Prefeitos e vereadores dão péssimo exemplo com posses presenciais em SC

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Câmara de Vereadores de Joinville (Foto: Mauro Schlieck, CVJ, Divulgação)

Entre tantas lições que 2020 nos ensinou, uma delas é que quase tudo pode ser resolvido online. O ano teve encontro de família à distância, reunião de empresa por aplicativo, formatura e até casamento celebrado pela tela de um computador. Por isso, parece tão fora de propósito que algumas cidades de Santa Catarina tenham mantido eventos presenciais para a posse de prefeitos, vices e vereadores neste 1º de janeiro. E, em alguns casos, com convidados.

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A posse é uma das formalidades do processo eleitoral. Antes dela, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) faz a proclamação dos resultados e a diplomação dos eleitos – o que, desta vez, também teve diferentes modelos no Estado. Houve diplomação presencial, semipresencial e 100% virtual em dezembro.

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A última etapa é a cerimônia de posse, que a Constituição Federal estabelece que seja organizada pelo Legislativo. Nas cidades, cabe à Câmara de Vereadores. Trata-se de uma sessão solene, em que prefeito, vice e parlamentares são investidos do cargo – um rito democrático, portanto. Mas nada que não possa ser feito à distância em época de pandemia.

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Desta vez, a posse coincide com um momento em que o sistema de saúde está sobrecarregado em SC, e mais de 5 mil famílias choram a morte de um catarinense que foi vítima da Covid-19. Doze, das 16 regiões do Estado, seguem em nível gravíssimo de risco.

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As solenidades selarão um processo eleitoral que foi marcado pelo fiasco. Teve candidato que desrespeitou as regras sanitárias ao longo de toda a campanha, e eleitos que fizeram festa e aglomeração depois da divulgação dos resultados.

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O mau exemplo nas eleições ajudou a aprofundar a crise de autoridade vivida no Estado e deu argumentos para quem, cansado das medidas restritivas, já andava ansioso por ‘chutar o balde’. 

Com a cerimônia marcada, e convidados escalados – mesmo em cidades que estão em nível gravíssimo de risco, como Joinville e Itajaí – os prefeitos perdem autoridade para cobrar dos cidadãos que não aglomerem e para fiscalizar os eventos clandestinos que abundam neste Réveillon.

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As posses presenciais, depois de um ano em que os catarinenses abriram mão de todo tipo de confraternização, e as empresas que promovem eventos estão sob graves dificuldades financeiras, mostram governantes desconectados da realidade. Não há dúvidas de que se trata de um ato simbólico e histórico, mas esta não é uma virada de ano normal. Mais importante do que garantir a foto da cerimônia deveria ser governar e legislar com espírito público. Desde o primeiro dia. 

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