O assassino confesso de Joviana Evelyn Lankovski, de 19 anos, teria enviado mensagens para a mãe da estudante se passando pela jovem durante o último fim de semana. As conversas revelam a preocupação da mulher e as supostas justificativas para a garota não ter retornado para a casa. O namorado admitiu ter aplicado um golpe de mata leão, trancado o quarto e convivido com o corpo da jovem por dias antes da polícia descobrir o assassinato.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, Murilo da Cunha, o investigado também confirmou ter enviado as mensagens durante o interrogatório.
De acordo com a família, Joviana havia saído de casa na quinta-feira para ir a um bar com os amigos e, durante a noite, foi para a casa do namorado. Já durante a madrugada de sexta, uma mensagem em nome da jovem é enviada explicando que ela estava sem bateria no celular. Também contou que havia passado mal depois de consumir bebida alcoólica e que conseguiu um atestado para justificar a ausência no trabalho.
Nos dias seguintes, uma sequência de mensagens é enviada para a família, nos textos, José, que se passava por Joviana, estaria conversando com a família sobre o fim de semana, o trabalho e os planos para a semana seguinte.
Em um dos prints, o perfil chega a dizer que pretendia ir para casa e conversar com a mãe. Em outro momento, afirmou que passaria a semana em casa e que veria o namorado novamente apenas no fim de semana:
“Eu quero ir sim para casa, mãe, mas vamos chegar tarde”, escreveu.
Mãe desconfiou de falta de contato
Durante o fim de semana, porém, a família passou a desconfiar de que as mensagens recebidas não haviam sido escritas por Joviana. Conforme relatado pela mãe, as respostas apresentavam incoerências e levantaram dúvidas sobre quem estaria utilizando o celular da jovem.
Diante da falta de notícias, a mãe registrou um boletim de ocorrência pelo desaparecimento e acionou a Polícia Militar. Segundo o relato feito às autoridades, ela também levantou a possibilidade de que a filha estivesse morta dentro da residência.
Nas mensagens, o desespero da mãe fica mais evidente na manhã de segunda-feira. A partir das 5h23min, ela tenta chamar Joviana para se arrumar e faz sucessivas tentativas de ligação, sem conseguir falar com a filha.
“Deixa eu confiar em vc”, escreveu em uma das mensagens. Pouco depois, a preocupação aumenta: “Não me deixa assim” e “Vc me deixa preocupada, não consigo dormir, meu coração está a 1000”.
A mãe também lembra a filha sobre o atestado e insiste nas tentativas de contato. Sem resposta, escreve “Meu Deus” e questiona: “Porquê vc faz isso?”.
Família tentou localizar jovem
As mensagens também mostram outras tentativas de familiares para descobrir onde Joviana estava. Lívia, que aparece na conversa, questiona repetidamente onde a jovem estava e tenta contato com José.
Em uma das mensagens, ela avisa que a mãe iria acionar a polícia e pede que ele responda caso não houvesse nenhum problema. “Eu não vou deixar minha mãe nessa agonia”, escreveu.
As conversas registram ainda ligações não atendidas e novas tentativas de localizar Joviana.
A Polícia Militar foi acionada pela família e os policiais foram até a residência do namorado. Joviana foi encontrada morta no imóvel.
O namorado, José Gustavo Rabelo de Souza, confessou o crime e foi preso. Conforme a investigação, ele teria utilizado um golpe conhecido como “mata-leão”. Após audiência de custódia, a Justiça decretou a prisão preventiva do suspeito, que foi encaminhado ao sistema prisional.
O caso é investigado como feminicídio.
Defesa contesta informações sobre a família
A defesa técnica de José Gustavo Rabelo de Souza afirma que o processo tramita sob segredo de justiça e pede responsabilidade na divulgação de informações sobre o caso.
Em nota, os advogados também afirmam que a família do suspeito não tinha conhecimento prévio do que havia ocorrido e que não participou de qualquer tentativa de ocultação ou acobertamento.
