Brasil entrega plano aos EUA para barrar tarifa de 25% e mantém posição sobre o Pix

Segundo integrantes da negociação, não há disposição para rever o Pix, mas governo brasileiro se abriu às negociações de temas como acesso ao mercado de etanol e proteção da propriedade intelectual

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Governo brasileiro defendeu o Pix e comparou com sistema americano (Foto: Ricardo Stuckert, PR; Redes sociais, Reprodução)

Governo brasileiro apresentou um "mapa do caminho" aos Estados Unidos com medidas e compromissos para responder às preocupações levantadas pelo governo americano na área comercial (Foto: Ricardo Stuckert, PR; Redes sociais, Reprodução)

Em uma tentativa de evitar a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, o governo Lula (PT) apresentou nesta quinta-feira (2) um “mapa do caminho” aos Estados Unidos com medidas e compromissos para responder às preocupações levantadas pelo governo americano na área comercial.

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A proposta foi discutida em reunião virtual entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias Rosa, e o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer. Um novo encontro está previsto até 15 de julho, prazo final para a decisão norte-americana sobre a aplicação das tarifas.

Como foi a reunião

De acordo com o g1, a reunião teve o objetivo de ampliar as garantias de que as práticas adotadas pelo Brasil não oneram e nem restringem o comércio com os norte-americanos.

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O governo brasileiro se abriu às negociações para ampliar medidas nas demais áreas que preocupam a gestão de Donald Trump:

  • tarifas preferenciais desleais;
  • acesso ao mercado de etanol;
  • proteção da propriedade intelectual;
  • combate à corrupção; e
  • desmatamento ilegal.

O governo, porém, manteve posição firme sobre o Pix, um dos pontos incluídos na investigação aberta pelos Estados Unidos. Segundo integrantes da negociação, não há disposição para rever o sistema de pagamentos brasileiro.

Nos bastidores, segundo o g1, integrantes do governo classificam a reunião como a principal aposta da área técnica para afastar a ameaça tarifária. A proposta foi construída por equipes do Itamaraty, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da Assessoria Especial da Presidência.

Entre as medidas já apresentadas aos norte-americanos está a proposta de reduzir tarifas de importação de cerca de 300 produtos dos setores de máquinas agrícolas, equipamentos hospitalares e tecnologia da informação. O corte seria aplicado a todos os parceiros comerciais, embora o governo avalie que os Estados Unidos tendem a ser os principais beneficiados.

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Governo publicou nota oficial

Mais cedo, o governo publicou uma nota sobre a reunião informando que ambos os países avaliaram que o diálogo tem sido construtivo, mas reconheceram a necessidade de mais tempo para detalhar propostas e aproximar posições.

“Ambos reconhecemos que o diálogo tem sido construtivo e que mais tempo será preciso para detalhar propostas e aproximar posições. Nesse sentido, determinamos que nossas equipes técnicas se reúnam no início da próxima semana, em preparação para nova reunião de alto nível antes de 15 de julho”, diz um trecho.

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Governo respondeu EUA na quarta-feira

Na quarta-feira (1º), o governo brasileiro enviou ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), uma resposta à investigação que pode resultar em novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.

No documento, assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o Brasil afirma que os Estados Unidos não comprovaram a existência de práticas comerciais desleais e sustenta que o Pix não prejudica empresas americanas nem favorece companhias nacionais.

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O governo também defende que decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre remoção de conteúdos e suspensão de perfis seguem a legislação brasileira e não discriminam plataformas estrangeiras. Além disso, argumenta que as críticas dos EUA refletem divergências sobre políticas públicas brasileiras, e não barreiras ao comércio.

Veja a nota oficial do governo

“Nesta manhã (2 de julho), acompanhado de equipes do Ministério das Relações Exteriores e da Assessoria Especial do Presidente da República, além da equipe do MDIC, mantive minha quarta reunião de alto nível com o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer.

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As reuniões anteriores aconteceram nos dias 19 e 28 de maio e 13 de junho e foram intercaladas de outros encontros no nível técnico.

Esse esforço atende à determinação emanada do encontro dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em 7 de maio, de encontrar solução negociada para o comércio bilateral.

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Na reunião de hoje, seguimos debatendo as Relações Econômico-Comerciais entre Brasil e Estados Unidos, contemplando analise concretas para os seis temas suscitados no contexto das investigações em curso no âmbito da Seção 301: comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal.

Ambos reconhecemos que o diálogo tem sido construtivo e que mais tempo será preciso para detalhar propostas e aproximar posições. Nesse sentido, determinamos que nossas equipes técnicas se reúnam no início da próxima semana, em preparação para nova reunião de alto nível antes de 15 de julho.”