Os Estados Unidos confirmaram na noite desta quarta-feira (15) a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros no âmbito da investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) e acatada pelo presidente Donald Trump.

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— Tentamos negociar formas de mitigar políticas do governo do Brasil (…) O Brasil ofereceu benefícios ao México e à Índia, e não recebemos o mesmo tratamento — disse o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, em entrevista coletiva, conforme o Estadão.

Segundo representantes do escritório, nas próximas horas, serão divulgados detalhes e uma lista oficializando os produtos que serão afetados no Federal Register, uma espécie de Diário Oficial.

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A investigação, anunciada no início de junho, foi acompanhada por uma série de negociações entre os governos brasileiro e americano na tentativa de evitar a medida. Na última terça-feira (14), representantes brasileiros se reuniram pela quinta vez com Jamieson Greer, para defender que as tarifas são “injustificadas”.

No que consistia a investigação dos EUA contra o Brasil

Os Estados Unidos anunciaram a investigação do Brasil sob a Seção 301 por supostos atos e políticas do governo brasileiro que seriam “irrazoáveis” e onerariam ou restringiriam o comércio norte-americano. A investigação concentra-se em:

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  • reivindicações das big techs americanas sobre regulação no setor no Brasil.
  • PIX, sob a alegação de que o sistema prejudica empresas norte-americanas de cartões de crédito;
  • desmatamento ilegal, apontando uma suposta falta de eficácia na fiscalização que resulta na exportação de produtos agrícolas.

Conforme a avaliação de negociadores brasileiros envolvidos nas conversas, ouvidos pelo g1, foi possível obter avanços juntos ao governo americano nas conversas. Entretanto, desde maio, os representantes da Casa Branca passaram a se mostrar “inflexíveis”, apresentando questões “inegociáveis” para o Brasil, como mudanças no Pix e na legislação sobre minerais críticos.

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Governo brasileiro vê impacto limitado

O Ministério da Fazenda já havia avaliado, no Boletim MacroFiscal de julho, que o impacto macroeconômico de eventuais novas tarifas americanas sobre a economia brasileira tende a ser reduzido. Segundo a Secretaria de Política Econômica (SPE), as exportações brasileiras demonstraram resiliência após o primeiro tarifaço, com recuperação gradual desde novembro do ano passado.

De acordo com a análise, os Estados Unidos responderam por cerca de 11% das exportações brasileiras em 2025, o equivalente a menos de 2% do PIB antes do primeiro choque tarifário. A SPE afirma que parte das perdas foi compensada pelo redirecionamento das exportações para outros mercados.

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“Como o mercado americano respondeu por cerca de 11% das exportações brasileiras em 2025, equivalentes a menos de 2% do PIB antes do choque, e o redirecionamento das vendas para outros destinos compensou parte relevante da perda, o efeito direto sobre a atividade foi limitado e tende a continuar desta forma”, afirma análise da Secretaria de Política Econômica (SPE), publicada no “Boletim MacroFiscal.

O documento também destaca que a proposta de tarifas apresentada pelos EUA prevê “exceções para diversos produtos, o que tende a manter o impacto agregado modesto”.

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Quais os impactos previstos no Brasil e em SC

A decisão reforça a preocupação da indústria brasileira. Projeções da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que mais de 4 mil produtos exportados pelo Brasil serão afetados, o equivalente a quase US$ 15 bilhões em exportações.

Essa lista, que inclui molduras de madeira, tabaco, ferro-gusa, açúcar bruto e alumínio, entre outros produtos, inclui 13 de 15 produtos em que o Brasil é um dos três principais fornecedores dos EUA, segundo a CNI.

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Em Santa Catarina, a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) estima impacto sobre mais de 80% dos produtos exportados por Santa Catarina ao mercado americano, em valores cerca de 56% do valor total das exportações para o país.

Dos mais de 1,3 mil produtos exportados por Santa Catarina aos Estados Unidos, 518 terão perda adicional de competitividade em relação ao primeiro tarifaço, conforme a Fiesc. Entre os produtos com perda de competitividade estão portas, caixilhos e soleiras de madeira, obras de marcenaria para construção, sacos de papel ou cartão, obras em madeira e sacos e bolsas de polietileno.

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Os produtos de SC mais exportados aos EUA