Segundo a defesa, José residia com a mãe e a avó e havia circunstâncias que fizeram com que os familiares não suspeitassem do ocorrido. A família teria tomado conhecimento dos fatos somente na manhã de segunda-feira, após o próprio José relatar o ocorrido.
Confira o texto da defesa na íntegra
A defesa técnica de José Gustavo Rabelo de Souza, diante das informações que vêm sendo divulgadas acerca do falecimento da jovem Joviana Evelyn Lankovski, ocorrido no município de Sangão/SC, vem, respeitosamente, prestar os seguintes esclarecimentos.
Inicialmente, a defesa manifesta suas mais sinceras condolências aos familiares e amigos de Evelyn, reconhecendo a profunda dor provocada por uma perda dessa natureza. Por respeito à vítima e aos seus familiares, a defesa entende que o momento exige, acima de tudo, responsabilidade, serenidade e respeito.
O processo tramita sob segredo de justiça, justamente para resguardar informações, documentos e elementos relacionados ao caso e às pessoas envolvidas. Por essa razão, a defesa entende ser necessário agir com a mesma responsabilidade e preservar informações que não podem ser expostas publicamente, especialmente aquelas que dizem respeito à intimidade dos envolvidos.
É importante, contudo, esclarecer uma informação que vem sendo divulgada de maneira imprecisa e que atinge diretamente a família de José Gustavo.
A família de José Gustavo não teve conhecimento prévio dos fatos e jamais participou de qualquer tentativa de ocultação ou acobertamento.
José residia com a mãe e a avó. Na rotina da residência, havia circunstâncias que contribuíram para que, naquele momento, não houvesse qualquer razão concreta para que familiares suspeitassem do que havia ocorrido. Entre elas, estão a dificuldade auditiva da mãe, circunstância de conhecimento público, e o fato de José permanecer com o quarto fechado durante períodos de descanso, comportamento que já fazia parte de sua rotina habitual.
A família somente tomou conhecimento dos fatos na manhã de segunda-feira, após o próprio José relatar o ocorrido. Tão logo teve conhecimento da situação, sua família o conduziu à Delegacia de Polícia, colocando-o à disposição das autoridades para que fossem adotadas as providências legalmente cabíveis.
Esse comportamento, por si só, demonstra a postura adotada pela família diante de uma situação extremamente grave e inesperada: não houve fuga, ocultação ou qualquer iniciativa destinada a impedir a atuação das autoridades. Ao contrário, houve a procura imediata da autoridade policial tão logo os familiares tiveram conhecimento dos fatos.
A família de José Gustavo também deseja deixar claro que não compactua, sob nenhuma circunstância, com qualquer forma de violência, especialmente contra mulheres. Ao mesmo tempo em que enfrenta a própria dor e o impacto causado por toda essa situação, manifesta profundo pesar pelo falecimento de Joviana Evelyn Lankovski e respeito absoluto à dor de seus familiares.
Quanto à dinâmica dos fatos, a defesa ressalta que qualquer conclusão responsável deve decorrer da análise integral e técnica do conjunto probatório, incluindo os elementos periciais e demais provas que integram a investigação. Antecipar conclusões enquanto as apurações ainda estão em curso não contribui para o esclarecimento dos fatos e pode gerar interpretações equivocadas. José Gustavo encontra-se preso preventivamente, à disposição do Poder Judiciário, e sua defesa seguirá atuando de maneira técnica e responsável, dentro dos limites impostos pelo segredo de justiça e em estrita observância aos princípios constitucionais do devido processo legal, contraditório e ampla defesa.
A defesa reafirma, por fim, que não pretende transformar a dor de nenhuma das famílias em objeto de disputa pública. Seu compromisso é exclusivamente com a verdade dos fatos, com o respeito às instituições e com o exercício legítimo da defesa, permitindo que as autoridades competentes realizem seu trabalho e que as conclusões sejam alcançadas a partir das provas produzidas regularmente.


