Oposição envia novo pedido de impeachment contra Moraes por suposta ligação com Banco Master

Moraes nega que tenha pressionado o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sobre o Banco Master

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Alexandre de Moraes

Ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou uma nota à imprensa, nesta terça-feira (23), justificando os motivos de reuniões que teve com o presidente do Banco Central (Foto: Rosinei Coutinho, STF)

Senadores da oposição enviaram nesta terça-feira (23) ao presidente do Senado, David Alcolumbre (União Brasil-AP), um novo pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes por supostamente ter tentado interceder pelo Banco Master em contato com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. O suposto envolvimento foi revelado pelo jornal O Globo.

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A ação foi protocolada por Damares Alves (Republicanos-DF), Eduardo Girão (Novo-CE) e Magno Malta (PL-ES). Na representação, os senadores citam o fato de que o escritório de advocacia da mulher de Moraes, Viviane Barci, tinha negócio com o banco Master, com a previsão de pagamento de R$ 3,6 milhões mensais por três anos a partir de janeiro de 2024. Esse contrato renderia, ao todo, cerca de R$ 130 milhões.

Investigação envolvendo o BRB

O dono do banco, Daniel Vorcaro, chegou a ser preso durante a Operação Compliance Zero, acusado de fraude em papéis vendidos ao Banco de Brasília (BRB). De acordo com as investigações, o banco vendia títulos de crédito falsos, prometendo rendimentos até 40% acima da taxa básica do mercado em CBDs. Contudo, esses valores não eram cumpridos na prática.

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Senadores acusam Moraes de interceder por banco investigado

Para os senadores, Moraes cometeu crime de advocacia administrativa, onde o ministro teria se valido “de sua posição e influência em defesa de interesses privados, em detrimento da imparcialidade e da probidade que devem nortear a conduta de um magistrado”.

“Ainda que se admita, por hipótese, a inexistência de ingerência formal ou ordem explícita, é juridicamente ingênuo ignorar o peso político e institucional de uma interlocução realizada por um ministro do STF. (…) O simples ato de interceder já é suficiente para caracterizar o desvio funcional, pois rompe a linha que separa o exercício legítimo da função jurisdicional do indevido patrocínio de interesses privados”, diz a representação de queixa-crime apresentada ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.

O pedido de impeachment também trata da conduta de Moraes, que seria supostamente “incompatível com a dignidade do cargo”. Na ação, os senadores afirmam, ainda, que o Senado aceitaria “que ministros do Supremo Tribunal Federal estejam acima de qualquer controle político-constitucional, o que afronta diretamente o regime republicano e o princípio da responsabilidade dos agentes públicos” caso ignorem a representação.

“O impeachment, aqui, não é revanche política, não é ataque ao Judiciário e não é retaliação institucional. É, antes de tudo, um dever constitucional, um gesto de respeito à Constituição e um recado claro à sociedade brasileira de que ninguém, absolutamente ninguém, está acima da lei, do decoro e da República”, diz o pedido

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Os parlamentares também querem que Alcolumbre convoque Moraes para prestar esclarecimentos sobre o caso em sessão da Comissão de Assuntos Econômicos.

Entenda o caso do Banco Master

Suposta pressão de Moraes em relação ao Banco Master

O ministro teria entrado em contato com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para interceder em favor do Banco Master. Segundo a colunista Malu Gaspar, do O Globo, o contato teria acontecido pelo menos quatro vezes, sendo uma vez presencialmente.

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A colunista afirma que os relatos das conversas foram revelados por seis fontes diferentes ao longo das últimas três semanas, com uma delas afirmando que ouviu do próprio ministro sobre o encontro com o presidente do BC. As outras fontes disseram que souberam dos contatos por integrantes do Banco Central, que apontaram três ligações de Moraes para entender como estava o andamento da operação de venda para o BRB.

Moraes teria dito a um interlocutor que, em uma conversa com Galípolo em julho deste ano, afirmou que gostava de Daniel Vorcaro e que o Banco Master vinha sendo combatido por estar ganhando espaço em relação aos grandes bancos. Ainda, o ministro do STF também teria pedido que o Banco Central aprovasse o negócio com o BRB, pendente de autorização da autarquia.

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Entretanto, naquele momento, Galípolo avisou a Moraes que os técnicos do BC tinham descoberto as fraudes no repasse de R$ 12,2 bilhões em créditos do Master para o BRB. Sabendo disso, o ministro teria dado um passo para trás, afirmando que se a fraude fosse comprovada, o negócio não teria como ser aprovado.

O que diz Moraes

“O Ministro Alexandre de Moraes esclarece que, em virtude da aplicação da Lei Magnistiky, recebeu para reuniões o presidente do Banco Central, a presidente do Banco do Brasil, o Presidente e o vice-presidente Jurídico do Banco Itaú. Além disso, participou de reunião conjunta com os Presidentes da Confederação Nacional das Instituições Financeira, da FEBRABAN, do BTG e os vice-presidentes do Santander e Itaú. Em todas as reuniões, foram tratados exclusivamente assuntos específicos sobre as graves consequências da aplicação da referida lei, em especial a possibilidade de manutenção de movimentação bancária, contas correntes, cartões de crédito e débito.”

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*Com informações do Uol e do O Globo