A estratégia que deu uma marca ao governo Carlos Moisés

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O secretário de Estado da Infraestrutura e Mobilidade (SIE), Thiago Vieira e o governador Carlos Moisés (Foto: Mauricio Vieira / Secom)

No retorno do primeiro impeachment, a coluna escreveu que Moisés tinha pouco mais de um ano para consolidar sua gestão em tempo de se tornar politicamente competitivo para 2022. O objetivo não só foi alcançado (estando no radar dos partidos em 2022)  antes do prazo, como deu ao governo uma marca: o municipalismo. O carro chefe foi uma forte política de entrega de obras e recursos em todas as regiões do Estado.

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A estratégia não pode ser subestimada, pois foi vitoriosa em 2014, quando Raimundo Colombo se reelegeu, no primeiro turno, impulsionado pelo FUNDAM – programa que repassava recursos para todos os municípios do Estado. Impactou também em 2018, quando o FUNDAM 2 foi prometido e não veio, frustração que repercutiu na sua derrota para o Senado.

Há, entretanto,  duas diferenças. A primeira é que Carlos Moisés tem aplicado recursos próprios, fruto da reestruturação administrativa e da gestão financeira, enquanto que no governo anterior o FUNDAM vinha de empréstimo com o consequente endividamento do Estado. O FUNDAM 2, inclusive, teve parecer contrário de setores da própria Secretaria da Fazenda, e foi alvo de pedido de suspensão cautelar pela área técnica do Tribunal de Contas, que apontou os prejuízos que o negócio traria às finanças do Estado. Acabou não saindo.

Outro ponto é que, enquanto o FUNDAM repassava valores menores a cada município, na gestão atual a entrega é de mais recursos e para demandas históricas nas regiões.

Some-se a isso, os cerca de meio bilhão que o Governo do Estado está investindo, também com recursos próprios, em obras cuja obrigação e responsabilidade é do Governo Federal, que não o faz.  Verdade que com o ônus e o bônus político desta escolha política.

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Percebe-se, claramente, declarações de apoio de prefeitos e lideranças em todas as regiões e espectros políticos diversos, à reeleição de Moisés.

O fato é que esse crescimento fortaleceu o governador também nas bancadas da Alesc, impulsionadas com o trabalho do governo junto às suas bases. A ponto de o governador ser desejado por prefeitos e lideranças do MDB e PP, tradicionais arqui-inimigos na política catarinense e que ele conseguiu juntar no governo.

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Tudo indica que o caminho é o Manda Brasa (filiado ou não). Com a maior bancada estadual e o maior número de prefeitos, o partido consegue também a façanha de apresentar três pré-candidatos sem ter nenhum, e emite fortes sinais de abraçar a reeleição do atual Chefe do Executivo. Ao que tudo indica, o senador Dário Berger já bateu em retirada e negocia candidatura pelo PSB, para dar palanque a Lula.

Em um jantar na Casa D’Agronômica na última segunda-feira (6), o assunto foi abertamente discutido, inclusive com a presença dos pré-candidatos Antídio Lunelli e Celso Maldaner. A se observar o comportamento dos demais partidos da base governista na Alesc. Principalmente o PSD, que grita candidatura própria ao tempo em que flerta com Gean Loureiro, mas também é umbilicalmente ligado a Eron Giordani, o articulador político do governo Moisés. E o PSDB, abatido com a derrota de Eduardo Leite, e que aguarda os caminhos e o desempenho de João Dória.

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A sucessão está aberta e outros fatores tendem a influenciar o jogo. Mas, é inegável que Carlos Moisés se tornou competitivo. Uma impressionante reviravolta de quem, a menos de 1 ano, lutava desesperadamente para conseguir terminar o mandato, e, politicamente, era tido como carta fora do baralho.

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