PGR denuncia Eduardo Bolsonaro por coação em processo judicial

Paulo Figueiredo também foi denunciado; eles teriam usado como estratégia a exploração de contatos com integrantes do alto escalão dos EUA para obter sanções estrangeiras aos ministros do STF e ao próprio Brasil, segundo a PGR

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eduardo bolsonaro

Eduardo Bolsonaro se tornou líder da minoria na Câmara na última semana (Foto: Marcelo Camargo, Agência Brasil)

A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) ao Supremo Tribunal Federal (STF) por coação em processo judicial. Paulo Figueiredo, produtor de conteúdo e aliado da família Bolsonaro, também foi denunciado. As informações são do g1.

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A denúncia está relacionada a atuação de Eduardo para atrapalhar o processo sobre golpe de Estado. De acordo com a denúncia, eles usaram como estratégia ameaças aos ministros do STF com a obtenção de sanções estrangeiras em relação aos magistrados e ao próprio Brasil como forma de punição ao julgamento. Para que isso acontecesse, Eduardo e Paulo teriam se dedicado a explorar contatos com integrantes do alto escalão dos EUA.

A PGR ainda diz que os denunciados viajaram diversas vezes aos EUA para que essas medidas fossem articuladas, além de se encontrarem com políticos como o senador Bernie Moreno, por exemplo. As ameaças, segundo a denúncia, tinham como objetivo “livrar o ex-Presidente de mácula penal”, em referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Eduardo Bolsonaro.

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“Os denunciados divulgaram amplamente tragédias financeiras, decorrentes das sanções que se afirmavam e se mostraram aptos para consegui-las [as tragédias financeiras] nos Estados Unidos da América, se o Supremo Tribunal Federal não liberasse os acusados no processo penal contra Jair Bolsonaro e outros”, escreveu o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Jair Bolsonaro, no entanto, que também era alvo do inquérito, não foi denunciado. Isso porque a PGR não encontrou indícios de que ele coagiu autoridades judiciais responsáveis pelo processo do golpe. Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pela trama golpista.

Cabe, agora, ao STF decidir se aceita ou não a denúncia contra Eduardo e Paulo Figueiredo. Se a denúncia for aceita, eles se tornarão réus em uma ação penal.

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Os eventos que teriam sido orquestrados pelos denunciados

São três os eventos principais de sanções que teriam sido orquestrados por Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo. O primeiro foi a suspensão de vistos de oito ministros do STF no dia 18 de julho pelo governo dos EUA. Na ocasião, Eduardo Bolsonaro agradeceu, em uma rede social, ao presidente dos EUA e ao Secretário de Estado.

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Na postagem, ele afirmou que “tem muito mais por vir”. Paulo Figueiredo também falou sobre a suspensão dos vistos, falando que aquele era “só o começo”.

“A dupla de denunciados não hesitou em arrogar a si própria a inspiração determinante das sanções econômicas que vieram a ser, como é notório, afinal infligidas pelo governo norte-americano”, afirmou a denúncia da PGR.

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O segundo evento foi a imposição de tarifas econômicas no dia 9 de julho, quando o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou tarifas de 50% sobre exportações brasileiras, usando como justificativa a “perseguição ilegítima” a Jair Bolsonaro e seus apoiadores.

De acordo com o Ministério Público Federal, as sanções, apelidadas de “Tarifa-Moraes” pelos denunciados, causaram perdas de receita, tiveram impacto negativo no PIB e desemprego em setores essenciais no Brasil.

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O terceiro evento foi a sanção da Lei Global Magnitsky de Responsabilidade pelos Direitos Humanos ao ministro Alexandre de Moraes no dia 20 de julho, resultando no bloqueio de bens e na proibição de transações financeiras nos EUA.

“A efetivação de sanções crescentes convenceu os denunciados de que as ameaças e os males já infligidos estavam produzindo resultados sobre a disposição dos Ministros julgadores. Com isso animavam-se ao recrudescimento das manifestações de coação. Buscavam deixar explícito, para o público e para os demais julgadores do STF, que a as medidas de que lançavam mão para intimidar os julgadores eram eficazes”, declarou Gonet na denúncia.

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Mensagens apreendidas como evidência

Mensagens em um aplicativo de mensagens apreendidas do celular de Jair Bolsonaro foram utilizadas como evidência da trama na denúncia, onde o ex-presidente fala ao filho que “todos ou quase todos” os ministros do STF demonstram preocupação com as sanções.

A denúncia também aponta que Eduardo Bolsonaro atuou para garantir que apenas ele e Paulo Figueiredo tivessem acesso a autoridades americanas. Para a PGR, as ações tinham como objetivo “sobrepor os interesses da família Bolsonaro às normas do devido processo legal e do bom ordenamento da Justiça”.

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O MPF também pede a condenação de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo pelo crime de coação no curso do processo e a reparação dos danos causados. A denúncia da PGR também aponta que o crime aconteceu já com as ameaças, independentemente de os ministros terem cedido à pressão, já que simples prática da ameaça já configura o delito.

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