Em 2026, a Serra catarinense já registrou, de acordo com levantamento da Epagri/Ciram, 42 dias com temperaturas negativas, e o inverno ainda nem terminou. As baixas temperaturas e os fenômenos relacionados ao frio atraem turistas todos os anos para diversas cidades da região.
O turismo de inverno, como é chamado, reúne entusiastas do frio que vem de diferentes lugares para curtir termômetros negativos, geada e se tiver sorte, até alguns flocos de neve. E as baixas temperaturas movimentam a roda da economia serrana de diferentes maneiras, desde o turismo, o comércio, a venda de produtos da estação e eventos realizados durante o inverno.
Turismo de inverno coloca a Serra de SC em foco
O inverno é considerado a alta temporada na Serra Catarinense, sendo o momento que mais atrai turistas no ano e quando o setor hoteleiro registra as maiores taxas de ocupação. A movimentação se deve à uma soma de fatores: as baixas temperaturas, os eventos que acontecem na região e o período de férias escolares no mês de julho.
De acordo com a pesquisa da Fecomércio realizada na temporada de 2025, mais de um milhão de visitantes passaram pela Serra Catarinense no último inverno. Quatro em cada dez deles vieram de outros estados do Brasil. Ainda não existem estatísticas oficiais relativas ao ano de 2026, pois a estação ainda não encerrou.
O perfil dos turistas varia entre famílias, casais, grupos de amigos e excursões, que permanecem na região por uma média de três dias. Entre hospedagem, alimentação, lazer, transporte e comércio, o gasto médio por visitante foi de R$ 3.550.
Os pontos turísticos mais visitados foram o Morro da Igreja, a Serra do Corvo Branco, a Serra do Rio do Rastro, a Cascata do Avencal, o Morro do Campestre, a Praça João Ribeiro em São Joaquim, a Cascata Véu de Noiva, a Vinícola Villa Francioni, a Pousada Rural Sesc Lages e a Gruta Nossa Senhora de Lourdes.
Produtos direto da Serra
O inverno também impacta o comércio das cidades da região serrana. Ainda de acordo com a pesquisa da Fecomércio, 15% das empresas aumentam a contratação para atender a demanda da estação, contribuindo para a renda dos moradores.
Entre os maiores gastos dos turistas além da hospedagem estão a alimentação, a compra de vestuário e calçados, e a compra de lembrancinhas e produtos típicos como queijo, mel e salame. Afinal, quem visita quer levar um pedacinho da Serra catarinense consigo.
Tais produtos também são bastante visados pelos próprios moradores da região. As vitrines das lojas de roupas se enchem de casacos, botas, cachecóis e roupas térmicas, produtos considerados essenciais durante o inverno.
Já as comidas típicas fazem parte do dia a dia do serrano. Inclusive, cinco produtos tradicionais da serra receberam Indicações Geográficas, que demarcam a qualidade e a exclusividade dos Vinhos de Altitude, do Frescal de São Joaquim, do Mel de Melato da Bracatinga, do Queijo Serrano e da Maçã Fuji de São Joaquim.
Eventos tradicionais
Duas das culturas mais simbólicas do inverno na Serra Catarinense, o pinhão e a maçã, além de serem parte importante da economia da região, também dão origem a duas grandes festas que integram moradores e turistas.
Embora não aconteçam oficialmente no inverno, e sim no outono, a Festa da Maçã e a Festa do Pinhão têm o histórico das baixas temperaturas e são consideradas a abertura da estação para o setor turístico, com grandes atrações culturais e a gastronomia típica da região.
A Festa Nacional da Maçã, realizada em São Joaquim, fez história em 2026, com uma movimentação de cerca de 40 mil pessoas durante os quatro dias de festejo. O evento também comemorou os 139 anos do município, com diversas atrações regionais e nacionais que aqueceram as noites de temperaturas negativas.
Já a Festa Nacional do Pinhão, que tem uma duração maior, reuniu cerca de 380 mil pessoas em Lages, das quais pelo menos 54 mil eram turistas de mais de 20 estados. O evento movimentou cerca de R$ 90 milhões com 17 dias de programação que envolveram shows nacionais, apresentações tradicionalistas e gastronomia típica.
Além das duas grandes festas nacionais, a Serra Catarinense também é palco de muitas festas tradicionais, como a Mostra do Campo de Bocaina do Sul e o Painelaço, em Painel, e festivais de diversos tipos, com atrações para todos os gostos.










