A família do menino morto por não dar “bom dia” ao pai tinha histórico de violência há oito anos, segundo a delegada Luana Medeiros, responsável pelo caso. A criança de três anos morreu após ser espancada no início de julho. Os irmãos de 5, 7 e 9 anos também foram vítimas de agressões.
— Por mais que a mãe vivesse em violência doméstica, que aparentemente eram intensas, do ponto de vista físico e psicológico, nós temos conhecimento de que as agressões [às crianças] ocorriam há pelo menos oito anos. O filho mais velho da família tem nove — afirmou Luana à Rádio Gaúcha.
A delegada relatou que as crianças viam as agressões sofridas pelos irmãos e eram orientados a mentirem sobre a origem dos ferimentos. Os filhos também utilizavam roupas compridas para esconder as marcas de violência. A família morava em Viamão, no Rio Grande do Sul.
Os irmãos do menino vão passar por perícias psíquicas para que a investigação possa apurar se Mayanna Angelina Rodgers foi omissa em relação às agressões ou se também praticava torturas contra os filhos. Eles foram encaminhados para acolhimento institucional.
Veja fotos da família
Polícia investiga possível violência doméstica sofrida pela mãe
O inquérito sobre a morte da criança deve ser concluído em agosto. No entanto, um inquérito separado também investiga se Mayanna foi vítima de violência física e psicológica pelo marido, o missionário D’Andre Jermaine Grayson.
Antes de ser presa por suspeita de omissão, uma medida protetiva chegou a ser solicitada em nome dela. A família veio dos Estados Unidos há cerca de nove anos. Em Viamão, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul afirmou que o casal e os filhos passavam por uma situação de vulnerabilidade e contavam com doações e ajuda de pessoas da comunidade religiosa.
Corpo de menino morto por não dar “bom dia” demorou a ser reconhecido e liberado
A criança morreu no dia 8 de julho, depois de ter sido agredida no domingo anterior, em 5 de julho. No entanto, o velório demorou para acontecer.
Isso porque o corpo da criança foi reconhecido pelo Departamento Médico Legal (DML), que afirmou que realizou identificação por meio da papiloscopia, método que identifica indivíduos através das impressões digitais, palmares ou plantares, mas era necessário que algum familiar liberasse o corpo.
A Justiça entendeu que a melhor opção era entregar o corpo do menino para a prefeitura, já que os pais estão presos. Ao todo, 11 pessoas já foram ouvidas durante a investigação.



