A política é para adversários, não inimigos

As discussões precisam girar no campo das ideias e argumentos sólidos, baseados em fatos e dados, não em narrativas

Compartilhe:
coluna-natalino-uggioni-adversario-politicicos-nao-inimigos

(Foto: Freepik)

Quando do encerramento da vida pública, em uma reunião na Federação das Indústrias, Jorge Konder Bornhausen destacou o orgulho por ter colecionado adversários na política, não inimigos. Assim deve ser a política numa democracia saudável. As discussões precisam girar no campo das ideias e argumentos sólidos, baseados em fatos e dados, não em narrativas.

Continua após a publicidade

Receba notícias de Santa Catarina pelo WhatsApp

Eis que uma militante petista, aqui do nosso Estado, em uma transmissão ao vivo, manifesta-se com veemência gravíssima, pregando a destruição de Michelle Bolsonaro. Para ela, trata-se de “uma carta chave; se a gente não arrumar um jeito de destruir ela politicamente, e quiçá de outra forma, jurídica, por exemplo, comprovando os crimes e tornando ela também inelegível, nós vamos arrumar um problema para a cabeça”.

Continua após a publicidade

Uma fala ruim, rechaçável sob todos os aspectos e que mereceria repúdio das feministas do país. Mas como ela de esquerda, então pode. Não, não pode não! É fato, e nisso a protagonista da fala tem razão, que o partido tem dificuldades de se relacionar com o público, ao tempo em que a ex-primeira-dama “apresenta um poder de comunicação muito forte”. Mas não é só esse aspecto que merece ser apontado de Michelle. Ela apresenta-se como uma dama, é elegante, é inteligente, não usa de baixaria, tampouco faz ameaças contra os adversários. A postura dela está pautada no campo das ideias e de argumentos concretos, em defesa de valores e bons costumes e para o bem do Brasil.

Cidade de SC abre concurso para 40 cargos com salários de até R$ 20 mil

Para a petista, “Michele é infinitamente melhor que Bolsonaro”, daí a defender a necessidade da destruição, é inconcebível e inaceitável. Essa fala aponta também para o enorme capital político do ex-presidente, que assim precisa ser atacado de todas as formas, o tempo inteiro, atribuindo-se a ele tudo de ruim que está acontecendo no Brasil.

Enquanto Bolsonaro e Michelle mobilizam multidões por onde passam, o presidente e os líderes do PT não conseguem sair às ruas, sob pena de serem vaiados. Seria de se esperar uma manifestação da atual primeira-dama, condenando e repudiando aquela fala esdrúxula, mas aí falta uma dose de elegância para fazê-lo.

Continua após a publicidade

E onde anda a manifestação do ministro dos Direitos Humanos? Só enxerga e dá o ar da graça quando as falas são contra a esquerda, contra a direita, passam ao largo do ministério. E em outro acesso de completa falta de elegância e compostura, a presidente do PT inverte completamente a leitura dos fatos, acusando quem fora alvo da proposta de ser destruída.

Veja outras colunas de Natalino Uggioni

Continua após a publicidade

Para Gleisi Hoffmann, Michelle teria realizado uma “violenta campanha de perseguição” nas redes sociais contra duas apoiadoras do PT e, de quebra, disse que a ex-primeira-dama “gosta de se fazer de santa”. Se alguém da direita pregasse a destruição de Gleisi, imaginemos a tempestade decorrente.

Não, não é isso que espera-se dos representantes do povo. Saudade dos bons políticos que colecionavam adversários, sem pregar a destruição.

Continua após a publicidade

Leia também:

Como usar a nota do Enem em instituições públicas e privadas

Como uma placa mudou a vida de cachorro caramelo que estava triste em SC: “Só quer carinho”

Continua após a publicidade

Jovem troca carro por loja no Mercadão de Coqueiros e faz sucesso em Florianópolis