Arqueólogos descobrem na Espanha a biblioteca romana mais antiga já documentada na Península Ibérica

Escavações em Valência identificam acervo do século I a.C., revelando tesouros da história da Península Ibérica e o impacto da Roma Antiga no território 

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Vista das estruturas preservadas da Villa Romana de Fuente Álamo, em Puente Genil, na província espanhola de Córdoba. (Foto: Wikimedia Commons)

Uma descoberta arqueológica na Espanha está ajudando pesquisadores a compreender melhor a relação entre as elites romanas e a cultura escrita. Um estudo da Universidade de Granada identificou uma antiga sala da Villa Romana de Fuente Álamo, em Puente Genil, na província de Córdoba, como uma biblioteca romana.

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Segundo os pesquisadores, o espaço pode ser a biblioteca mais antiga documentada até hoje na Península Ibérica e uma das bibliotecas privadas mais bem preservadas conhecidas do mundo romano. A pesquisa foi publicada no Journal of Mediterranean Archaeology.

Uma sala que escondia outra função

Durante anos, os arqueólogos interpretaram a chamada Sala 10 de Fuente Álamo como um possível mitreu, espaço relacionado ao culto do deus Mitra. Uma nova análise da arquitetura, porém, levou os pesquisadores a uma conclusão diferente.

O estudo foi desenvolvido por Antonio López García, Javier Martínez-Jiménez e Eduardo Cerrato Casado, pesquisadores ligados às universidades de Granada e Córdoba. Eles utilizaram uma metodologia conhecida como “gramática de formas”, que permite analisar a maneira como diferentes elementos arquitetônicos se combinam dentro de um ambiente.

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Entre os elementos estão um ábside, nichos retangulares que poderiam receber estantes, nichos semicirculares, um pódio e salas auxiliares. Para os pesquisadores, a combinação desses elementos é mais compatível com um espaço destinado à leitura e à cultura escrita do que com um santuário dedicado a Mitra.

Biblioteca privada de uma família romana

Ao contrário da imagem de uma grande biblioteca pública, o espaço de Fuente Álamo provavelmente fazia parte de uma residência de uma família romana de prestígio.

A descoberta revela que a cultura escrita também ocupava um lugar importante nas propriedades rurais das elites da Hispânia romana. O ambiente poderia ter servido para leitura, estudo, armazenamento de obras e exibição de conhecimento.

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A identificação é especialmente relevante porque bibliotecas romanas costumavam utilizar elementos de madeira para guardar seus livros, e esses materiais raramente sobrevivem ao passar dos séculos. Por isso, a preservação da estrutura arquitetônica de Fuente Álamo oferece aos arqueólogos informações valiosas sobre como esses ambientes eram organizados.

Uma biblioteca do século IV

A descoberta também muda a cronologia apresentada anteriormente para o local. De acordo com as pesquisas divulgadas em 2026, a sala teria sido remodelada por volta do século IV d.C. para funcionar como biblioteca.

A própria Villa Romana de Fuente Álamo teve diferentes fases de ocupação. O complexo alcançou grande importância durante a Antiguidade Tardia, período em que a cultura escrita continuava associada ao prestígio das elites romanas.

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Por isso, a descoberta não corresponde a uma biblioteca construída no século I a.C., como inicialmente se chegou a afirmar. A evidência atualmente disponível aponta para uma transformação do espaço durante o século IV d.C.

A mais antiga da Península Ibérica

Os pesquisadores consideram a biblioteca de Fuente Álamo a mais antiga documentada na Península Ibérica e destacam também seu excepcional estado de conservação.

A estrutura é particularmente importante porque permite observar elementos arquitetônicos que ajudam a identificar a função de uma biblioteca romana, mesmo sem a preservação das estantes e dos materiais que originalmente poderiam ter sido armazenados no local.

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A comparação costuma ser feita com a Villa dos Papiros, em Herculano, onde muitos papiros sobreviveram, mas a estrutura física destinada ao armazenamento não está preservada da mesma maneira.

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