Talvez o que mais chamou a atenção na coletiva de imprensa que apresentou detalhes da intenção de revitalizar o Parque Ramiro Ruediger, nesta quarta-feira pela manhã, tenha sido a franqueza de José Figueiredo, porta-voz da Villard Empreendimentos, autora da proposta:
— Se criarem problema eu pego o projeto e vou embora — disse o empresário aos jornalistas.
Curta Pedro Machado no Facebook
Leia mais publicações de Pedro Machado
Na lógica da iniciativa privada, polêmica e burocracia são elementos que, se possível, seriam descartáveis em qualquer tipo de investimento. Impossível, no entanto, eliminá-los neste contexto: trata-se de uma área pública, uma das poucas convidativas a práticas esportivas e de lazer na cidade. Natural, portanto, que a discussão tenha uma reverberação incomum. E que haja receio de quais serão os impactos se a ideia vingar.
Questionado mais de uma vez sobre o porquê de não implantar o projeto em outra área, criando uma nova alternativa para o blumenauense, Figueiredo foi claro: a empresa não enxergou viabilidade financeira. A opção pelo Ramiro, por ora, é óbvia. O parque está no coração da cidade, ao lado da Vila Germânica, nosso principal ponto de referência de turismo e eventos. Ali o fluxo de gente é maior, ampliando as probabilidades de a proposta ser mais rentável.
Demonizar a busca pelo lucro, por outro lado, é reduzir o debate, que é muito mais amplo. Não nos esqueçamos que a palavra final (aceitar ou não a ideia) será da prefeitura, e é principalmente a ela que devem ser dirigidas as cobranças por políticas de lazer e mais e melhores áreas de convivência na cidade.
Com o tempo, espera-se, a proposta ficará mais clara.
Investimentos
O secretário de Turismo e Lazer, Ricardo Stodieck, acredita que o projeto, protocolado na terça-feira, seja analisado em até 30 dias. Caso ele seja viável, o investimento projetado em reformas e na instalação de novas atrações giraria entre R$ 5 milhões e R$ 6 milhões, com potencial para gerar 300 empregos diretos e indiretos, calcula Figueiredo.
O recurso sairia exclusivamente do caixa da Villard – ou de quem vir a vencer uma eventual licitação –, que teria, como contrapartida, o direito de explorar pontos comerciais no Ramiro durante o prazo de concessão. O projeto prevê o uso de 12% da área do parque para este fim.
Referências
Para desenvolver o plano para o Ramiro, a Villard foi buscar inspiração em outros locais, como Fernando de Noronha e o Corcovado. Se sair do papel, será o primeiro investimento do gênero da empresa. Há outro projeto semelhante no radar, para o Rio Grande do Sul, este em estágio mais inicial. As prefeituras de Florianópolis e Itajaí também chegaram a fazer contato.