Projeto do IFSC Florianópolis transforma carros a combustão em elétricos

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O EV-IFSC, primeiro carro protótipo construído no laboratório do instituto (Foto: IFSC, Divulgação)

A aceleração da mobilidade elétrica no mundo colocou a Tesla no topo das montadoras em valor de mercado e motivou a proibição da venda de novos carros à combustão a partir de 2025 na Noruega e de 2030 no Reino Unido, para reduzir emissões no meio ambiente. Mas como um país em desenvolvimento pode seguir essa tendência diante dos altos preços dos novos carros elétricos?

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Para a equipe do Laboratório de Mobilidade Elétrica (Emol) do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) em Florianópolis, a forma mais rápida de ampliar o número de veículos elétricos com um custo acessível é converter os que são movidos a combustão para tração elétrica. Mas com tecnologia mais ampla e sofisticada do que as conversões para gás natural veicular. Para isso, o laboratório começa o Projeto de Mobilidade Elétrica Aneel-IFSC-Celesc.

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O foco do trabalho é desenvolver tecnologias para conversão de veículos do setor público, mas o conhecimento será aberto também ao setor privado, podendo motivar novas montadoras começando como startups, fornecimento de peças e soluções tecnológicas, informa o coordenador da pesquisa, professor Adriano Andrade Bresolin, do Departamento de Eletrotécnica.

O projeto de pesquisa e desenvolvimento (P&D) foi aprovado em chamada pública da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e será realizado em parceria com a Celesc, estatal de energia de Santa Catarina. Terá, também, apoio financeiro da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), da qual o IFSC é uma unidade.

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O trabalho ficou parado meses em função da pandemia, está sendo retomado agora e será desenvolvido em 2021 e 2022. O edital da Aneel, voltado ao incentivo à inovação, definiu R$ 6,5 milhões para a iniciativa, sendo R$ 5,6 milhões da Celesc e R$ 1 milhão da Embrapii. A equipe, além de Bresolin, é integrada pelos professores Marcelo Vandresen e Erwin Werner Teichmann, do departamento de Metal Mecânica do IFSC, 9 professores de outros departamentos do Campus, 4 servidores, mais 30 estudantes de graduação e pós-graduação e conta com cinco engenheiros da Celesc. Além disso, outros estudantes devem ingressar no grupo.

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As pesquisas são realizadas no laboratório do IFSC que fica na unidade da Avenida Mauro Ramos, centro de Florianópolis. O laboratório já montou o primeiro carro protótipo elétrico, o EV-IFSC, que permitiu o uso de diversas tecnologias, observa o professor Bresolin. Os estudantes fizeram tudo no minicarro, desde o chassi para acoplar as baterias, a inclusão do motor elétrico e do inversor doados pela WEG, até o design. Agora, o grupo acaba de recebeu dois veículos da Receita Federal para converter. Também tem projeto para trasnformar em elétrico um veículo do governo do Estado.

– O nosso posicionamento é construir as startups brasileiras. Temos uma juventude com uma capacidade de programação muito boa, nossos alunos são espetaculares. Além disso, tem uma gama de equipamentos, motores, inversores, bateria, carregador e outros para desenvolver. Vai surgir uma nova indústria nacional em função dos veículos elétricos. Se não aproveitarmos fazer isso agora, vamos virar meros expectadores de veículos importados – alerta Bresolin.

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Segundo ele, o plano do IFSC, que tem apoio especial da reitoria da instituição e do diretor geral do campus Florianópolis, professor Zízimo Moreira Filho, é oferecer cursos de especialização e mestrado em mobilidade elétrica porque haverá uma grande demanda por esses profissionais num futuro próximo. Além do EV-IFSC, o laboratório pesquisa bicicletas, motocicletas, drones e barcos, todos com mobilidade elétrica.

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De acordo com o professor Erwin Teichmann, que antes de entrar no IFSC trabalhou como engenheiro na Renault, a pesquisa também vai permitir criar normas para que, no futuro, oficinas do país façam a conversão de carros a combustão em elétricos. Ele e Bresolin tiveram uma reunião virtual com a empresa Dana, do Canadá, que vem convertendo caminhões a combustão em elétricos com sucesso, tanto no Canadá, quanto no Brasil.

– Infelizmente, não temos um foco tecnológico para o carro elétrico no Brasil. A Europa está focada na questão ambiental. Os governos de lá estão dando muito subsídio para mobilidade elétrica – afirma Erwin Teichmann.

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As conversões de veículos para elétricos, atualmente, custam de R$ 50 mil a R$ 60 mil. Se feitas em série, podem ser parceladas para o consumidor. É uma solução mais acessível do que um carro novo porque o mais barato, no Brasil, custa hoje cerca de R$ 150 mil. 

Segundo os professores, o valor da conversão se paga rápido na economia de combustível porque o custo da energia para abastecer o carro é 80% mais barato do que usar gasolina. Para cada litro de gasolina, o carro elétrico gasta R$ 0,70. O gás natural veicular proporciona economia da ordem de 20% e o etanol, na maior parte do Brasil, é 5% mais econômico que a gasolina. E quem tem a usina fotovoltaica em casa ou usa carregador de posto que tem o serviço gratuito, acaba não tendo custo de energia. E quando falta energia em casa, o carro elétrico pode colocar eletricidade na rede caso esteja com as baterias carregadas.

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Ao mesmo tempo em que desenvolve a pesquisa, o grupo do IFSC diz que é necessário elaborar uma legislação para carros convertidos a elétricos. Bresolin afirma que o plano é fazer uma legislação estadual, para experimentar o modelo primeiro regionalmente. Erwin Teichmann pesquisou pelo mundo e concluiu que apenas a França tem uma legislação parcial específica para carro convertido a elétrico. 

Um dos próximos passos, será a assinatura do projeto de pesquisa com a Celesc, o governo do Estado e Embrapii. O grupo também está em contato com uma série de parceiros para o fornecimento de peças. A Renault doou um motor elétrico, a gaúcha Fueltech doou injeção eletrônica e um aluno do IFSC, que é detentor de uma patente de câmbio automático CTT, também participa do projeto. WEG, Dana, Marcopolo e empresas chinesas de baterias também foram convidadas a colaborar com o projeto.