser transferida para a vítima, especialmente quando, conforme consta em depoimento, a premissa dos agentes era a de que o Dr. Cezar estaria apenas “fingindo” para escapar da “vergonha” da prisão. Essa crença equivocada, ao que tudo indica, ofuscou a visualização dos erros e da urgência médica.

  1. Sobre a “Presunção de Veracidade” e a Falha no Controle de Legalidade

O Delegado-Geral menciona que “há uma confiança no policial militar que tem uma presunção de veracidade”. A morte do Dr. Cezar é o exemplo doloroso de quão perigosa pode ser a aplicação cega dessa presunção.

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A função da Polícia Civil não é meramente homologar o que foi feito na rua, mas exercer o controle de legalidade. Cabia à autoridade na delegacia confrontar as informações do papel com a realidade: a condição visível e urgente em que se encontrava o Dr. Cezar. Seu estado de desorientação severa, que perdurou por horas, era uma prova em si mesma, que contradizia uma “embriaguez comum” e implorava por uma reavaliação que considerasse outras hipóteses, como um possível AVC — condição que, até onde se sabe, não foi investigada ou descartada com base em qualquer exame.

Conclusão

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A expectativa da família é que a investigação se concentre nos fatos concretos e nas suas graves consequências: a alegação de um odor inexistente, a falha em reconhecer uma emergência médica óbvia e a aplicação de uma presunção de veracidade que se sobrepôs ao dever de proteger uma vida.”

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