Usuários do ChatGPT tiveram as conversas indexadas e exibidas no Google. Ao menos 4.500 links apareciam no buscador, muitos deles com informações pessoais e de identidade. O site Fast Company foi o responsável por trazer o caso à tona nesta semana. As informações são do g1.
Um dos usuários que teve a conversa exposta detalhava ao ChatGPT a vida sexual, comentava sobre a infelicidade de morar em outro país e buscava apoio para lidar com transtorno de estresse pós-traumático.
A Fast Company, que revelou a situação, também citou outro caso em que um usuário dizia à IA que era sobrevivente de programação psicológica e que buscava meios para se desprogramar e mitigar o trauma que havia sofrido.
O chefe de segurança da OpenAI, dona do ChatGPT, confirmou pelo X a exibição das conversas no Google. Em uma publicação, Dane Stuckey esclareceu que um novo recurso que torna os bate-papos públicos em buscadores pode explicar o ocorrido.
O recurso mencionado pelo executivo é o “Make this chat discoverable” (“Torne este chat detectável”, em tradução livre). Segundo Stuckey, a funcionalidade levou usuários a habitá-la sem saber, fazendo com que os chats aparecessem no Google.
“Acreditamos que esse recurso criou muitas oportunidades para as pessoas compartilharem acidentalmente coisas que não pretendiam, por isso estamos removendo a opção”, escreveu ele.
“Estamos trabalhando para remover conteúdo indexado dos mecanismos de busca relevantes. Essa mudança será implementada para todos os usuários até amanhã de manhã [1º de agosto]”, adicionou Dane. Ele disse também que a disponibilidade da ferramenta foi um “experimento de curta duração para ajudar as pessoas a descobrir conversas úteis”.
Cleber Zanchettin, especialista em IA e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), diz que não dá para ter certeza sobre o que, de fato, ocorreu.
— É possível que a forma de compartilhamento não tenha sido a mais segura. Mas não dá para afirmar com certeza se o problema foi esse ou se partiu de um descuido dos próprios usuários — disse ao g1.
ChatGPT nega, mas depois admite caso
Inicialmente, questionado pelo g1, o ChatGPT negou a divulgação de links de conversas com usuários, afirmando que não compartilhava essas informações.
No entanto, após ser confrontado com a declaração do chefe de segurança da empresa, acabou reconhecendo o problema.
Na central de ajuda, a OpenAI declara que qualquer pessoa com o link compartilhado pode visualizar as interações. A empresa recomenda, ainda, não compartilhar conteúdos sensíveis, uma vez que quem tiver acesso ao link pode repassar a conversa para outras pessoas.
*Sob supervisão de Giovanna Pacheco
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