O anúncio do governo de Donald Trump de nova tarifa de 25% aos produtos brasileiros em função da Seção 301 vai impactar em 54% do valor das vendas catarinenses aos Estados Unidos, apurou análise da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), liderada pelo economista-chefe da entidade, Pablo Bittencourt. Segundo ele, SC será um dos estados mais impactados pelas taxações dos EUA porque somente 5,2% das vendas ficarão isentas, após a divulgação da lista de exceções na madrugada de hoje. Isso porque com as taxas da Seção 232 em vigor, 94% das exportações de SC ao país serão impactadas.

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É que além dessa nova taxação de 25%, uma parte de setores industriais do estado já enfrenta a Seção 232, que tem continuidade. Como o escritório de comércio do governo americano (USTR) ampliou um pouco a lista de exceções, para SC essas passaram do valor de vendas de 3,4% para 5,2%.

– A primeira taxa adotada pelos Estados Unidos foi da Seção 232, que colocou tarifas mundiais, algumas de 25, algumas de 50%. Nesse grupo entraram taxas para produtos da Tupy e de outras indústrias de Santa Catarina. Essa Seção abrange 40% das vendas de SC para o mercado americano – explica Pablo Bittencourt.

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Assim, incluindo esses 40% mais os 54% da nova tarifa, significa que as taxações de Trump passarão a impactar a partir do dia 22 de julho 94% do total de receita de vendas de SC aos EUA, restando apenas a isenção de 5,2%.

– Considerando a nova lista de exceções, aparentemente, o que importa para Santa Catarina é o setor de pesca. Pescados congelados ficaram isentos, mais um produto de madeira (compensado de madeiras tropicais) e uma pequena quantidade de produtos de silicone. Essas foram as novidades diante da recomendação de exceções do USTR um mês atrás – observa o economista-chefe da Fiesc.

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Na nova lista de exceções ao Brasil se destacam produtos como petróleo, suco de laranja e café, que são importantes para o consumidor americano e, se fossem taxados, gerariam inflação. Mas olhando para a lista das exportações de Santa Catarina, quase nada ficou isento, observou Pablo Bittencourt.

O economista avaliou ainda que Trump vem fazendo uma escalada de taxas. Começou com a Seção 232 no ano passado, anunciou tarifas de 10% para o Brasil, depois mais 40%. Em fevereiro, a Suprema Corte dos EUA derrubou os 50% e Trump adotou mais 10%. Agora, são mais 25% e logo mais virão mais 12,5%, definidas para punir um grupo de país sobre a alegação de que compram de quem tem trabalho forçado.

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Em estudo sobre essa nova tarifa de 25%, a Fiesc apurou que 81% dos mais de 1.300 produtos exportados aos EUA serão taxados. Esse estudo apurou também que o estado poderá deixar de gerar de 20 mil a 25 mil empregos diretos em função dessas medidas durante um ano ou um ano e meio.