A reunião entre os presidentes Lula e Donald Trump na Malásia, neste domingo, superou expectativas pelas conversas de interesses dois países. Por isso, trouxe novo cenário de esperança pelo fim do tarifaço. Nesta segunda-feira já aconteceu a primeira reunião de trabalho entre as equipes dos governos do Brasil e EUA. Paralelamente, o setor madeireiro do Brasil informa avanço em negociação na Seção 232 de comércio ao mercado americano.
A negociação do acordo já começou na Malásia, onde o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, participou da primeira reunião de trabalho com os representantes dos Estados Unidos, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o representante de Comércio do país, Jamieson Greer.
De acordo com o portal do O Globo, Vieira informou que eles concordaram em estabelecer um cronograma de reuniões para que um acordo comercial seja realizado em “poucas semanas”.
Isso motiva o setor exportador brasileiro a entrar em contagem regressiva pelo fim do tarifaço de 50%, embora ainda não se sabe como será essa redução, se será setorial e gradativa ou não.
A Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) avaliou que a reunião entre Lula e Trump mostrou disposição efetiva dos dois países para chegar a um acordo e destacou a imediata continuidade de negociações com reunião entre equipes de governos.
O presidente da Fiesc, Gilberto Seleme, afirmou que o avanço das negociações reforça o compromisso de ambos os governos com a construção de soluções equilibradas para o comércio entre Brasil e Estados Unidos.
Ele também destacou que a expectativa da indústria é de que é possível dar continuidade às negociações com base em argumentos econômicos, setoriais e técnicos.
A Fiesc tem colaborado com informações para o governo federal e para a Confederação Nacional da Indústria (CNI) para dar base técnica a argumentos dos negociadores brasileiros com os Estados Unidos.
Para o economista-chefe da Fiesc, Pablo Bittencourt, o avanço das negociações indicam que o fim do tarifaço pode estar próximo, mas ele alertou sobre as incertezas das negociações internacionais do governo de Donald Trump. Disse que tudo pode mudar de uma hora para outra. Mas se os negócios melhorarem com o Brasil, podem vir mais investimentos e citou até o exemplo histórico da CSN, um projeto que resultou de um acordo de presidentes.
Enquanto o acordo não chega…
E enquanto o acordo geral do fim do tarifaço não chega, empresas e entidades seguem com negociações setoriais e lobbies nos EUA, com resultado positivo.
O diretor-executivo da Associação Catarinense de Empresas Florestais (ACR), Mauro Murara, informa que semana passada, antes da reunião dos presidentes na Ásia, o setor florestal brasileiro teve uma defesa jurídica das empresas brasileiras referente à seção 232 nos EUA.
A informação é que tiveram êxito no julgamento, levando a taxação de vários itens para 10%, ao invés de 50%. Nesta semana, haverá mais uma negociação com uma contraproposta americana. Se for um acordo favorável, vai destravar parte das exportações de SC aos EUA, uma vitória do setor privado, destaca Murara.
E o setor moveleiro de SC, que a exemplo do setor de madeira está entre os mais impactados pela taxação, vem buscando alternativas para seguir produzindo. No maior polo exportador de móveis de madeira do Brasil, em São Bento do Sul, não se ouve mais notícias sobre demissões e empresas estão buscando novos mercados no exterior, como Argentina, Paraguai e Chile.
Praticamente todas as empresas de SC que exportam aos EUA estão sendo impactadas pelo tarifaço e terão um alívio se a taxação cair. A lista de produtos é grande, envolve também máquinas, equipamentos, autopeças, colágeno, alimentos naturais desenvolvidos com tecnologia e outros.
Algumas empresas de proteína deixaram de vender temporariamente, mas todas fazem questão de destinar ao mercado americano porque é um dos que pagam melhor as importações. Então, o fim do tarifaço é prioridade de todos.
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