Mãe de menino morto por não dar “bom dia” ao pai é investigada por tortura e segue presa após decisão da Justiça

Mayanna Angelina Rodgers teve a prisão mantida após audiência de custódia realizada na sexta-feira (10); pai da criança também está preso

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Mãe de menino de três anos morto por não dar "bom dia" ao pai tem prisão mantida (Foto: Reprodução, Redes sociais)

A Justiça manteve a prisão preventiva de Mayanna Angelina Rodgers, de 29 anos, mãe do menino morto por não dar “bom dia” ao pai. Ela foi detida na quinta-feira (9) e passou por audiência de custódia na sexta-feira (10). A mulher é investigada por omissão e tortura. O caso ocorreu em Viamão, no Rio Grande do Sul.

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O pai da criança, Dandre Jermaine Grayson, é apontado como autor do crime e segue preso. Ele foi detido no domingo (5). A criança teve a morte cerebral confirmada na quarta-feira (8).

Os outros quatro filhos do casal foram encaminhados para acolhimento institucional e teriam relatado que também sofriam agressões, segundo o g1. Uma das crianças apresentava a marca de uma mordida no corpo. De acordo com relatório do Conselho Tutelar, as irmãs fizeram relatos de que a mãe também utilizaria a violência física como forma de disciplina.

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“As irmãs realizaram relatos espontâneos de agressões praticadas pela genitora, informando que esta também fazia uso de violência física como forma de disciplina, mencionando, inclusive, que [nome da criança] havia sido agredida pela mãe”, diz o documento.

Crianças já ficaram em abrigo em Santa Catarina

A reportagem do NSC Total apurou que os filhos do casal chegaram a permanecer três meses em acolhimento institucional em Palmitos, município do Oeste de Santa Catarina, antes da família se mudar para o estado gaúcho. 

A ida das crianças para o abrigo foi motivada, segundo o Ministério Público de Santa Catarina, por denúncias anônimas de vizinhos sobre supostas agressões físicas cometidas pelos pais do garoto contra um dos irmãos dele. 7

Segundo o MP, durante a visita, o corpo de uma das crianças foi examinado após as denúncias, mas não foram encontrados hematomas, lesões ou qualquer outro sinal que indicasse agressão física.  O filho que seria vítima dessas agressões não foi informado pela promotoria, ou seja, não se sabe se é a mesma criança que foi morta no Rio Grande do Sul.

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A Polícia Civil aponta que em pelo menos dois outros estados brasileiros há registros de que os filhos de 5, 7 e 9 anos do casal também teriam sido vítimas de agressões semelhantes. Um bebê de 1 ano também é filho do casal, mas não há confirmação de que ele tenha sofrido violência. A família mora no Brasil há nove anos.

Pai confessou ter espancado filho por não receber “bom dia”

Em depoimento à polícia, o pai confessou ter agredido o filho com socos e batido a cabeça do menino contra o chão porque a criança não lhe deu “bom dia”. Antes da prisão de Mayanna, a investigação apura se ela também era vítima de violência doméstica, segundo o g1.

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A polícia havia, inclusive, solicitado uma medida protetiva para a mulher. A família morava no distrito de Águas Claras, no interior de Viamão, há cerca de seis meses. Na manhã de quinta, com autorização da própria mãe, houve a captação dos órgãos do menino para doação.

Mãe tentou justificar agressões

Mayanna tentou justificar as agressões alegando que era a forma com que a cultura e a religião deles indicava que deveria ser a correção e disciplina dos filhos. A mulher dizia que o homem estaria “disciplinando de forma rígida, porém correta” as crianças.

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— A forma como a família vivia foi determinante para a Delegada de Polícia entender que a mãe, na verdade, foi conivente com os atos de tortura e com o homicídio praticado contra o menino de 3 anos. O homicídio foi praticado com inúmeras e gravíssimas lesões, que chegaram a movimentar o coração do infante de lugar e achatar o crânio, não sendo crível que se pense que a mãe não conseguiu ouvir tudo – do quarto ao lado – e que sequer tivesse tentado conter o pai — disse a delegada Luana Tamiozzo Medeiros.