“Lençóis Manezinhos” preocupam especialistas após chuvas em dunas em Florianópolis encantarem turistas; entenda motivo

Pesquisadores alertam para cuidados contra contaminação de banhistas, fauna e flora nas Dunas da Lagoa da Conceição

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Área de despejo de esgoto ameaça "Lençóis Manezinhos" e preocupa especialistas

Lagoa de despejo de esgoto tratado fica dentro de Parque de Dunas da Lagoa da Conceição (Foto: Josué Betim e Harleson Libório)

Parque Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição, ganhou o apelido de “Lençóis Manezinhos” ou “Lençóis Joaquinenses”, após acumulo de água devido as chuvas que atingiram Florianópolis no mês de agosto, transformarem o local em uma cenário de filme. Mas o que preocupa especialistas, é a proteção dessas áreas e o cuidado que deve ser tomado para evitar contaminação ambiental e dos visitantes.

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Em 1990, a a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) instalou uma lagoa de Evapoinfiltração no Parque das Dunas, a estação de tratamento de esgoto das Rendeiras (ETE-Rendeiras), onde os lençóis se formam nas épocas de chuva. A estrutura é usada como depósito de esgoto tratado e precisa de manutenção constante para reduzir os impactos à natureza.

Entretanto, de acordo com o professor adjunto do departamento de Ecologia e Zoologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e principal investigador do Laboratório de Diversidade & Conservação (divEcon-UFSC), doutor Eduardo Luís Hettwer Giehl, as águas do depósito podem escoar para as lagoas próximas, contaminando as águas e as espécies presentes no local.

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“A lagoa de evapotranspiração (laranja amarelado), tem bem próximas várias lagoas menores (laranja avermelhado), que fazem parte dos “lençóis manezinhos”. Mas dá pra ver que estão com muito mais vegetação no entorno, que pode ser sinal de eutrofização, que contrastam com outras lagoas próximas, sem tanto verde no entorno (verde)”, disse.

O processo de eutrofização é explicado pelo pesquisador como uma fertilização alta e abrupta de um sistema, mas com efeitos indesejados. Nessas condições, o excesso de nutrientes nas águas agilizam o crescimento e expansão de algas e outros organismos, que geral um maior consumo do oxigênio disponível.

“Nos casos mais graves, geralmente há grande mortalidade de peixes e outros organismos, “sufocados” pelo baixo oxigênio”, afirmou Eduardo.

Veja fotos dos Lençóis Manezinhos

A saúde dos visitantes também pode ser colocada em risco

Já para o biólogo e diretor do Instituto de Ecologização de Mares, Campo e Cidades da UFSC, Paulo Horta, um dos grandes problemas da presença da estação de tratamento no Parque das Dunas, é a possível infecção de visitantes que planejam entrar nos “Lençóis Manezinhos”:

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“Nadar nas águas da região pode representar risco. Algumas lagoas estão sendo contaminadas por lançamento de efluente tratado da estação. As lagoas que recebem o efluente da ETE já perderam boa parte da biodiversidade e não podem ser utilizadas por banhistas”, informou.

Outra problemática apresentada pelo biólogo é a contaminação das lagoas por sistemas sanitários de fossas e sumidouros, de moradias próximas.

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“Esses sistemas sem a devida manutenção, em áreas adensadas com lençol subterrâneo raso, podem representar importante fonte alternativa de contaminação. Para mitigar danos e elevar a segurança sanitária dos usuários, é muito importante iniciarmos o monitoramento sistemático da balneabilidade por parte do Consultas IMA”, afirmou.

O IMA, é o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina que protege o meio ambiente, assegurar o uso adequado dos recursos naturais, a conservação e a recuperação dos ecossistemas, contribuindo para a sustentabilidade e qualidade ambiental.

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Local já sofreu contaminação anterior

Segundo o Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos de 2021, ano em que a Lagoa da Conceição sofreu com inundação, a vulnerabilidade destes sistemas às chuvas intensas e os efeitos de um possível rompimento são pouco estudados.

Na época, a estrutura da ETE estourou e água e esgoto invadiram a Lagoa da Conceição e bloqueou o transito do local e causou riscos ecológicos na biodiversidade do parque.

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Pesquisas devem ser realizadas para proteger o local

Ambos os especialistas, Eduardo Giehl e Paulo Horta, defendem a necessidade de cuidados especiais para manter as condições sanitárias e ambientais das Dunas da Lagoa da Conceição.

Como principal investigador do divEcon-UFSC, Eduardo defende que a melhor solução para a fauna e flora local, seria uma avaliação mais bem feita das espécies presentes, e um ordenamento no uso humano das lagoas.

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“De forma sintética, o levantamento das espécies precisaria envolver um grupo grande de pesquisadores, especialistas em diferentes grupos biológicos. Se houver interesse e investimento, isso pode ser realizado de forma mais rápida”, comentou.

Paulo concorda com o colega e afirma a urgência de demarcação das lagoas contaminadas pela ETE, para evitar contato direto e eventuais ameaças à saúde de banhistas.

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“Assim poderemos garantir a segurança de usuários e banhistas, assim como a saúde dos nossos Lençóis Manezinhos”, afirmou Paulo.

O Parque das Dunas da Lagoa da Conceição, tem acesso aberto e gratuito ao público, recebendo turistas para admirar a beleza do local e realizar atividade de Sandboard e Skibunda, “esquiando” na areia com apoio de pranchas especiais para deslizar nas dunas.

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“Se a área que já é um cartão postal do município pode e deve ser ainda mais valorizada, deveria receber investimentos para isso ser feito de forma adequada”, disse Eduardo.

*Sob Supervisão de Nicoly Souza