A decisão do governo dos Estados Unidos de taxar novamente a economia brasileira com 25% para importações do país, o chamado “Segundo Tarifaço” motivou nota de preocupação da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc).
Em comunicado sobre o assunto, a entidade destaca o resultado do estudo feito por ela, segundo o qual 54,5% da pauta de exportação do estado aos EUA será afetada pelas novas alíquotas.
– O tamanho do mercado americano dá aos Estados Unidos uma elevada capacidade de negociação com qualquer parceiro do mundo. Por isso, a Fiesc esperava do governo federal mais empenho diplomático e técnico e menos discurso de soberania – afirmou o industrial Gilberto Seleme, presidente da Fiesc.

A entidade também enviou outro recado ao governo federal: de que este não é o momento de acionar mecanismos de reciprocidade tarifária, que pode agravar ainda mais a situação da economia brasileira.
– A Fiesc e a CNI mantiveram, nos Estados Unidos, esforços intensos de diplomacia empresarial para reverter a recomendação do USTR ao presidente Trump, mas a falta de humildade política do governo federal comprometeu o resultado dessa articulação – avaliou Gilberto Seleme.
Impacto maior na Serra de SC
A expectativa da Fiesc é que este “Segundo Tarifaço” vai repetir os efeitos do primeiro, que no período de agosto de 2025 a fevereiro de 2026 derrubou em 38% a receita das exportações de SC aos Estados Unidos. Também impediu a geração de 7,6 mil novos empregos diretos.
Considerando a taxação já em vigor pela Seção 232, para alguns setores, que afeta 40% das vendas aos EUA, o impacto das tarifas vai afetar 94% do total exportado por SC ao mercado americano. A Fiesc vê impacto negativo maior no estado para as regiões Serrana, Planalto Norte e Oeste.
Gilberto Seleme chama a atenção também ao fato o tarifaço gerar também inflação nos EUA porque eles passam a enfrentar insumos mais caros. Para ele, isso deveria ser considerado pelo governo americano.
Os produtos de SC mais exportados aos EUA
Programa Destarifaço
Diante da nova realidade, a Fiesc vai apoiar a indústria novamente lançando uma nova fase do Programa Destarifaço. No primeiro, mais de 500 empresas foram atendidas com esse objetivo.
Além disso, a entidade seguirá mobilizada junto aos governos do estado e governo federal, a diplomacia empresarial e ao setor produtivo para seguir na busca de medidas que melhorem a competitividade da indústria estadual. A intenção é restabelecer relações melhores com os EUA para voltar a exportar para eles em melhores condições.
Governo de SC diz que estuda medidas contra tarifa dos EUA
Em nota, o governo de Santa Catarina informou que “está realizando o levantamento de dados para dimensionar os impactos efetivos da medida sobre a economia catarinense”. Equipes técnicas estaduais estão em tratativas com as da Fiesc para, segundo o governo, “estudar eventuais medidas que possam mitigar os efeitos da decisão”.
“No ano passado, diante do primeiro bloqueio tarifário, o Governo de Santa Catarina adotou um pacote emergencial de apoio aos setores mais afetados, estruturado em três frentes: a liberação de créditos acumulados de exportação, a postergação do pagamento do ICMS e a oferta de linhas especiais de financiamento por meio do BRDE”, relembrou.
As medidas de 2025 representaram aproximadamente R$ 435 milhões em apoio financeiro e tributário aos negócios impactados, informou o governo.










