O segredo dos 60%: como evitar a demência mudando apenas o estilo de vida

Psiquiatra descreve mudanças de estilo de vida que ajudam a construir reserva cognitiva e reduzir risco de declínio cerebral

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como evitar a demência mudando apenas o estilo de vida

Levantamento mostra que hipertensão, diabetes e depressão estão por trás da maioria dos diagnósticos. (Foto: Reprodução, Gemini)

Uma pesquisa brasileira recente estimou que cerca de 59,5% dos casos de demência poderiam estar associados a fatores modificáveis, como sedentarismo, isolamento social, depressão ou doenças crônicas (como hipertensão e diabetes).

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Nesse contexto, o psiquiatra José Luis Leal, do Grupo Kora Saúde, afirma que é possível agir para proteger o cérebro. Em entrevista à Agência, ele explica os pilares para manter a mente saudável com o envelhecimento.

Exercício físico e força muscular: aliados do cérebro

Para Leal, o fortalecimento muscular e a atividade física regular são fundamentais na prevenção da demência e a ciência confirma.

Ele aponta que existe relação direta entre perda de massa muscular e declínio cognitivo, e que “à medida que ganho musculatura, eu também ganho reserva cognitiva, ganho memória”.

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Um estudo recente da Fapesp demonstrou que idosos com comprometimento cognitivo leve que praticaram musculação por seis meses apresentaram preservação de regiões cerebrais importantes, sugerindo que a musculação protege o cérebro de idosos contra demências

No entanto, ressalta o especialista, quanto mais completo o exercício, combinando força, resistência, flexibilidade e psicomotricidade, maior o benefício para a mente.

Alimentação, sono e estilo de vida: os pilares contra a demência

A alimentação tem papel importante, de acordo com o psiquiatra. Ele recomenda uma dieta equilibrada, com predominância de alimentos naturais, evitando ultraprocessados, açúcares e excesso de sódio, fatores que aumentam o risco de demência por favorecer diabetes, hipertensão e inflamação crônica.

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Outro ponto essencial é o sono. Dormir bem, cerca de oito horas por noite, é visto pelo psiquiatra como “prioridade”. Ele explica que dormir menos que cinco horas diárias de forma frequente eleva riscos cardiovasculares e musculares, o que pode comprometer também a saúde do cérebro.

Além disso, manter bons relacionamentos sociais, evitar o isolamento, controlar o estresse e fugir de vícios como álcool e nicotina são atitudes que reforçam a proteção cerebral.

O especialista lembra que o equilíbrio entre corpo e mente, bem como a manutenção de um intestino saudável (com microbioma equilibrado), também contribuem para a preservação cognitiva.

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Detecção precoce e ajuste de hábitos: nunca é tarde para começar

Para Leal, a detecção precoce de sinais de declínio cognitivo e a adoção rápida de hábitos saudáveis podem fazer a diferença, até mesmo para quem tem predisposição genética.

Ele afirma que, em alguns casos, a correção de estilo de vida “pode reverter o quadro; na pior das hipóteses, conseguimos inibir ou retardar a progressão do declínio.”

Combinando exercícios, alimentação adequada, sono, vida social ativa e redução do estresse, é possível aumentar a “reserva cognitiva” e dar ao cérebro mais capacidade de lidar com os desafios do envelhecimento, um dos pilares da chamada medicina do estilo de vida.

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Por que vale a pena investir na prevenção

Segundo levantamento recente da Faculdade de Medicina da USP, fatores como sedentarismo, isolamento social, depressão, hipertensão e diabetes, condições que podem ser modificadas, estão por trás de quase 60% dos casos de demência.

Adotar hábitos saudáveis não traz apenas benefícios para o corpo: também reduz o risco de declínio cognitivo e melhora a qualidade de vida. Como ressalta o psiquiatra do Grupo Kora, “Hoje sabemos que existe uma relação direta entre perda muscular e declínio cognitivo, inclusive no desenvolvimento de demências”.

Para quem espera envelhecer com autonomia e saúde mental, esses cuidados com corpo, mente e estilo de vida podem fazer toda a diferença.

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