A Casas Bahia, que possui lojas espalhadas por todo o Brasil, deve mais de R$ 1 bilhão para empresas que possuem fábricas em Joinville, cidade do Norte catarinense e considerada a maior do estado. O valor foi informado no pedido de recuperação judicial da gigante varejista. Entre as credoras de Joinville estão a Whirlpool, dona da Brastemp e Consul, e a Britânia, dona da Philco. Empresas somam mais de 10 mil funcionários na cidade catarinense.
Para a Whirlpool, a Casas Bahia deve R$ 800.949.800, que configura no 11º lugar do ranking dos maiores credores da varejista. Já a Britânia tem R$ 354.786.056 a receber, estando na posição 18ª. Se somados os valores, são R$ 1,1 bilhão de dividendos da loja com as empresas com fábricas em Joinvile.
Veja lista dos principais credores da Casas Bahia
- Banco Digio S.A. – R$ 3.277.992.595
- Banco do Brasil S.A. – R$ 2.990.270.072
- Zurich Minas Brasil Seguros S.A. – R$ 1.977.313.799
- Banco Bradesco S.A. – R$ 1.504.226.797
- IBCB-AF01 Fundo de Investimento em Direitos Creditórios – R$ 1.085.199.837
- ICMS – R$ 1.049.858.144
- Samsung Eletrônica da Amazônia Ltda. – R$ 937.614.841
- Intra S.A. – R$ 928.064.945
- Parcelamentos estaduais – R$ 880.192.207
- Riza Agronegócio Gestora de Recursos Ltda.- R$ 803.805.363
- Whirlpool S.A. – R$ 800.949.800
- Redasset Gestão de Recursos Ltda. – R$ 708.039.413
- Electrolux do Brasil S/A – R$ 700.087.863
- LG Eletronics do Brasil LTDA – R$ 623.723.530
- Motorola Mobility Comércio de Produtos Eletrônicos – R$ 619.003.677
- MK BR S.A. – R$ 494.524.446
- Mapfre Seguros Gerais S.A. – R$ 388.000.000
- Britânia Eletrodomésticos S.A. – R$ 354.786.056
- Jive Investments Gestão de Recursos e Consultoria S.A. – R$ 354.215.016
Como é a fábrica Whirlpool em Joinville
Apesar de ter operações em países como Estados Unidos, México e Índia, é em Joinville, no Norte de Santa Catarina, que fica a maior fábrica de refrigeradores da Whirlpool. A empresa, detentora das marcas Consul, Brastemp e KitchenAid, produz uma diversa gama de produtos na unidade.
Na cidade desde 1950, apenas em 1971 a Whirlpool se instalou no atual Distrito Industrial. A mudança ocorreu com a construção da Fábrica 2.
Atualmente, a planta joinvilense conta com 7.400 funcionários, sendo 51% homens e 49% mulheres. Além disso, 60% dos trabalhadores são da região Sul, com grande destaque às pessoas vindas do Paraná. Os outros 40% vêm de todo o Brasil para trabalhar na empresa.
A unidade da maior cidade de Santa Catarina, localizada na Rua Dona Francisca, tem 90% de sua mão de obra dedicada à fabricação de refrigeradores frost free, aparelhos com tecnologia que impede o acúmulo de gelo. Apesar disso, a planta produz todo o tipo de produtos de refrigeração, como frigobar, freezer e cervejeira.
Os produtos demoram cerca de duas horas para serem produzidos. Porém, um produto mais complexo pode levar até quatro horas para passar por toda a linha de produção. De acordo com a companhia, 90% das peças que compõem os produtos da Whirlpool são feitas internamente.
Britânia em Joinville emprega cerca de 4 mil pessoas
Em Joinville, a fabricante abriga um importante polo de sua empresa, onde estão instalados a planta fabril, centro de distribuição e armazém geral. Ao NSC Total, a assessor afirmou que dos mais de 10 mil funcionários empregados pela Britânia no Brasil, quase metade, mais de 4 mil, estão no município catarinense.
As linhas de produção são itens de ventilação, cozinha, linha branca (como ventiladores, batedeiras, liquidificadores, forno, tanquinho e outros). Há também unidades da Britânia em Curitiba (PR), onde fica a sede administrativa, e em Linhares, no Espírito Santo, onde fica um centro de distribuição da marca.
O que diz a Casas Bahia sobre a recuperação judicial
O pedido de recuperação judicial foi ajuizado em um contexto de deterioração das condições econômicas e financeiras enfrentadas pela companhia, informou a Casas Bahia em comunicado. “[A empresa] foi impactada, dentre outros fatores, pelo ambiente macroeconômico desafiador, marcado por patamares elevados de taxas de juros, restrição de crédito, aumento do custo financeiro e pressão sobre o consumo e o capital de giro aliados à não concretização de alternativas de liquidez que vinham sendo estruturadas pela companhia”, diz.
Ainda, informou que no cenário de liquidez restrita, o ajuizamento do pedido de recuperação judicial se mostra necessário e configura mais um passo na direção da reestruturação financeira da empresa, que busca preservar a continuidade das atividades empresariais, proteger a geração de valor futuro e viabilizar uma solução ordenada para o equacionamento de suas obrigações.
Também cita que, durante o curso do processo de recuperação, a companhia pretende manter suas operações em todos os seus canais existentes, priorizando o atendimento a seus clientes e consumidores, sem interrupções relevantes, e nos níveis de qualidade e serviço atualmente existentes.
A empresa ainda informou que, com a readequação de sua estrutura operacional, centralizada em operações mais rentáveis e com maiores margens de contribuição, aliada ao reperfilamento e alongamento de suas dívidas financeiras e operacionais, a Companhia vai buscar por meio do processo de reestruturação organizado, uma solução definitiva para as questões envolvendo sua estrutura de capital. “A companhia manterá seus acionistas e o mercado devidamente informados acerca de quaisquer desdobramentos relevantes relacionados ao assunto”, finaliza.




















