Ex-faxineiro de hospital que fez 1,3 mil bilhetes de revisão se formou em Medicina estudando no ônibus

Rotina de Bruno Eulálio Santos, de 28 anos, começava antes das 5h e incluía revisões durante o trajeto até o trabalho e nos intervalos do dia

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Ex-faxineiro, Bruno Eulálio Santos concluiu o curso de Medicina na UFSC após seis anos de graduação (Foto: Arquivo Pessoal)

A rotina de Bruno Eulálio Santos, de 28 anos, começava antes do amanhecer. Enquanto trabalhava como faxineiro em um hospital de Balneário Camboriú, no Litoral Norte de Santa Catarina, ele saía de casa para cumprir uma jornada que começava às 5h e terminava por volta das 15h. No pouco tempo livre, transformava o trajeto de ônibus em uma extensão dos estudos para o vestibular de Medicina, curso em que ele acaba de se formar na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

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Os materiais de revisão viajavam com ele no bolso ou na mochila. Sempre que conseguia um lugar para sentar — e o cansaço não falava mais alto —, aproveitava o percurso para revisar os conteúdos.

— Eu levava os flashcards no bolso ou na bolsa. No ônibus, quando eu não dormia porque estava muito cansado, estudava no caminho. Às vezes, quando sobrava um tempinho no trabalho, também revisava — relembra.

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Em casa, a rotina continuava. Sem condições financeiras e sem horários compatíveis para frequentar um cursinho presencial, Bruno optou por um preparatório on-line.

— Eu fazia um cursinho pelo Descomplica. Na época, pagava R$ 19,90 por mês. Era bem acessível e era a única opção que cabia na minha rotina.

Flashcards feitos à mão

Foi a partir das aulas do cursinho que Bruno desenvolveu o método que se tornou sua marca. Depois de assistir às videoaulas, ele consultava os resumos disponibilizados pela plataforma e transformava os principais tópicos em perguntas e respostas escritas à mão.

Antes mesmo de começar a estudar, preparava o material: cortava folhas de papel em pequenos cartões e os deixava organizados para preencher conforme avançava nas aulas.

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— Eu assistia à aula, pegava o resumo e, a partir do que entendia, criava perguntas sobre os pontos mais importantes. Fazia, em média, de cinco a dez flashcards por aula. Com o tempo, o processo ficou muito natural.

Os cartões eram organizados por semanas e por disciplinas, acompanhando a estrutura do cursinho. Ao longo da preparação para o vestibular, Bruno produziu cerca de 300 flashcards maiores, com resumos, e aproximadamente 1,3 mil bilhetes de revisão, usados para memorizar fórmulas, conceitos e informações essenciais.

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— Eu estudava quando o ônibus não estava lotado, porque precisava estar sentado para conseguir ler. Na ida e na volta era a mesma coisa — contou ele ao NSC Total.

A técnica continuou durante a graduação em Medicina na UFSC. Com o passar dos anos, os cartões de papel deram lugar a aplicativos de flashcards, mas o método de transformar o conteúdo em perguntas e respostas permaneceu como principal ferramenta de estudo durante o curso.