Copa de 2026: por que a saúde do viajante entrou em alerta

Veja cuidados de saúde que viajantes devem tomar no evento

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Veja cuidados de saúde que viajantes devem tomar no evento (Foto: Banco de imagens)

Com base no comunicado oficial da Sociedade Latino-americana de Medicina do Viajante (SLAMVI) emitido em 1º de maio de 2026, a preparação para a Copa do Mundo nos Estados Unidos, México e Canadá exige atenção rigorosa à saúde, já que eventos de massa facilitam a transmissão de doenças infecciosas.

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A SLAMVI destaca que este tipo de eventos de massa facilitam a propagação de doenças devido à mobilidade de milhões de pessoas de diversas regiões. O foco principal deste alerta é a prevenção por meio da vacinação, especialmente contra o sarampo e a coqueluche.

Abaixo, seguem os detalhes dos riscos e as medidas preventivas fundamentais para quem vai cruzar as fronteiras.

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O alerta prioritário: doenças respiratórias e exantemáticas

A vacinação é imprescindível.

  • Sarampo (alerta global): causado por um vírus altamente contagioso que se propaga via aerossóis. Ele compromete o sistema imunológico (causando uma “amnésia imunológica”). A recomendação é a vacina tríplice viral: adultos devem ter duas doses documentadas para garantir a soroconversão.
  • Coqueluche: uma infecção bacteriana das vias respiratórias que causa tosses paroxísticas (em acessos). O ressurgimento global ocorre pela queda da imunidade ao longo dos anos. Por isso, o reforço com a vacina dTpa (Tríplice Bacteriana Acelular) é indispensável para adultos a cada 10 anos.
  • Imunização de rotina: atualizar o esquema contra Influenza, COVID-19 (com variantes atualizadas) e hepatite B é o requisito mínimo para evitar complicações em solo estrangeiro.

Riscos geográficos e vetoriais

As condições climáticas e ecológicas das cidades-sede apresentam desafios distintos:

México: foco em arboviroses e doenças entéricas;

  • Arboviroses (Dengue, Zika, Chikungunya e Oropouche): Transmitidas por vetores (mosquitos Aedes aegypti e o maruim Culicoides paraensis no caso da Oropouche). A prevenção é mecânica (repelentes com DEET ou Icaridina);
  • Febre Tifoide: uma doença bacteriana sistêmica grave transmitida por água e alimentos contaminados. Diferente de uma diarreia comum, pode causar febre alta e complicações intestinais sérias;
  • Raiva: Atenção ao contato com mamíferos silvestres; o México mantém vigilância constante para variantes da raiva transmitidas por morcegos e cães;

Estados Unidos: o perigo dos carrapatos

  • Febre Maculosa das Montanhas Rochosas: em sedes como Houston e Atlanta, o foco é a bactéria Rickettsia rickettsii, transmitida por carrapatos. É uma infecção febril aguda com alto potencial de gravidade se não tratada precocemente com antibióticos específicos;

Checklist de segurança

Para minimizar a exposição a patógenos, adote o protocolo de higiene rigorosa:

  • Segurança alimentar: A “Diarreia do Viajante” é a causa nº 1 de visitas a prontos-socorros em viagens. Consuma apenas água mineral lacrada e evite alimentos crus em locais com saneamento incerto;
  • Termorregulação: O verão da América do Norte pode ser extremo. A desidratação predispõe o corpo a infecções; mantenha o balanço hidroeletrolítico;
  • Seguro saúde: Nos EUA, o sistema de saúde é exclusivamente privado e de altíssimo custo. Um atendimento de emergência pode custar dezenas de milhares de dólares.

Vigilância pós-viagem

O cuidado não termina no desembarque. Algumas doenças possuem períodos de incubação longos. Se apresentar febre, tosse persistente ou exantema (manchas vermelhas) após retornar, procure um serviço de saúde e informe seu histórico de viagem. Isso é essencial para o bloqueio epidemiológico de doenças que podem ser reintroduzidas no Brasil.

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Por Sabrina Sabino, médica infectologista, formada em Medicina pela PUCRS, mestre em Ciências Médicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e professora de Doenças Infecciosas na Universidade Regional de Blumenau.