O ex-presidente Edson Silva anunciou que está deixando o projeto que ele próprio apresentou para a compra da SAF do Figueirense. É uma saída que precisa ser tratada pelo tamanho que tem. E, principalmente, pelo histórico.
Há pouco mais de quatro meses, o Figueirense ouviu uma promessa de futuro. Nesta semana, recebeu mais uma desistência.
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É a terceira vez que Edson Silva se envolve diretamente com um projeto para o Figueirense, assume protagonismo, cria expectativa e sai antes da entrega. As outras foram em 1997 e 2010.
No dia 2 de junho, o Conselho Deliberativo do Figueirense escolheu de maneira praticamente unânime a proposta representada por Edson Silva. Foram 57 votos favoráveis, três abstenções e nenhum voto para a proposta concorrente, da Kactus Capital.
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Um dia antes da votação, Edson havia falado ao Debate Diário, da CBN Floripa, para “apresentar” um projeto ambicioso. Falou em colocar o Figueirense novamente de pé. Falou em dinheiro para resolver os problemas imediatos. Falou em Recuperação Judicial, dívida com a Clave, salários, futebol, categorias de base e infraestrutura.
Falou em R$ 83 milhões para a primeira etapa. Falou em investimentos que, no futuro, poderiam passar de R$ 500 milhões. E resumiu aquele momento com uma frase forte: havia “dinheiro bom querendo entrar” no Figueirense.
Quatro meses depois, a pergunta é inevitável: Onde está esse dinheiro?
O Transfer Ban, por exemplo, continua ativo. Os problemas financeiros continuam. O Figueirense volta a conviver com atrasos. O projeto de aquisição da SAF ainda não foi concluído. E o próprio Conselho de Administração da SAF afirmou oficialmente, na semana passada, que as tratativas conduzidas por Edson Silva não produziram a entrada de um real sequer no clube.
Esta é a parte mais grave de toda a história.
Porque uma coisa é apresentar um projeto, fazer uma proposta condicionada, negociar, encontrar obstáculos e não conseguir fechar um negócio. Isso acontece no mundo empresarial todos os dias.
Outra, muito diferente, é assumir publicamente o protagonismo de uma solução para um clube fragilizado como o Figueirense, gerar enorme expectativa, vencer uma disputa dentro do Conselho Deliberativo e, quatro meses depois, deixar o processo sem que aquilo que foi apresentado tenha se transformado em realidade.
E é preciso fazer uma distinção importante.
Houve dinheiro colocado no Figueirense neste período. Houve esforços de empresários alvinegros e envolvidos no projeto, com operações para manter o clube funcionando. O empresário argentino Guillermo Vieira, que é o novo “capitão” do projeto que antes era de Edson Silva, inclusive teve seus aportes reconhecidos publicamente pelo próprio Conselho de Administração da SAF.
Portanto, não é correto jogar todos no mesmo pacote. A cobrança aqui é sobre Edson Silva. Sobre aquilo que Edson apresentou. Sobre aquilo que Edson prometeu. E sobre aquilo que Edson entregou. Ou, principalmente, não entregou.
Agora, na saída, o argumento é o de evitar conflitos internos e permitir que Guillermo Vieira e Eduardo Mafra possam trabalhar. É uma justificativa. Mas está longe de responder à principal questão. A saída dele tira credibilidade do próprio projeto.
Afinal, quem se apresentou ao Conselho Deliberativo em junho não estava oferecendo apenas boa vontade. Estava apresentando uma proposta para comprar a SAF do Figueirense.
O Conselho acreditou. O Conselho escolheu. A outra proposta foi descartada. E quatro meses foram consumidos. Esse tempo também tem valor.
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Talvez seja este o prejuízo mais difícil de calcular. O Figueirense está numa situação em que não pode desperdiçar quatro meses esperando por dinheiro que não chega, soluções que não se concretizam e investidores que permanecem sempre na etapa seguinte da negociação.
O clube precisa de dinheiro real. Precisa pagar salários. Precisa resolver o Transfer Ban. Precisa estruturar o futebol. Precisa enfrentar suas dívidas. Precisa recuperar credibilidade. Não precisa de mais apresentações espetaculares. O Figueirense já ouviu promessas demais nos últimos anos.










