A maior parte dos catarinenses pretende usar o 13º salário para colocar as contas em dia, segundo pesquisa da Fecomércio SC. O levantamento indica que 35% dos entrevistados vão priorizar o pagamento de dívidas, enquanto 31% planejam poupar ou investir a renda extra de fim de ano.
A auxiliar de limpeza Sônia Maria de Jesus faz parte do grupo que pretende evitar novas despesas. Ela comprou recentemente uma moto elétrica e segue pagando as parcelas. Por isso, quer usar o 13º como reserva de emergência.
— Eu não conto com esse dinheiro. Dou o passo conforme a minha perna — afirmou, à NSC TV.
Segundo a Fecomércio SC, o comportamento cauteloso já era esperado:
— Historicamente, os catarinenses tendem a quitar as dividas que estão atrasadas, mas neste ano esse cenário é especialmente relevante por causa da inadimplência no estado que está bastante alta — explicou a economista da Fecomércio, Edilene Cavalcanti.
Planos para o dinheiro extra
A pesquisa também mostrou que 11,7% das pessoas pretendem usar o dinheiro com viagens e lazer, e 7,3% devem direcionar o valor para compras de Natal ou promoções.
— Os consumidores indicam que pretendem comprar em Santa Catarina que os principais diferenciais na hora da compra são os preços atrativos e também qualidade do produto. Então são esses fatores que fazem com que a intenção de compra se concretize — afirmou Edilene.
A injeção de recursos movimenta o comércio local, principalmente nas semanas que antecedem as festas de fim de ano. O comerciante Márcio Ferreira, que vende espetinhos no Centro de Joinville, sente esse aumento no fluxo de clientes.
— O movimento aumenta 100% no Centro depois que sai o décimo terceiro. Ajuda porque o pessoal consegue gastar um pouquinho mais — contou.
Inadimplência em SC
Os indicadores de inadimplência em Santa Catarina vêm tendo uma disparada nos últimos meses, com crescimento em outubro pelo sétimo mês consecutivo. Agora, 33,1% das famílias catarinenses estão inadimplentes, maior percentual desde o início da pesquisa, em 2010. O índice está acima da média nacional, avaliado em 30,5%.
Historicamente, a média de inadimplência em Santa Catarina é de 22%. De acordo com o presidente da Fecomércio SC, Hélio Dagnoni, o aumento das dívidas é resultado da política de juros elevados, com a taxa Selic elevada há mais de quatro anos.
— As famílias estão sentindo na pele o problema dos juros. Uma a cada três está com contas em atraso. Isso é bastante negativo. Precisamos urgentemente de uma redução da Selic, até para evitar impactos maiores no consumo. Estamos acompanhando de perto essa situação — disse.
