A banalização do impeachment prejudica Santa Catarina

Compartilhe:

Governador Carlos Moisés da Silva (Foto: Diórgenes Pandini/Arquivo DC)

No pior momento da pandemia, Santa Catarina divide suas atenções com o Impeachment. Agora, no caso da compra desastrosa dos respiradores. O Tribunal Misto composto por desembargadores e deputados estaduais, sob o comando do Presidente do Tribunal de Justiça (TJ), se reúne nesta sexta-feira (26) para decidir se dá continuidade ou arquiva o processo. Na primeira hipótese, o Governador Carlos Moisés será afastado até o julgamento final.

Continua após a publicidade

> Receba notícias de Florianópolis e região pelo WhatsApp

Com todo o respeito às posições contrárias, mas esse afastamento seria difícil de explicar. A Polícia Federal investigou e afirmou não haver nenhum envolvimento do Governador. A área técnica do TCE/SC auditou e afirma não haver nenhuma responsabilidade do Governador. O Ministério Público de Contas e o Plenário do TCE/SC concordaram com a área técnica, e a decisão preliminar do TCE/SC não aponta qualquer responsabilidade do Governador. Na apuração de improbidade, o Ministério Público Estadual (MP-SC) decidiu que, após “procurar exaustivamente algum envolvimento do Governador, nada foi encontrado”.

Continua após a publicidade

Seria surreal uma nova troca de comando em meio ao pior momento da pandemia, onde as energias deveriam estar focadas exclusivamente no seu enfrentamento. Embora a lei do impeachment não diga nada que em condições sanitárias extremas, como em momento de pandemia, o processo não deveria ir adiante, seria tudo aquilo que Santa Catarina não precisa no momento.

Santa Catarina já pagou caro em 2020, com o governo tendo de responder a dois processos de impeachment em meio à pior crise sanitária deste século. É inquestionável que qualquer mudança de comando traz dificuldades à gestão.

Impeachment é constitucional e de caráter político, mas tem de ter fundamento. O processo vem sendo banalizado e usado como instrumento de chantagem contra governos com pouca sustentabilidade no parlamento. E até mesmo para a tomada de poder, como aconteceu em 2020 aqui no Estado.

Todo governo deve ser cobrado por seus erros, e o Estado precisa recuperar integralmente os valores pagos de forma indevida pelos respiradores e apontar os culpados em sua lenta e inconclusiva sindicância interna.

Continua após a publicidade

É necessário, entretanto, o mínimo de harmonia, trabalho para salvar vidas e manter a economia. A isso dá-se o nome de responsabilidade política.

Leia Mais:

Continua após a publicidade

> Médico de Timbó morre após contrair Covid-19

> Grupo faz oração em hospital de Blumenau com vítimas da Covid; veja vídeo

Continua após a publicidade

> Mulher perde mãe e irmã para Covid e se recupera após 25 dias internada em SC