O detalhe que levou desembargador a ser investigado por soltar da prisão chefe do PCC

Traficante Gerson Palermo foi preso na semana passada na Bolívia após seis anos foragido depois de ter sido solto pelo desembargador do Mato Grosso do Sul, Divoncir Maran

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Gerson Palermo e desembargador Divoncir Maran (Foto: Reprodução; TRE-SC)

Gerson Palermo e desembargador Divoncir Maran (Foto: Reprodução; TRE-MS)

A investigação contra o desembargador do Mato Grosso do Sul, Divoncir Maran, responsável por soltar o traficante Gerson Palermo, apontado como um dos chefes do PCC, foi concluída pela Polícia Federal e enviada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). O homem, condenado a quase 126 anos de prisão, saiu do presídio em 2020, durante a pandemia de Covid-19.

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À época, o desembargador, que é natural de Dionísio Cerqueira, em Santa Catarina, justificou a autorização para cumprimento da pena em regime domiciliar, concedida em 40 minutos, por problemas de saúde de Palermo que o colocariam no grupo de risco da Covid-19. No entanto, não foi alegado qualquer laudo médico que pudesse comprovar a condição alegada, conforme o Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

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Soltura em plantão

O habeas corpus de Palermo tem mais de 200 páginas e foi emitido durante um plantão de feriado de Tiradentes no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. Na investigação da Polícia Federal, o magistrado é suspeito de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

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Isso porque foram encontradas mensagens nos celulares de assessores do gabinete que supostamente comprovam que a sentença favorável a Palermo tenha sido vendida. Em uma das mensagens, uma assessora diz:

“Vai entrar esse HC, chefe pediu para prover […] foi determinação do desembargador”, escreveu.

Traficante rompeu tornozeleira eletrônica e está foragido

No mesmo dia em que Palermo foi solto do presídio federal de Campo Grande, ele rompeu a tornozeleira eletrônica que usava e fugiu. Foi somente na terça-feira (26) que o homem foi preso na Bolívia, após passar seis anos foragido, com o nome na lista dos mais procurados do Sistema Único de Segurança Pública.

Palermo é conhecido por ter participado do sequestro do Boeing 727, que saiu do Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu com destino a Curitiba. O traficante forçou o avião a pousar em Porecatu, no Paraná, para que o grupo roubasse nove malotes com R$ 5,5 milhões do Banco do Brasil. Por esse crime, ele foi condenado a 66 anos e nove meses de prisão.

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Em 2017, ele também foi condenado a mais 59 anos de prisão por ter integrado um esquema de tráfico internacional de drogas, onde cocaína saiu da Bolívia em aviões até Corumbá, no Mato Grosso do Sul. A droga era levada por caminhões para outros estados. Durante a Operação All In, a Polícia Federal prendeu Palermo e apreendeu 810 quilos de cocaína.

O homem foi expulso da Bolívia na terça-feira (27) e voltou ao Presídio Federal de Campo Grande na quarta-feira (28).

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Magistrado investigado

Em 2023, o CNJ abriu uma investigação contra o desembargador para apurar a conduta na soltura de Palermo. Neste ano, em fevereiro, o órgão puniu Divoncir Maran com aposentadoria compulsória depois de afirmar que houve falhas na análise da decisão que permitiu a soltura do traficante.

Em março, o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino decidiu que a aposentadoria compulsória não pode mais ser usada como “punição”.

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*Com informações do g1 e da CNN