Por que o setor de café pode ser menos afetado pelo tarifaço

Preços em queda e perfil de consumo que não varia tanto devido aos preços são condições que podem favorecer o setor de café frente ao tarifaço

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José Messias, gestor de Trade Marketing do Grupo Três Corações, maior empresa do setor de café no Brasil, falou com a coluna durante a Expert XP, em São Paulo (Foto: Estela Benetti)

Entre os produtos alimentícios que chamaram a atenção por ficarem fora das exceções dos EUA está o café, muito exportado ao mercado americano e a outros porque o Brasil é o maior produtor global. Mas apesar do peso da alíquota de 50%, o setor pode ter um impacto negativo menor do que outros nos EUA por duas razões: o preço mundial está em queda e o consumo de café cai menos diante de alta de preços, o que em economia se chama de consumo “inelástico”.

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O setor segue articulando para derrubar o tarifaço de 50%, mas a possibilidade de que o impacto pode não ser grande nos EUA no atual cenário é colocada pelo executivo José Messias, gerente de Trade Marketing do grupo Três Corações, a maior empresa de café do Brasil, que fatura mais de R$ 10 bilhões por ano.

Nos últimos 12 meses até junho, segundo o IPCA, do IBGE, o preço do café moído no Brasil teve alta acumulada de 77,88%. Apesar desse crescimento, no primeiro semestre de 2025, as vendas da Três Corações cresceram 25% em São Paulo, por exemplo, destacou José Messias.

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Os preços do café estão em queda em função da melhor safra deste ano no Brasil e em outros países produtores. Para se ter ideia de como os preços variaram no Brasil, um pacote de R$ 500 gramas de café moído estava em R$ 17,00 nos supermercados no começo de 2024.

Com a crise da oferta de produto no ano passado, subiu para perto de R$ 40,00. Agora, os preços já estão em queda, mas não devem voltar aos R$ 17,00. Poderão ficar em torno de R$ 30,00 ou um pouco mais baixo, comenta José Messias.

Diante desse cenário, o café que vai para os EUA também está ficando mais barato. O mercado americano é o principal destino do café brasileiro exportado. No ano de 2024, do total vendido no exterior, 16,5% foram para os EUA, segundo a Embrapa. O produto brasileiro responde por 33% do volume importado pelo mercado americano.

Além disso, a China também está comprando mais. No mesmo dia em que Donald Trump anunciou a entrada em vigor do tarifaço, o governo chinês autorizou 183 empresas brasileiras exportarem café ao país, informou a Agência Brasil.

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A embaixada chinesa no país informou que o mercado tem grande potencial de crescimento porque, em média, os chineses tomam 16 xícaras por ano de café per capita. A média mundial é de 240 xícaras por ano.

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