Heineken quebra tradição e escolhe brasileiro conectado com SC para principal cargo da empresa

Rafael Oliveira, ex-Kraft Heinz e atual CEO da JDE Peet's, assumirá o comando global da Heineken em outubro após uma seleção internacional conduzida pela cervejaria holandesa.

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Atual CEO da JDE Peet’s, ele será o primeiro líder de fora da companhia a ocupar o principal cargo da fabricante holandesa (Foto: Divulgação)

O brasileiro Rafael Oliveira foi escolhido para liderar uma das maiores cervejarias do mundo. Nesta terça-feira (23), a Heineken o anunciou como novo presidente-executivo e presidente do conselho de administração da companhia, tornando-o o primeiro profissional de fora da empresa a assumir o principal cargo de liderança da fabricante holandesa.

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Atualmente CEO da JDE Peet’s, fabricante holandesa de café e chá, cargo que ocupa desde 2024, Oliveira iniciará o mandato de quatro anos na Heineken em 1º de outubro. Segundo a empresa, sua missão será acelerar a estratégia estabelecida para 2030.

A escolha ocorreu após um processo global de seleção. Em comunicado, a Heineken afirmou que o conselho de supervisão decidiu de forma unânime pela contratação do brasileiro.

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“Após uma rigorosa busca global, o conselho de supervisão escolheu Rafa por unanimidade por sua combinação única de visão estratégica, experiência operacional e perspicácia financeira”, informou a companhia.

O anúncio foi bem recebido pelo mercado. As ações da Heineken avançaram cerca de 3% e atingiram o maior patamar desde março. A definição do novo líder encerra um período de incerteza para investidores, iniciado após a saída inesperada do então CEO Dolf van den Brink, anunciada em janeiro. Van den Brink comandou a cervejaria por seis anos, e a empresa está sem presidente-executivo desde o início de junho.

Quem é Rafael Oliveira?

Com duas décadas de experiência em mercados desenvolvidos e emergentes, Rafael Oliveira construiu carreira no setor de bens de consumo. Antes de assumir a JDE Peet’s, atuou como presidente de mercados internacionais da Kraft Heinz, dona, desde 2021, da fabricante de molhos e conservas Hemmer, de Blumenau (SC).

A Heineken destaca, no currículo dele, a capacidade de implementar estratégias e melhorar resultados operacionais.

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Além da Hemmer: grandes empresas de SC que foram vendidas

Analistas também apontam sua experiência em mercados de capitais como um diferencial para a busca de maior retorno aos investidores da companhia. Em relatório, Laurence Whyatt, analista do Barclays, afirmou que Oliveira demonstrou, nos 17 meses à frente da JDE Peet’s, capacidade de diagnosticar problemas e redefinir estratégias rapidamente.

Apesar do reconhecimento, o executivo chega à Heineken diante de desafios significativos. Entre eles está a condução de um plano de corte de 6 mil empregos, a recuperação dos volumes de vendas em um cenário de expectativa de queda na demanda global por cerveja e a busca por resultados comparáveis aos da concorrente Anheuser-Busch InBev.

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O contexto também impõe obstáculos adicionais ao setor de bebidas alcoólicas. Empresas enfrentam os efeitos do aumento do custo de vida, mudanças nos hábitos de consumo, preocupações crescentes com os impactos do álcool na saúde e até novas ameaças, como medicamentos para emagrecimento que podem reduzir o consumo de bebidas alcoólicas.

Em comunicado, Oliveira afirmou que vê a estratégia da Heineken para 2030 como um caminho sólido para o crescimento da empresa.

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“Estou confiante de que aceleraremos o crescimento, impulsionaremos a produtividade e prepararemos a Heineken para o futuro, conquistando o coração dos consumidores em todo o mundo”, declarou.

Embora acumule ampla experiência em bens de consumo, Oliveira não possui histórico direto no mercado de cervejas e bebidas alcoólicas. Para parte dos analistas, essa é uma das principais incógnitas de sua gestão.

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“Como alguém de fora do setor de cerveja e da Heineken, ele terá muito a provar”, escreveram analistas do ING em relatório.

A nomeação do brasileiro ocorre em um momento de renovação nas lideranças de grandes empresas de bens de consumo. Nos últimos meses, concorrentes como Diageo e Rémy Cointreau também recorreram a candidatos externos para cargos de comando, em uma tentativa de impulsionar resultados e renovar estratégias.

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*Com informações do g1