O suspeito do feminicídio de Joviana Evelyn Iankovski, José Gustavo Rabelo, de 21 anos, teria trancado o quarto onde o crime ocorreu e convivido com o corpo da namorada por dias antes da polícia descobrir o assassinato. A informação foi confirmada pelo delegado responsável pelo caso, Murilo Silveira da Cunha. Joviana foi encontrada na segunda-feira (10), no quarto do suspeito, em Sangão, no Sul de Santa Catarina.
Ao g1 SC, o delegado informou que o suspeito “manteve o quarto trancado e somente informou o ocorrido aos familiares na manhã de segunda-feira”. Ele foi preso ainda na segunda, ao se apresentar à delegacia e confessar o crime. José Gustavo disse ter assassinado a namorada com um golpe de mata-leão.
Ainda conforme o delegado, o crime ocorreu após uma discussão entre os dois. Joviana teria encontrado mensagens no celular do namorado. Ela tentou sair da casa, momento em que foi impedida por José Gustavo, que a seguiu e aplicou o golpe, levando-a à morte por asfixia. Tudo teria ocorrido na madrugada de quinta (6) para sexta-feira (7).
“Ele, então, colocou o corpo na cama e permaneceu na residência. O autor ainda relata que consumiu bastante medicamento controlado, o que o teria deixado entorpecido durante toda a sexta-feira. Sobre os dias seguintes, ele apenas relatou que não sabe com precisão o que ocorreu, mas que teria consumido bastante bebida alcoólica”, informou Cunha.
A reportagem busca contato da defesa de José Gustavo Rabelo, mas até a publicação não havia localizado os advogados. O espaço segue aberto.
Família do suspeito não desconfiou
O delegado Cunha informou ainda que a mãe e a avó do investigado não suspeitaram da situação. Isso porque ele costumava levar pessoas para o quarto, “fazendo dos seus aposentos um cômodo isolado”, conforme o responsável pela investigação.
A causa da morte de Joviana ainda será confirmada por um exame da Polícia Científica. O delegado ainda afirma que o suspeito não tinha antecedentes nem casos de violência doméstica no nome.
“No entanto, familiares relatam que o relacionamento já era conhecido por ser conturbado”, destacou.
Estudante sonhava com voluntariado na África
A jovem estudante Joviana Evelyn Iankovski havia entrado na faculdade de biologia há uma semana. Ela estava radiante com a nova fase, destacou Stéfany Goulart, uma amiga de Joviana. O sonho foi interrompido pelo feminicídio.
“Ela era incrível, divertida, engraçada e com um jeito único. Tinha começado a faculdade na semana passada, estava tão feliz”, descreveu Stéfany, segundo informações do g1 SC. Outra amiga, Vitória de Souza de Oliveira, retratou a jovem como alguém curiosa e gentil:
Era muito gentil. Ela nunca te faria passar vergonha, nunca julgou alguém pela forma que vivia ou se vestia. A pessoa mais livre que eu conheci em toda a minha vida: fazia tudo que tinha vontade e respeitava todos os limites que as pessoas falavam para ela.
Vitória ainda relatou um sonho da amiga: fazer um mochilão pelo mundo e um voluntariado na África.
Segundo a Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), onde a jovem cursava Ciências Biológicas, Joviana havia ingressado no curso no segundo semestre de 2026. As aulas começaram no dia 3 de agosto, uma semana antes do crime.
Comunidade acadêmica fez ato pedindo por justiça
“Somos o grito das que não estão mais aqui”. A frase estampada em um dos cartazes resume o sentimento de estudantes que participaram, na noite de segunda-feira (10), de um ato em memória de Joviana em frente ao Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Unesc, em Criciúma.
Além da homenagem à jovem, a manifestação foi marcada por pedidos pelo fim da violência contra as mulheres. Entre os cartazes levados pelos participantes estavam frases como “Queremos mulheres livres e sem medo” e “A vida começa quando a violência acaba”.
O ato foi organizado pelo DCE da Unesc após a confirmação da morte de Joviana. Em manifestação publicada nesta segunda, a entidade classificou o crime como resultado de uma sociedade que ainda permite que mulheres sejam vítimas de violência, controle e morte.
“Precisamos falar, denunciar e, sobretudo, agir”, afirmou o diretório na nota de convocação para o ato.
A manifestação reuniu estudantes e integrantes da comunidade acadêmica em um momento de solidariedade aos familiares, amigos e colegas de Joviana.
A Unesc, instituição onde jovem estudava há uma semana, também publicou uma nota de pesar pela morte da estudante. A universidade manifestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas e afirmou que não compactua com qualquer tipo de violência.
A instituição destacou ainda o programa Unesc Com Elas, lançado em maio deste ano com ações de acolhimento, conscientização, prevenção e combate à violência contra a mulher na comunidade acadêmica.
Jovem foi encontrada morta em casa após mãe desconfiar de mensagens
A estudante de 19 anos foi encontrada morta nesta segunda-feira (10), dentro de uma casa no bairro Santa Apolônia, em Sangão. Ela foi vista pela família pela última vez na quinta-feira (6). A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio.
As autoridades foram acionadas pela mãe da jovem, que procurou a polícia após não conseguir contato com a filha. Segundo a PMSC, Joviana havia saído de casa na quinta-feira e, durante a noite, enviou uma mensagem informando que iria para a casa do namorado.
Durante o fim de semana, porém, a família passou a desconfiar que as mensagens recebidas não haviam sido escritas pela jovem. De acordo com a mãe, as respostas apresentavam incoerências.
A suspeita aumentou após familiares do companheiro da vítima fornecerem informações desencontradas sobre o paradeiro dela. Diante disso, a mãe registrou um boletim de ocorrência pelo desaparecimento e acionou a Polícia Militar, relatando também a possibilidade de que a filha estivesse morta dentro da residência.
Durante as buscas, os policiais encontraram a jovem sem vida dentro de um quarto que estava com a porta trancada. O corpo estava enrolado em cobertores.
Como pedir ajuda em casos de violência doméstica

